Segundo um relatório, em 2025 foram confirmados 7.655 casos desta doença viral contagiosa em 30 países da União Europeia (UE) e do Espaço Económico Europeu (EEE) e registadas oito mortes – quatro em França, três na Roménia e uma nos Países Baixos.
Os dados do centro europeu indicam que Portugal registou 21 casos confirmados nos últimos 12 meses, cerca de metade dos quais em março, com a taxa de vacinação a atingir os 99% na primeira dose e os 96% na segunda, elevadas percentagens que têm sido constantes nos últimos anos.
Estes números estão em linha com os da Direção-Geral da Saúde (DGS), que em dezembro salientou que Portugal tinha “uma cobertura vacinal para o sarampo elevada”, mas reconhecendo que a introdução de casos importados podia continuar a acontecer, sem esperar, porém, surtos de grande dimensão.
Na altura, a DGS adiantou à Lusa que os casos confirmados em Lisboa e Vale do Tejo e na região Centro foram importados ou associados a casos importados e cerca de metade ocorreram em pessoas não vacinadas.O ECDC avançou ainda que, do total de casos em 2025, 3.072 (40,1%) foram em crianças com menos de cinco anos e 2.674 (34,9%) em pessoas com 15 anos ou mais.
Dos casos confirmados de infeção, 5.764 foram em pessoas (79,9%) que não estavam vacinadas – ou seja, oito em cada 10 –, enquanto 743 (10,3%) tinham tomado uma dose da vacina e 571 (7,9%) foram vacinadas com duas ou mais doses. Os dados preliminares de 2025 mostram também uma “queda significativa” no número de casos relatados de sarampo nos países da UE e do EEE, em comparação com 2024, mas esses números ainda são duas vezes maiores do que os reportados em 2023.
“Como o número de infeções normalmente atinge o pico no final do inverno e início da primavera, agora é a hora de todos verificarem o seu estado da vacinação contra o sarampo”, apelou o centro europeu.
Segundo o ECDC, para prevenir surtos de sarampo e proteger os mais vulneráveis – como crianças muito jovens para serem vacinadas e as que não podem receber a vacina por motivos clínicos – pelo menos 95% da população elegível deve ser vacinada com duas doses, seguindo as recomendações nacionais.
“A Europa deveria liderar o mundo na eliminação do sarampo. Temos uma vacina altamente eficaz e segura, além do conhecimento, dos recursos e de algumas das ferramentas de vigilância mais robustas para controlar efetivamente essa doença evitável”, realçou Sabrina Bacci, chefe do programa do ECDC sobre doenças evitáveis por vacina e imunização, citada em comunicado.
O sarampo é uma infeção provocada por um vírus e caracterizada por febre, tosse, conjuntivite, corrimento nasal e manchas vermelhas na pele. Transmite-se por contacto direto com gotículas infecciosas ou por propagação no ar quando a pessoa infetada tosse ou espirra. Habitualmente a doença é benigna, mas, em alguns casos, pode ser grave ou levar à morte.