CHEGA quer acabar com subvenções vitalícias a antigos políticos

O CHEGA apresentou na Assembleia da República um projeto de lei que prevê o fim da subvenção mensal vitalícia atribuída a antigos titulares de cargos políticos, através de um processo de redução progressiva do benefício ao longo de três anos, seguido da sua extinção definitiva.

© Folha Nacional

De acordo com a iniciativa legislativa, a subvenção seria reduzida para 60% do valor atualmente pago no primeiro ano após a entrada em vigor da lei, para 40% no segundo ano e para 20% no terceiro. Findo esse período, o pagamento cessaria por completo. O diploma impede ainda a apresentação de novos pedidos de atribuição da subvenção ao abrigo de regimes anteriores.

Na exposição de motivos, o CHEGA defende que a manutenção das subvenções vitalícias colide com o princípio da igualdade consagrado na Constituição da República Portuguesa, criando um regime privilegiado para antigos titulares de cargos políticos face à generalidade dos cidadãos. O partido sustenta ainda que este benefício, de natureza não contributiva, não constitui um direito fundamental e pode, por isso, ser objeto de revisão ou eliminação pelo legislador.

A proposta apoia-se em jurisprudência do Tribunal Constitucional que tem classificado a subvenção mensal vitalícia como um “puro benefício”, sublinhando que a sua proteção constitucional é mais limitada do que a de direitos fundamentais, como o direito ao salário ou à segurança social. Segundo o CHEGA, esta interpretação permite uma reconfiguração do regime, desde que respeitados critérios de proporcionalidade e proteção da confiança.

O partido destaca também o impacto orçamental da medida, referindo que, em 2026, a despesa com subvenções vitalícias deverá ultrapassar os 10 milhões de euros, abrangendo cerca de 286 beneficiários. Para o CHEGA, o aumento da despesa pública e a existência de situações consideradas socialmente injustas reforçam a necessidade de pôr termo ao regime.

A iniciativa prevê uma aplicação faseada precisamente para evitar um corte imediato dos rendimentos dos beneficiários, procurando salvaguardar expectativas legítimas e reduzir o risco de inconstitucionalidade, um problema que levou à rejeição de propostas semelhantes em legislaturas anteriores.

O projeto de lei deu entrada no Parlamento a 5 de fevereiro de 2026 e será agora discutido e votado pelos deputados.

Últimas de Política Nacional

O Parlamento rejeitou todas as propostas apresentadas pelo CHEGA para reforçar o mercado de arrendamento, incluindo a descida para 5% da taxa de IRS aplicada aos rendimentos prediais.
Um jornalista da rádio Observador foi retirado da sala durante uma audição da Comissão Parlamentar de Inquérito ao INEM, após uma decisão conjunta de PS e PSD. O CHEGA foi o único partido a votar contra.
O PS e o PSD chumbaram, na Comissão de Infraestruturas, Mobilidade e Habitação, um requerimento do CHEGA que pretendia ouvir especialistas independentes sobre a localização do futuro Aeroporto Luís de Camões, impedindo que dúvidas técnicas, económicas e ambientais fossem discutidas no Parlamento.
A presidente da Câmara de Alcácer do Sal, Clarisse Campos, retirou os pelouros ao vereador Mário Caixas, também eleito pelo PS, alegando quebra de confiança política num momento considerado decisivo para a recuperação do concelho após as recentes cheias.
O serviço ferroviário entre Lisboa e Setúbal, que atravessa a Ponte 25 de Abril, vai estar sob escrutínio no Parlamento. O CHEGA conseguiu aprovar uma audição para ouvir utentes, Fertagus e Governo sobre as condições de segurança, capacidade e qualidade do serviço.
O presidente do CHEGA, André Ventura, acusou esta quarta-feira o Governo de se vitimar e o primeiro-ministro de querer desviar atenções e usar as alterações à lei laboral como “manobra de distração”.
O Ministério Público arquivou 51 denúncias apresentadas contra cartazes do CHEGA, concluindo que os slogans não configuram crime e estão protegidos pela liberdade de expressão no debate político.
O Parlamento português recusou uma proposta do CHEGA que defendia que Portugal deveria fazer todos os esforços para reconhecer a Irmandade Muçulmana como organização terrorista.
O CHEGA entregou um projeto de resolução no parlamento em que recomenda ao Governo a adoção de "medidas urgentes" para assegurar o "regular funcionamento" dos tribunais e serviços do Ministério Público (MP) na Comarca de Portalegre.
O CHEGA apresentou um projeto de lei que propõe a criação da carreira especial de medicina dentária e a sua integração plena no Serviço Nacional de Saúde (SNS), para reforçar o acesso da população portuguesa a cuidados de saúde oral.