As dificuldades dos jovens agentes de autoridade em Portugal

Como mãe de um menino que olha para polícias e guardas com admiração e respeito, e como alguém que sempre escutou os sonhos de várias crianças que queriam tornar-se polícias, custa-me ver o estado em que se encontram hoje as forças de autoridade em Portugal.
Mas sobretudo, custa-me ouvir os testemunhos de alguns destes jovens agentes, muitos deles amigos ou antigos colegas de escola, sobre aquilo que enfrentam diariamente.

Para muitos, entrar para a polícia ou para a GNR é mais do que uma profissão, é um compromisso de proteção para com a sociedade.
Infelizmente, a realidade é que há desafios que vão muito além da formação inicial ou da motivação pessoal.

São profissões marcadas pela imprevisibilidade. Chamadas para ocorrências de violência doméstica ou distúrbios podem transformar-se rapidamente em situações extremas, envolvendo armas, toxicodependentes ou tentativas de homicídio.
Mesmo situações aparentemente simples exigem avaliação imediata e coragem, porque cada ocorrência é única e ninguém sabe exatamente o que irá encontrar ao chegar.

Mas os agentes de autoridade no nosso país não vivem em constante sobressalto apenas pelo risco de diário. Também a falta de respeito por parte dos cidadãos é algo importante a ter em conta.

A relação com a população e a perceção social constitui um desafio diário.
Crianças e cidadãos demonstram medo apenas por verem os agentes fardados.
Muitos avós ou pais dizem aos filhos que se não se portarem bem, “ vem a polícia e prende-te”, criando uma associação do agente de autoridade com punição em vez de proteção.
Essa educação de medo tem consequências reais pois em situações de perigo, as crianças não associam os agentes como alguém a quem recorrer, mas como figuras a temer.

Paradoxalmente, a renovação geracional nas forças de segurança traz consigo tanto oportunidades quanto desafios.
Por um lado, os jovens agentes aproximam-se de outros jovens, amigos e familiares, contribuindo para modernizar a interação com a sociedade e quebrar os padrões de medo associados à polícia.
Por outro, ainda não desenvolveram plenamente a capacidade de comunicação necessária para lidar com a diversidade da população, resultado muitas vezes de políticas de portas abertas à imigração.
No fundo isto não se trata de um problema de formação técnica, mas sim de formação humana e educação, que são essenciais para gerar credibilidade e confiança e só a experiência e o tempo de serviço conseguem fazer amadurecer.

Estes testemunhos são relatos de jovens GNR e PSP e mostram que para um agente, cada dia de trabalho representa várias horas em que a sua vida pode estar em risco.
Isso exige muita coragem.

Em suma, em Portugal estes novos agentes sabem que é necessário aprender equilibrar coragem, empatia e profissionalismo.
E sabem também que vão enfrentar o perigo físico e emocional, ao mesmo tempo que se conquista a confiança da população, que foi sendo perdida ao longo dos anos.

Anseio pelo dia em que os testemunhos das forças de segurança sejam diferentes, para ouvir novamente os meninos dizerem que quando forem grande querem ser polícias.

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