André Ventura aceita debate com Pacheco Pereira baseado em factos e documentos

O presidente do CHEGA, André Ventura, disse hoje que aceitou debatedor, na segunda-feira, com o historiador José Pacheco Pereira, que no domingo tinha desafiado o político de direita radical a esgrimir argumentos com base em "factos e documentos".

© Folha Nacional

Numa publicação na sua conta oficial na rede social X, pode ler-se que o líder do CHEGA “aceita o desafio de Pacheco Pereira”, falando num “grande debate” agendado para a próxima segunda-feira, às 22h00, na CNN Portugal.

“Não me escondo e não tenho medo de defender os valores do CHEGA. Portugal tem de passar a olhar para a sua História com verdade e sem condicionamento ideológico!”, exclamou o líder do Chega na sua publicação.

No domingo, no programa O Princípio da Incerteza, no qual é comentador residente, o historiador José Pacheco Pereira desafiou André Ventura para um debate baseado em “factos e documentos”, após a polémica intervenção do presidente do CHEGA no parlamento durante a sessão solene que assinou os 50 anos da aprovação da Constituição.

Segundo Pacheco Pereira, André Ventura recorreu a “todas as formas de mentira”, como a “mentira propriamente dita, a omissão da verdade e a sugestão de falsidade”.

Um dos exemplos foi a menção à suposta existência de mais presos políticos após a revolução de 25 de Abril de 1974 do que antes, invocada por André Ventura, mas que José Pacheco Pereira rejeitou, apresentando dados que apontam para mais de 12 mil presos políticos entre 1945 e 1974, além de milhares detidos nas colónias.

No período pós-25 de Abril, Pacheco Pereira assinalou que uma parte significativa dos detidos eram agentes da PIDE, classificados como membros de uma organização criminosa, bem como elementos ligados a episódios específicos como o 28 de Setembro, o 11 de Março ou organizações como o MRPP.

Segundo Pacheco Pereira, o debate com Ventura terá de ter regras claras, como a duração mínima de uma hora e a obrigatoriedade de fundamentar todas as afirmações com documentos, factos ou provas concretas.

“Cada afirmação de que cada um de nós faz tem que ser documentada. Tem que ser documentada, porque não adianta estar a vir com coisas. Se eu disser que morreu este por causa daquilo, eu documento. Se eu disser que a violência nas colónias tem estas características, eu documento. E a mesma coisa espero que o André Ventura faça”, disse então Pacheco Pereira.

O historiador desejou também que “não houvesse ataques pessoais” no debate, aceitando essa regra “se o André Ventura aceitar igualmente esta regra”.

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