Regiões autónomas com “forte crescimento económico” em 2022, sobretudo Madeira

As regiões autónomas dos Açores e da Madeira registaram um “forte crescimento económico” em 2022, sobretudo o arquipélago madeirense, que cresceu acima do verificado no conjunto da economia portuguesa, revelou hoje o Conselho das Finanças Públicas (CFP).

© D.R.

De acordo com o relatório “Evolução Orçamental das Regiões Autónomas em 2022”, o forte crescimento económico e a retirada parcial dos apoios extraordinários atribuídos por causa da covid-19 contribuíram para “reduzir as necessidades de financiamento da Administração Regional”.

De acordo com os dados do CFP, a Região Autónoma dos Açores (RAA) apresentou um crescimento económico em linha com o verificado no país, “tendo a atividade económica ficado acima do nível pré-pandemia”, enquanto a Região Autónoma da Madeira (RAM) registou nesse ano “um crescimento económico robusto, acima do verificado para o conjunto da economia portuguesa”.

Isto ocorreu apesar de as transferências ao abrigo da Lei das Finanças das Regiões Autónomas (LFRA) terem diminuído, de 534 milhões de euros (ME), em 2021, para 498 ME, em 2022 (segundo a aplicação da fórmula legal que tem conta a variação do PIB ocorrida dois anos antes, neste caso no ano de 2020).

Em contas nacionais, o défice orçamental das regiões autónomas passou de 0,3% em 2021 para 0,2% do PIB em 2022, acompanhando a redução do défice orçamental do conjunto das Administrações Públicas, de que fazem parte.

A dívida (definição de Maastricht) regional decresceu de 3,6% do PIB em 2021 para 3,3% do PIB em 2022, um rácio ainda acima do verificado em 2019.

Na Região Autónoma dos Açores (RAA), o défice diminuiu 0,7 pontos percentuais (p.p.) face a 2021, para 7,7% do PIB da região (PIBR), apesar da quebra em 1,1 p.p. das transferências previstas na LFRA.

Segundo o CFP, para esta recuperação contribuíram a redução das medidas covid-19, apesar de a região ter sido “penalizada pelo novo apoio financeiro à SATA Air Açores (1,2 p.p. do PIBR)”, empresa em processo de reestruturação.

A dívida atingiu 60% do PIB da região (mais 0,6 p.p. do que em 2021), representando um novo máximo, e a dívida global (incluindo a dívida comercial) aumentou para 3.108 ME (60,8% do PIBR), “refletindo principalmente o financiamento do défice, a assunção de dívida financeira de algumas empresas públicas regionais e a realização da operação de aumento de capital social da SATA Air Açores”.

O CFP destacou que “a crescente expressão de passivos contingentes”, que atingiram 2.439 ME em 2022 (47,7% do PIBR), acentua-se nos Açores desde 2015, “associada ao sucessivo agravamento da dívida financeira e consequentes necessidades de refinanciamento”, contribuindo “para elevar o risco de sustentabilidade das finanças” açorianas.

Já o défice da Região Autónoma da Madeira (RAM) fixou-se em 2,4% do PIBR em 2022, menos 1,9 p.p. do que em 2021.

Decisivo para a redução do défice orçamental na Madeira foi o fim de alguns apoios por causa da pandemia, equivalentes a 3 p.p. do PIBR, num ano em que as transferências ao abrigo da lei das Finanças Regionais diminuíram 1 p.p. do PIB gerado na região.

A dívida reduziu-se em 17,8 p.p. do PIBR e o peso da dívida no PIB da região fixou-se em 83,2% (PIBR) em 2022, abaixo do ano pré-pandemia, “correspondendo ao rácio da dívida mais baixo desde 2010”.

As responsabilidades contingentes mantiveram a tendência decrescente dos últimos anos e no final de 2022 eram de 1.272 ME (21,1% do PIBR), “refletindo o menor valor atual dos encargos futuros com PPP, que mais do que compensou o aumento da dívida de empresas públicas regionais fora do perímetro orçamental”.

A análise do CFP das finanças regionais tem em conta dados provisórios relativos ao PIB das Regiões Autónomas em 2022, publicado em 18 de dezembro de 2023 pelo Instituto Nacional de Estatística (INE).

O CFP destacou ainda que no corrente ano entram em vigor regras relativas à disciplina orçamental na União Europeia, suspensas desde 2020 e em processo de revisão, enquanto, por outro lado, deverá ser submetida à Assembleia da República uma proposta de revisão da LFRA.

O organismo defende que esta revisão da LFRA deve ter em conta indicadores coerentes com as regras aplicáveis ao todo nacional e considerou importante que sejam asseguradas “normas específicas que operacionalizem o papel do CFP enquanto entidade competente pela pronúncia sobre o cumprimento das regras de disciplina orçamental”.

Últimas de Economia

A produção automóvel em Portugal desceu 7,8% em janeiro, face ao mês mesmo de 2025, para 21.746 veículos, segundo dados hoje divulgados pela Associação Automóvel de Portugal (ACAP).
A produção industrial aumentou 1,5% em 2025, tanto na zona euro como no conjunto da União Europeia (UE), relativamente a 2024, revelam dados hoje divulgados pelo serviço estatístico comunitário, o Eurostat.
O setor do alojamento turístico registou, em 2025, 32,5 milhões de hóspedes e 82,1 milhões de dormidas, representando subidas respetivas de 3,0% e 2,2%, mas abrandando face ao ano anterior, segundo o INE.
O excedente do comércio externo de bens da zona euro recuou, em 2025, para os 164,6 mil milhões de euros e o da UE para os 133,5 mil milhões de euros, divulga hoje o Eurostat.
Perderam a casa, o armazém ou a exploração agrícola com a tempestade, mas antes de receberem ajuda do Estado têm de provar que não devem um euro ao Fisco. O Governo decidiu condicionar os apoios às vítimas da tempestade Kristin à situação fiscal regularizada.
As empresas vão passar a ter até dia 25 de cada mês (ou o dia útil seguinte, caso este coincida com um fim de semana ou feriado) para pagarem as contribuições à Segurança Social.
O número de passageiros movimentados nos aeroportos nacionais deverá ter aumentado 4,7% em 2025, para 73,75 milhões, segundo dados preliminares do Instituto Nacional de Estatística (INE), hoje divulgados.
Um total de 33 mil clientes da E-Redes, em Portugal continental, continua sem abastecimento de energia elétrica devido aos danos provocados pelo mau tempo na rede de distribuição desde 28 de janeiro, informou hoje a empresa.
O Banco Central Europeu (BCE) acredita que a Autoridade de Combate à Lavagem de Dinheiro e ao Financiamento do Terrorismo (AMLA) irá "melhorar a cooperação entre os supervisores e reduzir a fragmentação" na Europa.
Portugal registou, entre 2021 e 2024, oito casos de suspeita de fraude relacionados com o Mecanismo de Recuperação e Resiliência, que financia o PRR, indicou hoje o Tribunal de Contas Europeu, falando em instrumentos “pouco eficazes” contra irregularidades.