Ministros reforçam ordenado com ‘bónus’ europeu. Ficaram com 11.255 euros por mês

Subsídio de reintegração pago por Bruxelas eleva rendimentos de governantes portugueses para patamares próximos dos 11 mil euros mensais. Benefício não é automático, tem de ser pedido.

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Quatro membros do atual Conselho de Ministros acionaram o denominado subsídio de reintegração do Parlamento Europeu, um mecanismo que permite aos ex-eurodeputados receber, por cada ano de mandato, um mês de salário base após cessarem funções, revela a revista Sábado.

Segundo a mesma publicação, o montante corresponde ao salário base auferido em Bruxelas — 11.255 euros mensais — e pode ser acumulado com funções exercidas no país, sendo apenas deduzido caso o novo vencimento seja superior. Tendo em conta que o salário de um ministro em Portugal é de 7.190 euros (já incluindo despesas de representação), o diferencial pago pelo Parlamento Europeu eleva os rendimentos mensais para valores próximos dos 11 mil euros, aproximando-os do nível remuneratório do Presidente da República.

Entre os governantes que recorreram a este mecanismo encontram-se Paulo Rangel, ministro dos Negócios Estrangeiros, eurodeputado entre 2009 e 2024 e que recebeu o subsídio durante 14 meses; José Manuel Fernandes, ministro da Agricultura e Mar, também com mandato europeu no mesmo período; Nuno Melo, ministro da Defesa Nacional, igualmente eurodeputado entre 2009 e 2024; e Maria da Graça Carvalho, ministra do Ambiente e Energia, que exerceu funções no Parlamento Europeu em dois períodos distintos, sendo considerado o mais recente para efeitos do cálculo do subsídio.

Todos declararam os valores às autoridades fiscais portuguesas e sublinharam tratar-se de montantes a que tinham direito por lei, indica a Sábado. O gabinete de imprensa do Parlamento Europeu esclareceu ainda que o subsídio não é atribuído automaticamente, dependendo de requerimento do ex-deputado e podendo ser renunciado a qualquer momento.

Últimas de Política Nacional

Uma larga maioria dos portugueses considera que o Governo de Luís Montenegro não está a conseguir responder ao aumento do custo de vida nem proteger o poder de compra das famílias. De acordo com a mais recente sondagem da Aximage, 77% dos inquiridos classificam como “inadequada” ou “muito inadequada” a atuação do Executivo da AD perante a subida dos preços da habitação, dos combustíveis e dos bens de consumo.
Nem o chumbo da moção de censura, nem as reservas levantadas no Parlamento, nem os alertas sobre o impacto nas instituições fizeram o CHEGA recuar. O partido de André Ventura mantém a intenção de avançar com uma Comissão Parlamentar de Inquérito aos mandatos de Luís Neves na Polícia Judiciária, entre 2018 e 2026, para escrutinar contratos, utilização de bens apreendidos e outros episódios ocorridos durante a sua direção.
O presidente do CHEGA acusou a ministra da Justiça de ter transmitido informações falsas ao Parlamento, admitindo duas hipóteses: ou foi enganada pela Polícia Judiciária ou terá procurado “encobrir” o ministro da Administração Interna. Ventura quer que o diretor nacional da PJ seja ouvido no Parlamento para esclarecer que informação foi transmitida.
O CHEGA exigiu explicações sobre o polémico negócio das novas fragatas para a Marinha e Nuno Melo vai mesmo ter de comparecer no Parlamento. A Comissão de Defesa aprovou por unanimidade a audição do ministro da Defesa a pedido do CHEGA sobre a aquisição de três fragatas italianas, num investimento estimado em 3,9 mil milhões de euros, um dos maiores investimentos na Defesa portuguesa.
A moção de censura caiu, mas o CHEGA não ficou sentado. Consumada a votação, toda a bancada se levantou e fez ecoar “demissão” pelo plenário, fechando um debate em que André Ventura responsabilizou Montenegro não apenas pela permanência de Luís Neves, mas também pelo rumo do Governo.
Mentiras, abuso de poder e suspeitas sobre a utilização da Polícia Judiciária. Luís Neves está debaixo de fogo esta terça-feira, acusado de protagonizar uma lógica de “quero, posso e mando”. Mas a pressão não recai apenas sobre o ministro da Administração Interna: Luís Montenegro é também chamado a assumir responsabilidades e a explicar, de forma cabal, por que razão continua a manter Neves no Governo.
Afinal, não foi “vais pagá-las”. Luís Neves esclareceu esta terça-feira, na Assembleia da República, a frase que disse dirigida à bancada do CHEGA, em dia de debate quinzenal com o primeiro-ministro. Aos deputados do partido liderado por André Ventura, o ministro da Administração Interna assumiu que as palavras que proferiu foram: “Vão levar comigo.”
O líder parlamentar do CHEGA, Pedro Pinto, acusou o ministro de trocar os esclarecimentos prometidos por “propaganda barata” e perguntou-lhe diretamente quando abandona o cargo. Neves fechou a porta à demissão e colocou a bola no campo de Montenegro.
André Ventura responsabiliza o primeiro-ministro pela crise política em torno de Luís Neves e garante que a moção de censura poderia ter sido evitada se o ministro já tivesse abandonado o Governo. Presidente do CHEGA acusa ainda o Estado de ter mentido ao partido sobre os 144 mil euros associados à destruição dos produtos químicos e desafia os restantes partidos a escolherem de que lado ficam.
Primeiro, o Governo respondeu ao CHEGA indicando um orçamento de 144.456 euros para a destruição dos químicos, em linha com a justificação apresentada por Luís Neves. Agora, confrontado pelo Observador, o Ministério da Justiça esclarece um pormenor decisivo: aquele valor abrangia produtos apreendidos em vários processos e não apenas os 62 bidões da Operação Pacoba. Afinal, os 144 mil euros não eram só para aqueles químicos.