“Estamos, neste momento, hoje de manhã, com 115 mil apólices que foram acionadas. Estamos com mais de duas mil apólices acionadas por dia, o que é um número brutal”, afirmou Paulo Fernandes aos jornalistas, em Leiria, num ponto de situação sobre os prejuízos e os trabalhos em curso para a recuperação.
Segundo Paulo Fernandes, com a Associação Portuguesa de Seguradores (APS) estabeleceu-se que, “dentro do que foram as amostragens, 85% são particulares, 15% serão empresas”.
“Dessas 115 mil, cerca de 10% já tiveram resposta por parte das apólices de seguros, ou seja, há cerca de 15 mil em que os processos estão terminados e com valores já pagos aos afetados, sendo que, desses 15 mil, mais de duas mil foram já através de modelos de estimativa”, esclareceu o responsável da Estrutura de Missão.
Referindo que, “apesar das seguradoras terem concentrado” o máximo de peritos nacionais neste território, o coordenador referiu que, com “duas mil apólices por dia a serem acionadas, este é um processo muito difícil”.
“Pedimos para, dentro do que são os modelos obviamente de risco, mas modelos que trouxessem alguma segurança, pudessem por estimativa começarem a fazer adiantamentos quer às empresas, quer às pessoas, de forma a introduzir o mais depressa possível capacidade de regeneração também na tesouraria financeira às pessoas”, declarou.
O coordenador garantiu que “várias companhias já estão a fazer adiantamentos até 50% de alguns processos por estimativa, o que acelera o dinheiro a chegar aos lesados”.
“Foi algo que temos conversado praticamente dia sim dia não” com a associação, declarou, considerando este “um bom princípio que não põe em causa aquilo que é a clareza do processo e a sua segurança, mas acelera, de facto, a chegada desse valor às pessoas”, adiantou.
No dia 14, a APS avançou ter participados mais de 100 mil sinistros, metade dos quais comunicados na última semana.
Dezoito pessoas morreram em Portugal na sequência da passagem das depressões Kristin, Leonardo e Marta, que provocaram também muitas centenas de feridos e desalojados.
A destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, a queda de árvores e de estruturas, o fecho de estradas, escolas e serviços de transporte, e o corte de energia, água e comunicações, inundações e cheias são as principais consequências materiais do temporal.
As regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo foram as mais afetadas.
A situação de calamidade que abrangia os 68 concelhos mais afetados terminou em 15 de fevereiro.