Ventura arrasa Seguro: “Isto não é um concurso de misses”

André Ventura considera que a segunda volta das presidenciais deixou de ser um debate de ideias para se transformar numa frente de rejeição à sua candidatura, acusando António José Seguro de não ter propostas próprias para o país.

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André Ventura acusou António José Seguro, numa entrevista ao NOW, de atravessar a corrida presidencial “como se fosse um desfile de misses”. “Tenho uma notícia para dar a António José Seguro: isto não é o concurso Miss Portugal”, afirmou o candidato presidencial do CHEGA, sustentando que o socialista “não apresenta ideias” e que essa ausência de propostas revela uma fragilidade política clara.

Para André Ventura, a atual campanha está menos centrada em projetos alternativos para o país e mais numa mobilização contra a sua candidatura. “Seguro está a captar votos de quem não me quer a mim. Esta campanha é mais ‘anti-Ventura’ do que ‘pró-Seguro’”, disse.

O líder do CHEGA criticou ainda a proposta de um pacto para a Saúde defendida por António José Seguro, avisando que “a Saúde não se resolve com pactos”, mas com decisões concretas e responsabilização política. Reivindicou também uma vitória estratégica na primeira volta, ao ter afastado o candidato apoiado pelo partido do Governo, sublinhando que conquistou o espaço do centro-direita e da direita.

Ventura apontou igualmente o dedo ao primeiro-ministro, acusando Luís Montenegro de interferir na campanha através de apoios indiretos ao candidato socialista. “O Governo está em pânico com a minha vitória”, afirmou, lembrando que reformas recentes em áreas como imigração ou fiscalidade não foram viabilizadas com o PS.

Sobre os apoios públicos de figuras da direita a Seguro, o candidato classificou-os como representantes de uma “bolha do sistema” e de interesses instalados, incapazes de aceitar uma mudança real. Garantiu que continuará firme como “a única alternativa ao sistema”, procurando agora unir uma direita que saiu fragmentada da primeira volta.

Ventura deixou ainda um recado final a quem desvaloriza os seus eleitores: “Tratar o povo como atrasado mental é dizer que 23% dos portugueses são fascistas. Isso é desrespeito puro.”

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Uma larga maioria dos portugueses considera que o Governo de Luís Montenegro não está a conseguir responder ao aumento do custo de vida nem proteger o poder de compra das famílias. De acordo com a mais recente sondagem da Aximage, 77% dos inquiridos classificam como “inadequada” ou “muito inadequada” a atuação do Executivo da AD perante a subida dos preços da habitação, dos combustíveis e dos bens de consumo.
Nem o chumbo da moção de censura, nem as reservas levantadas no Parlamento, nem os alertas sobre o impacto nas instituições fizeram o CHEGA recuar. O partido de André Ventura mantém a intenção de avançar com uma Comissão Parlamentar de Inquérito aos mandatos de Luís Neves na Polícia Judiciária, entre 2018 e 2026, para escrutinar contratos, utilização de bens apreendidos e outros episódios ocorridos durante a sua direção.
O presidente do CHEGA acusou a ministra da Justiça de ter transmitido informações falsas ao Parlamento, admitindo duas hipóteses: ou foi enganada pela Polícia Judiciária ou terá procurado “encobrir” o ministro da Administração Interna. Ventura quer que o diretor nacional da PJ seja ouvido no Parlamento para esclarecer que informação foi transmitida.
O CHEGA exigiu explicações sobre o polémico negócio das novas fragatas para a Marinha e Nuno Melo vai mesmo ter de comparecer no Parlamento. A Comissão de Defesa aprovou por unanimidade a audição do ministro da Defesa a pedido do CHEGA sobre a aquisição de três fragatas italianas, num investimento estimado em 3,9 mil milhões de euros, um dos maiores investimentos na Defesa portuguesa.
A moção de censura caiu, mas o CHEGA não ficou sentado. Consumada a votação, toda a bancada se levantou e fez ecoar “demissão” pelo plenário, fechando um debate em que André Ventura responsabilizou Montenegro não apenas pela permanência de Luís Neves, mas também pelo rumo do Governo.
Mentiras, abuso de poder e suspeitas sobre a utilização da Polícia Judiciária. Luís Neves está debaixo de fogo esta terça-feira, acusado de protagonizar uma lógica de “quero, posso e mando”. Mas a pressão não recai apenas sobre o ministro da Administração Interna: Luís Montenegro é também chamado a assumir responsabilidades e a explicar, de forma cabal, por que razão continua a manter Neves no Governo.
Afinal, não foi “vais pagá-las”. Luís Neves esclareceu esta terça-feira, na Assembleia da República, a frase que disse dirigida à bancada do CHEGA, em dia de debate quinzenal com o primeiro-ministro. Aos deputados do partido liderado por André Ventura, o ministro da Administração Interna assumiu que as palavras que proferiu foram: “Vão levar comigo.”
O líder parlamentar do CHEGA, Pedro Pinto, acusou o ministro de trocar os esclarecimentos prometidos por “propaganda barata” e perguntou-lhe diretamente quando abandona o cargo. Neves fechou a porta à demissão e colocou a bola no campo de Montenegro.
André Ventura responsabiliza o primeiro-ministro pela crise política em torno de Luís Neves e garante que a moção de censura poderia ter sido evitada se o ministro já tivesse abandonado o Governo. Presidente do CHEGA acusa ainda o Estado de ter mentido ao partido sobre os 144 mil euros associados à destruição dos produtos químicos e desafia os restantes partidos a escolherem de que lado ficam.
Primeiro, o Governo respondeu ao CHEGA indicando um orçamento de 144.456 euros para a destruição dos químicos, em linha com a justificação apresentada por Luís Neves. Agora, confrontado pelo Observador, o Ministério da Justiça esclarece um pormenor decisivo: aquele valor abrangia produtos apreendidos em vários processos e não apenas os 62 bidões da Operação Pacoba. Afinal, os 144 mil euros não eram só para aqueles químicos.