Ministério Público arquiva denúncias contra cartazes do CHEGA

O Ministério Público arquivou 51 denúncias apresentadas contra cartazes do CHEGA, concluindo que os slogans não configuram crime e estão protegidos pela liberdade de expressão no debate político.

© Folha Nacional

O Ministério Público decidiu arquivar as 51 denúncias apresentadas contra três cartazes do partido CHEGA, colocados no final do ano passado, concluindo que as mensagens não configuram qualquer crime.

De acordo com o Correio da Manhã (CM), estavam em causa os slogans ‘Isto não é o Bangladesh’, ‘Os ciganos têm que cumprir a lei’ e ‘Os imigrantes não podem viver de subsídios’, que alguns denunciantes consideravam racistas ou xenófobos, podendo enquadrar-se nos crimes de discriminação e incitamento ao ódio e à violência.

No despacho de arquivamento, o procurador Carlos Rodrigues, da 1.ª secção do Departamento de Investigação e Ação Penal (DIAP) de Lisboa, concluiu que os cartazes não ultrapassam os limites da liberdade de expressão no contexto do debate político, refere o CM.

Segundo o magistrado, as mensagens não contêm injúria, difamação nem incitamento direto à discriminação, enquadrando-se antes na dialética política e no debate público sobre imigração e políticas sociais.

Relativamente ao cartaz ‘Isto não é o Bangladesh’, o Ministério Público refere que a expressão tem origem num excerto de uma música satírica criada com recurso a inteligência artificial, posteriormente utilizada por André Ventura em outdoors. O despacho sublinha que a frase não contém qualquer caracterização ofensiva da comunidade do Bangladesh.

Quanto ao cartaz ‘Os imigrantes não podem viver de subsídios’, o procurador entende que a mensagem remete para uma discussão política sobre critérios de atribuição de prestações sociais e autorizações de residência, não configurando qualquer ofensa ou incitamento à discriminação.

Já no caso da frase ‘Os ciganos têm que cumprir a lei’, o Ministério Público considera que, do ponto de vista linguístico, a expressão não afirma que a comunidade cigana não cumpre a lei, limitando-se a formular uma exigência genérica de cumprimento das regras.

Últimas de Política Nacional

Isaltino Morais admite que André Ventura possa chegar a primeiro-ministro e aponta uma aproximação entre PS e PSD como forma de travar esse cenário. Em entrevista à RTP, o presidente da Câmara de Oeiras defendeu uma convergência entre os dois partidos para impedir a chegada do líder do CHEGA ao Governo.
PSD, Iniciativa Liberal e PS viabilizaram alterações à lei do Tribunal de Contas que poderão afastar a aplicação de sanções financeiras ao ministro da Administração Interna, Luís Neves. Em causa estão despesas de 14.300 euros com viagens ao Brasil, realizadas em 2023, quando dirigia a Polícia Judiciária.
O presidente do CHEGA responsabiliza PS e PSD pela crise da habitação e acusa José Luís Carneiro de dar luz verde a um Orçamento do Estado sem conhecer o seu conteúdo. André Ventura defende um pacote de emergência com benefícios fiscais, apoios às rendas e menos burocracia.
Socialistas e sociais-democratas preparam alterações à legislação do Tribunal de Contas que poderão beneficiar Luís Neves. A possibilidade de uma amnistia através de uma mudança legislativa levanta questões sobre o alcance da iniciativa e as suas consequências.
Comissão Parlamentar da Transparência considera grave a conduta de Ventura após a divulgação de um vídeo em que o líder do CHEGA percorreu corredores e espaços de outros grupos parlamentares, questionando a ausência de deputados numa sexta-feira.
André Ventura garantiu que a comissão parlamentar de inquérito à atuação de Luís Neves na Polícia Judiciária vai avançar sem interrupções, mesmo durante a discussão do Orçamento do Estado. À saída da tomada de posse da comissão, o presidente do CHEGA denunciou tentativas de travar os trabalhos e assegurou que a investigação continuará mesmo que Luís Neves abandone o Governo.
PSD e PS aprovaram, na especialidade, alterações ao regime de fiscalização do Tribunal de Contas que incluem o afastamento do visto prévio em determinados procedimentos. André Ventura acusa os dois partidos de enfraquecerem o controlo da despesa pública e classifica a decisão como uma “via verde para a corrupção”.
André Ventura questionou esta terça-feira a permanência de Luís Neves à frente do Ministério da Administração Interna, na sequência das acusações feitas pelo antigo secretário-geral Ricardo Carrilho. O presidente do CHEGA falou em suspeitas de pressões para a prática de ilegalidades, questionou a gestão de 26 milhões de euros destinados ao SIRESP e prometeu impedir que a comissão parlamentar de inquérito seja bloqueada.
O Livre tentou impedir André Ventura de presidir à comissão parlamentar de inquérito à atuação de Luís Neves, alegando um possível conflito de interesses relacionado com o assalto ao gabinete do líder do CHEGA. O pedido foi dirigido ao presidente da Assembleia da República, José Pedro Aguiar-Branco, que rejeitou os argumentos apresentados e não identificou qualquer impedimento legal.
André Ventura anunciou, esta sexta-feira, a recandidatura à liderança do CHEGA, durante o Conselho Nacional do partido, em Lisboa. Perante uma estrutura que afirma ter atingido os 100 mil militantes, garantiu que o CHEGA será o maior partido do país, atacou os interesses instalados e deixou um aviso: “Quem nos vai travar? Bruxelas? A imprensa? Não! Só nós nos podemos travar!”