Viticultores “vão abandonar o Douro” por falta de sustentabilidade

O atraso na revisão do quadro regulamentar da Região Demarcada do Douro pode resultar num abandono de viticultores devido à falta de sustentabilidade económica, advertiu hoje o presidente da ViniPortugal, Frederico Falcão.

© D.R

O atraso na revisão do quadro regulamentar da Região Demarcada do Douro pode resultar num abandono de viticultores devido à falta de sustentabilidade económica, advertiu hoje o presidente da ViniPortugal, Frederico Falcão.

“A região tem que encontrar soluções, porque da forma como estão a caminhar não é sustentável e, portanto, é muito provável que, a não se fazer nada, haja muito abandono de vinha na região do Douro e ninguém quer isso”, afirmou hoje Frederico Falcão à Lusa, em Londres, à margem de uma prova de vinhos portugueses.

O responsável comentava o recente abaixo-assinado, de mais de mil pessoas ligadas à região, a pedir uma reforma urgente do quadro regulamentar da região, imutável há quase 100 anos, na sequência de uma intervenção do Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, no mesmo sentido.

Segundo Falcão, em causa está um “problema estrutural” devido à produção na região de Vinho do Porto e de vinhos não fortificados, criando um “desequilíbrio muito grande em termos de preços”.

“É uma região de pequenas propriedades, em que as pessoas dependem muito daquela atividade e em que muitas vezes o preço da uva fica abaixo do preço de produção”, explicou.

O problema é conhecido há muito tempo e já foram feitos vários estudos, recordou, mas “não se decidem sobre o caminho a tomar e é urgente que se tome uma decisão”.

“É um meio muito, muito rural e cada vez mais desertificado, e quem tem pequenas propriedades, se continuar a perder dinheiro com a venda das uvas, naturalmente vai abandonar a atividade”, advertiu.

O Ministério da Agricultura adiantou à Lusa, no início deste mês, que foi “criado um grupo de trabalho e estimulada a elaboração de um estudo analítico ou ‘masterplan’, com o objetivo de serem estudadas propostas e medidas concretas com vista à valorização da região demarcada e da sua competitividade e sustentabilidade”.

Últimas de Economia

A produção na construção recuou 2,0% na zona euro e 1,8% na União Europeia (UE) em julho, face ao mesmo mês de 2025, segundo dados hoje divulgados pelo Eurostat.
A taxa Euribor desceu hoje a três e a 12 meses e subiu a seis meses para um novo máximo desde outubro de 2024.
Contas provisórias apontam para um agravamento de 10 cêntimos no gasóleo e oito na gasolina já a partir de segunda-feira. A Associação Nacional de Revendedores de Combustíveis fecha os valores esta sexta-feira.
O Partido Socialista (PS) defende que é preciso aliviar a carga fiscal sobre os combustíveis, mas vai votar contra o projeto de lei do CHEGA que propõe reduzir temporariamente o IVA nos combustíveis de 23% para 13%. A decisão foi confirmada por José Luís Carneiro.
Com o prazo a apertar, várias entidades públicas aceleraram a contratação financiada pelo PRR. Na Universidade Nova de Lisboa, dez contratos foram assinados no último dia de junho e uma empreitada de quase 749 mil euros ficou a pouco mais de mil euros do valor que obrigaria a fiscalização prévia do Tribunal de Contas.
Abastecer deverá voltar a pesar mais na carteira já no início da próxima semana. As previsões apontam para aumentos expressivos no gasóleo e na gasolina, numa altura em que o Brent continua acima dos 100 dólares.
A taxa de inflação homóloga da zona euro fixou-se nos 3,2% em agosto, face aos 2% registados no mesmo mês de 2025, enquanto na União Europeia (UE) passou de 2,4% para 3,2%, ficando Portugal acima da média.
A Euribor desceu, esta quarta-feira, a três meses e subiu a seis e a 12 meses para novos máximos desde outubro e julho de 2024, após o Banco Central Europeu ter subido as taxas diretoras na quinta-feira.
O cabaz alimentar composto por 63 bens essenciais monitorizado pela Deco Proteste subiu pela terceira semana consecutiva, fixando-se nos 255,97 euros, informou esta quarta-feira a associação de defesa do consumidor.
Os títulos de dívida emitidos por entidades residentes até agosto subiram 2,8% em termos homólogos, para 328.986 milhões de euros, segundo dados hoje divulgados pelo Banco de Portugal (BdP).