Em comunicado, a autarquia do distrito de Santarém explica que a decisão foi tomada após uma reunião extraordinária da Comissão Municipal Restrita de Proteção Civil, perante o agravamento da situação meteorológica e hidrológica no território.
Segundo o documento, “a precipitação intensa e persistente, associada a ventos fortes, originou a subida acentuada dos níveis hidrométricos do rio Sorraia e dos seus afluentes”, elevando “de forma substancial o risco de cheias e inundações severas”, sobretudo nas zonas ribeirinhas, agrícolas e habitacionais mais vulneráveis.
O município refere que a depressão provocou também “interrupções no fornecimento de energia elétrica, no abastecimento de água e nos serviços de telecomunicações em algumas zonas do concelho”, condicionando o acesso a serviços essenciais.
Segundo o comunicado, a ativação do plano visa “assegurar uma resposta célere, eficaz e articulada, mobilizando os meios e recursos necessários para a proteção de pessoas e bens, a mitigação dos riscos existentes e a reposição da normalidade”.
A autarquia alerta ainda que as previsões apontam para “a manutenção de condições meteorológicas adversas nos próximos dias”, o que poderá agravar a situação hidrológica e os riscos associados.
A Câmara de Coruche diz estar a acompanhar permanentemente a evolução da situação, “em articulação com as entidades competentes”, garantindo ainda a mobilização de todos os meios disponíveis.
Na nota, a autarquia apela aos munícipes para que “acompanhem as informações oficiais, adotem comportamentos de autoproteção e evitem deslocações desnecessárias para zonas de risco”, enquanto persistirem as condições adversas.
Dez pessoas morreram desde a semana passada na sequência do mau tempo. A Proteção Civil contabilizou cinco mortes diretamente associadas à passagem da depressão Kristin e a Câmara da Marinha Grande anunciou uma outra vítima mortal, a que se somaram depois quatro óbitos registados por quedas de telhados (durante reparações) ou intoxicação com origem num gerador.
A destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, quedas de árvores e de estruturas, cortes ou condicionamentos de estradas e serviços de transporte, em especial linhas ferroviárias, o fecho de escolas e cortes de energia, água e comunicações são as principais consequências materiais do temporal, que provocou algumas centenas de feridos e desalojados.
Leiria, Coimbra e Santarém são os distritos com mais estragos.
O Governo decretou situação de calamidade até ao próximo domingo para 68 concelhos e anunciou um pacote de medidas de apoio até 2,5 mil milhões de euros.