Estado faz depender apoios às vítimas da tempestade da sua situação fiscal

Perderam a casa, o armazém ou a exploração agrícola com a tempestade, mas antes de receberem ajuda do Estado têm de provar que não devem um euro ao Fisco. O Governo decidiu condicionar os apoios às vítimas da tempestade Kristin à situação fiscal regularizada.

© HUGO DELGADO/LUSA

O Governo determinou que o acesso aos apoios públicos destinados às vítimas da tempestade Kristin depende da inexistência de dívidas ao Fisco e à Segurança Social, fazendo da situação fiscal de cada lesado um critério decisivo para a atribuição das verbas de reconstrução.

A exigência surge após a declaração de calamidade em 60 concelhos da região Centro e está prevista na Resolução do Conselho de Ministros n.º 17-A/2026, sendo concretizada pela Portaria n.º 63-A/2026/1. Os diplomas estabelecem que proprietários de habitação própria e permanente, arrendatários com contrato formalizado, empresários em nome individual, cooperativas, associações agrícolas e entidades florestais devem comprovar, no momento da candidatura, que têm a situação tributária e contributiva regularizada, mediante declaração sob compromisso de honra.

Nos termos do Código de Procedimento e de Processo Tributário, apenas é considerada regularizada a situação de quem não tenha dívidas fiscais ou esteja a cumprir um plano de pagamento autorizado e devidamente garantido. Qualquer incumprimento (mesmo que alheio aos prejuízos causados pela intempérie) pode determinar a exclusão do apoio, incluindo dívidas de montante reduzido, como IUC ou portagens.

A solução retoma um modelo já aplicado durante a pandemia, mas está a suscitar críticas quanto à sua adequação num contexto de calamidade natural, em que a urgência da reconstrução pode colidir com exigências administrativas rígidas. Especialistas admitem que o impacto poderá ser mais significativo no tecido empresarial, onde a existência de pendências fiscais é estatisticamente mais frequente.

Em paralelo, o Banco Português de Fomento anunciou ter já recebido candidaturas no valor de 627 milhões de euros no âmbito das linhas de apoio à tesouraria e reconstrução, com algumas instituições bancárias a iniciarem a disponibilização de verbas. Ainda assim, no que respeita aos apoios diretos do Estado, a regularidade fiscal assume-se como condição prévia indispensável para aceder à ajuda pública.

Últimas de Economia

O preço por litro da gasolina deverá subir cerca de cinco cêntimos e o de gasóleo deverá descer até um cêntimo na próxima semana, segundo as estimativas divulgadas esta sexta-feira pelo Automóvel Club de Portugal (ACP) e pela Anarec.
Os custos de construção de habitação nova terão aumentado 7,5% em agosto, em termos homólogos, tendo os materiais subido 7,1% e a mão-de-obra 8,0%, de acordo com uma estimativa divulgada esta sexta-feira pelo INE.
A presidente do Tribunal de Contas defendeu que reformas das finanças públicas não devem enfraquecer o controlo externo da despesa, para proteger as democracias.
A receita fiscal prevista para o próximo ano equivale a cerca de 7.350 euros por habitante, num cenário em que o Estado espera arrecadar mais dinheiro através dos impostos.
O Estado português prepara-se para arrecadar 70,67 mil milhões de euros em impostos no próximo ano, um novo máximo que representa mais 2,86 mil milhões de euros face à estimativa para 2026.
O presidente do CHEGA responsabiliza o Partido Socialista de abrir caminho a um Orçamento que, segundo afirma, vai agravar o custo de vida das famílias. O líder do CHEGA critica a ausência de reduções do IVA nos combustíveis e no cabaz alimentar e denuncia um “falhanço em toda a linha”.
O Governo prevê arrecadar 3.796 milhões de euros em 2027 com o imposto sobre os produtos petrolíferos e energéticos (ISP), mais 186 milhões do que o estimado para este ano, segundo a proposta de Orçamento do Estado para 2027.
André Ventura acusou o Governo de estar a penalizar os portugueses com a subida dos impostos e voltou a exigir uma redução do IVA nos combustíveis. “Os portugueses estão a sofrer, e não é pouco”, defendeu.
O cabaz alimentar composto por 63 bens essenciais monitorizado pela Deco Proteste voltou a subir 1,34 euros, fixando-se nos 255,56 euros, informou hoje a associação de defesa do consumidor.
O antigo ministro João Gomes Cravinho admitiu hoje que soube de forma "muito genérica" que o custo das obras no antigo Hospital Militar de Belém iria derrapar, mas ressalvou que nunca surgiu um "pedido de despesa suplementar".