Ventura acusa Marques Mendes de se juntar a “tacho de interesses” e critica CDS e IL

O candidato presidencial apoiado pelo CHEGA, André Ventura, acusou esta quinta-feira, 22 de janeiro, Marques Mendes de se ter juntado ao “tacho de interesses” ao declarar o seu apoio a António José Seguro na segunda volta, dirigindo também críticas a CDS e Iniciativa Liberal.

© Folha Nacional

À chegada a um jantar-comício com emigrantes portugueses na Suíça, na localidade de Volketswil, no cantão de Zurique, Ventura, questionado sobre o apoio pessoal declarado por Marques Mendes a Seguro, disse que essa “não é uma notícia que espante ninguém”, estranhando apenas que suceda três dias depois de o candidato apoiado pelo PSD na primeira volta ter dito que não endossaria os seus votos a ninguém.

“Há três dias, o dr. Marques Mendes disse assim: ‘eu não endossarei os meus votos a ninguém, porque quero dar liberdade a quem votou em mim’. Agora, como todos, como o sistema está todo a unir-se e o sistema de interesses está todo à volta da mesma coisa, o dr. Marques Mendes entendeu que não devia ficar fora deste tacho de interesses, e então já quis apressar-se para vir juntar-se a ele”, declarou o líder do Chega.

Ventura afirmou que “toda a gente sabe que o PSD é mais ou menos igual ao PS, toda a gente sabe como é”, apontando que aquilo que estranha “é uma mudança de posição três dias depois de uma eleição”.

Questionado se receia que o centro-direita se una à esquerda na segunda volta, no apoio a António José Seguro, candidato apoiado pelo PS, um pouco à imagem do que acontece em eleições presidenciais francesas para impedir o triunfo de Marine Le Pen, Ventura disse que “isso está a acontecer, claramente”, alargando então as suas críticas também a CDS e IL.

“Está-se a ver uma união de todos, da esquerda, da direita, do sistema todo, do sistema de interesses todo contra mim. Basta ver as televisões de manhã à noite, os jornais de manhã à noite, e é cada dia uma nova figura absolutamente improvável, algumas delas que andaram a dizer que queriam combater o socialismo a vida toda, e que agora subitamente se tornaram grandes apoiantes de um socialista. Eu não só temo que isso aconteça, isso está a acontecer”, começou por dizer.

“O que me espantou, isso sim, mais do que PS e PSD, que eu sempre vi que são a mesma coisa, é o CDS e a Iniciativa Liberal correrem para este tacho também. É absolutamente devastador ver como, na verdade, não há espaço não socialista em Portugal para lá do Chega. O único espaço não socialista, o único espaço que não se revê neste tipo de sistema é o Chega e é esta candidatura”, completou.

Marques Mendes anunciou neste dia que votará em António José Seguro na segunda volta das eleições presidenciais por “uma razão de coerência”, considerando que “é o único candidato” que se aproxima de valores como “a defesa da democracia” ou a moderação.

“É o único candidato que se aproxima dos valores que sempre defendi: defesa da democracia, garantia do espaço da moderação, respeito pelo propósito de representar todos os portugueses”, afirmou o candidato a Belém apoiado por PSD e CDS-PP na primeira volta, numa declaração ao semanário Expresso.

Mendes explicou que, na noite eleitoral de domingo, quis separar a sua posição como candidato da sua posição pessoal.

Últimas de Política Nacional

Uma larga maioria dos portugueses considera que o Governo de Luís Montenegro não está a conseguir responder ao aumento do custo de vida nem proteger o poder de compra das famílias. De acordo com a mais recente sondagem da Aximage, 77% dos inquiridos classificam como “inadequada” ou “muito inadequada” a atuação do Executivo da AD perante a subida dos preços da habitação, dos combustíveis e dos bens de consumo.
Nem o chumbo da moção de censura, nem as reservas levantadas no Parlamento, nem os alertas sobre o impacto nas instituições fizeram o CHEGA recuar. O partido de André Ventura mantém a intenção de avançar com uma Comissão Parlamentar de Inquérito aos mandatos de Luís Neves na Polícia Judiciária, entre 2018 e 2026, para escrutinar contratos, utilização de bens apreendidos e outros episódios ocorridos durante a sua direção.
O presidente do CHEGA acusou a ministra da Justiça de ter transmitido informações falsas ao Parlamento, admitindo duas hipóteses: ou foi enganada pela Polícia Judiciária ou terá procurado “encobrir” o ministro da Administração Interna. Ventura quer que o diretor nacional da PJ seja ouvido no Parlamento para esclarecer que informação foi transmitida.
O CHEGA exigiu explicações sobre o polémico negócio das novas fragatas para a Marinha e Nuno Melo vai mesmo ter de comparecer no Parlamento. A Comissão de Defesa aprovou por unanimidade a audição do ministro da Defesa a pedido do CHEGA sobre a aquisição de três fragatas italianas, num investimento estimado em 3,9 mil milhões de euros, um dos maiores investimentos na Defesa portuguesa.
A moção de censura caiu, mas o CHEGA não ficou sentado. Consumada a votação, toda a bancada se levantou e fez ecoar “demissão” pelo plenário, fechando um debate em que André Ventura responsabilizou Montenegro não apenas pela permanência de Luís Neves, mas também pelo rumo do Governo.
Mentiras, abuso de poder e suspeitas sobre a utilização da Polícia Judiciária. Luís Neves está debaixo de fogo esta terça-feira, acusado de protagonizar uma lógica de “quero, posso e mando”. Mas a pressão não recai apenas sobre o ministro da Administração Interna: Luís Montenegro é também chamado a assumir responsabilidades e a explicar, de forma cabal, por que razão continua a manter Neves no Governo.
Afinal, não foi “vais pagá-las”. Luís Neves esclareceu esta terça-feira, na Assembleia da República, a frase que disse dirigida à bancada do CHEGA, em dia de debate quinzenal com o primeiro-ministro. Aos deputados do partido liderado por André Ventura, o ministro da Administração Interna assumiu que as palavras que proferiu foram: “Vão levar comigo.”
O líder parlamentar do CHEGA, Pedro Pinto, acusou o ministro de trocar os esclarecimentos prometidos por “propaganda barata” e perguntou-lhe diretamente quando abandona o cargo. Neves fechou a porta à demissão e colocou a bola no campo de Montenegro.
André Ventura responsabiliza o primeiro-ministro pela crise política em torno de Luís Neves e garante que a moção de censura poderia ter sido evitada se o ministro já tivesse abandonado o Governo. Presidente do CHEGA acusa ainda o Estado de ter mentido ao partido sobre os 144 mil euros associados à destruição dos produtos químicos e desafia os restantes partidos a escolherem de que lado ficam.
Primeiro, o Governo respondeu ao CHEGA indicando um orçamento de 144.456 euros para a destruição dos químicos, em linha com a justificação apresentada por Luís Neves. Agora, confrontado pelo Observador, o Ministério da Justiça esclarece um pormenor decisivo: aquele valor abrangia produtos apreendidos em vários processos e não apenas os 62 bidões da Operação Pacoba. Afinal, os 144 mil euros não eram só para aqueles químicos.