Hamas exige “cessar-fogo completo” em Gaza antes de qualquer acordo

O Hamas quer negociar um “cessar-fogo completo” com Israel na Faixa de Gaza, antes de qualquer acordo, adiantou hoje um alto funcionário do movimento islamita palestiniano à agência France-Presse (AFP).

©Facebook Israel Reports

“Estamos a falar acima de tudo de um cessar-fogo completo e total e não de uma trégua temporária”, frisou Taher al-Nounou, um alto funcionário do Hamas, na sequência do encontro, que decorreu em Paris este fim de semana, entre autoridades dos EUA, Israel, Qatar e Egito, tendo em vista um cessar-fogo no território palestiniano.

Assim que os combates cessarem, “o resto dos detalhes poderão ser discutidos”, incluindo a libertação dos cem reféns israelitas ainda detidos em Gaza, frisou Taher al-Nounou.

Um plano para o fim dos combates na Faixa de Gaza e a libertação dos reféns vai ser proposto ao movimento islamita palestiniano Hamas, anunciou hoje o primeiro-ministro do Qatar, após reuniões com responsáveis norte-americanos, israelitas e egípcios.

Mohammed ben Abdulrahman al-Thani declarou à estação televisiva norte-americana NBC que esta semana foram feitos “progressos assinaláveis” nas conversações e que as diversas partes “esperam transmitir esta proposta ao Hamas e levá-lo a comprometer-se de forma positiva e construtiva no processo”.

Segundo a EFE, os diretores dos dois serviços secretos israelitas – David Barnea, da Mossad, e Ronen Bar, do Shin Bet – estiveram em Paris reunidos com o diretor da CIA, William Burns, com o chefe dos serviços secretos egípcios, Abbas Kamel, e com o primeiro-ministro do Qatar, que negoceia em ligação com o Hamas.

Vários meios de comunicação social têm avançado que o objetivo dos encontros é chegar a “um ponto de partida” para iniciar conversações e conseguir abordar os passos para uma trégua em Gaza.

Neste momento, Israel admite apenas um cessar-fogo temporário para permitir a libertação dos reféns e prosseguir depois o seu objetivo de desmantelar o Hamas, enquanto este movimento islamita palestiniano exige a retirada total das tropas israelitas da Faixa de Gaza.

Em reação a notícias sobre um acordo com o Hamas, mediado pelo Qatar, envolvendo a libertação de reféns israelitas detidos em Gaza e um cessar-fogo por parte das forças israelitas, Israel assegurou hoje que não aceitará como moeda de troca das negociações em curso um fim da guerra em Gaza.

“As informações sobre o acordo (de trégua) são incorretas e incluem condições que não são aceitáveis para Israel”, frisou hoje o governo israelita em comunicado, reiterando como seu objetivo último a “vitória total” sobre o Hamas.

“O caminho para um acordo (ainda) é longo”, assegurou hoje à EFE um responsável israelita, que insistiu que “está a fazer-se e continuará a ser feito tudo o que for possível para a libertação dos reféns”, detidos pelo Hamas há 115 dias.

O jornal conservador israelita de maior circulação, Israel Hayom, noticiou hoje que os chefes dos serviços de informações Mossad e Shin Bet, reunidos domingo em Paris com mediadores do Qatar, Egito e Estados Unidos, advertiram os seus interlocutores de que Israel não aceitaria como uma condição o fim do conflito.

Os dois lados chegaram a um acordo de tréguas de uma semana, entre os dias 24 e 30 de novembro, que pôs fim aos combates e permitiu a troca de 105 reféns, incluindo estrangeiros, pela libertação de 240 prisioneiros palestinianos, algo que não se repetiu desde então.

O grupo islamita Hamas atacou Israel em 07 de outubro, provocando a morte de mais de 1.200 israelitas. O Governo de Israel iniciou, então, uma guerra para travar os combatentes do movimento palestiniano na Faixa de Gaza.

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