Israel admite retirar tropas do sul do Líbano se Hezbollah for desarmado

O primeiro-ministro israelita saudou hoje a decisão do Governo libanês, que aceitou a proposta norte-americana sobre o desarmamento do Hezbollah, e admitiu retirar as forças de Israel do sul do Líbano.

© Facebook Israel Reports

Benjamin Netanyahu afirmou que o Governo de Beirute tomou uma “decisão importante” ao aceitar o processo de desarmamento do grupo xiita Hezbollah (Partido de Deus) até ao final do ano.

Nesse sentido, o primeiro-ministro israelita disse que se o Líbano tomar as “medidas necessárias” para desarmar o Hezbollah, Israel vai responder com medidas recíprocas, incluindo uma redução gradual da presença militar no sul do Líbano.

As autoridades de Beirute ainda não se pronunciaram sobre as declarações de Netanyahu.

A agência de notícias norte-americana Associated Press (AP) considerou que Beirute está sob pressão dos Estados Unidos para desarmar o Hezbollah, que travou uma guerra de 14 meses com Israel tendo ficado enfraquecido, sobretudo após a morte de líderes e comandantes.

O Hezbollah é considerado uma organização terrorista pela União Europeia e Estados Unidos.

Desde que a guerra entre Israel e o Hezbollah terminou em novembro de 2024, com um cessar-fogo mediado pelos Estados Unidos, os responsáveis da milícia têm afirmado que não pretendem discutir o desarmamento até que Israel se retire das cinco colinas que controla no Líbano.

O Hezbollah exigiu ainda o fim dos ataques aéreos “quase diários” que “já mataram ou feriram centenas de pessoas”, na maioria membros do Hezbollah.
O anúncio de Netanyahu sobre o Líbano ocorreu após a visita a Israel do enviado norte-americano Tom Barrack, que tem tentado consolidar o cessar-fogo e pressionar o Líbano para avançar com o desarmamento do Hezbollah.

Anteriormente, durante uma deslocação ao Líbano, Barrack afirmou que recebeu garantias do Governo libanês e acrescentou esperar decisões por parte de Israel.

O Líbano necessita de apoio internacional destinados à reconstrução, após a guerra do ano passado, que deixou grandes áreas do sul e leste do país em ruínas.

O Banco Mundial estimou que os danos foram superiores a 11 mil milhões de dólares (9,4 mil milhões de euros).

A ajuda internacional pode depender do desarmamento do Hezbollah.

No entanto, de acordo com a AP, o Governo libanês precisa de agir com cautela para evitar confrontos internos.

Naim Kassem, atual secretário-geral do Hezbollah, prometeu combater os esforços para desarmar o grupo pela força, provocando receios de um conflito civil no Líbano.

A liderança do Hezbollah prometeu não desarmar, afirmando que a decisão do Governo de Beirute de retirar as armas à milícia apoiada pelo Irão, até ao final do ano, serve os interesses de Israel.

Israel acusou o Hezbollah de tentar reconstruir as instalações militares e, por isso, mantém posições em cinco locais no sul do Líbano.

Durante a última guerra, Israel mobilizou mais de 60 mil militares para a região da fronteira.

Desde o fim da guerra, o Hezbollah retirou a maior parte dos combatentes e armas da zona de fronteira com Israel, a sul do rio Litani.

O acordo de cessar-fogo é vago sobre a forma como as armas e as instalações militares do Hezbollah a norte do rio Litani devem ser tratadas, afirmando que as autoridades libanesas devem desmantelar as estruturas não autorizadas, começando pela área a sul do rio.

O Hezbollah afirmou que o acordo abrange apenas a área a sul do Litani, enquanto Israel e os Estados Unidos afirmaram que exigem o desarmamento do grupo em todo o Líbano.

Um conflito de baixa intensidade entre Israel e o Hezbollah começou um dia após o ataque liderado pelo Hamas contra Israel a partir de Gaza, a 07 de outubro de 2023.

Nessa altura, o Hezbollah começou a lançar foguetes de artilharia contra o norte de Israel.

O conflito transformou-se numa guerra de grande intensidade em setembro de 2024.

Os confrontos fizeram mais de quatro mil mortos.

Últimas do Mundo

A empresa de energia Endesa comunicou hoje que dados de milhões de clientes em Espanha foram alvo de “pirataria” informática.
Milhares de agricultores juntaram-se este sábado, dia 10 de janeiro, em Athlone, no centro da Irlanda e em Ourense, Espanha, para protestar contra o acordo de comércio livre entre a União Europeia e o Mercosul, de acordo com as agências AFP e EFE.
A polícia de Devon e Cornualha informou que a vítima mortal é um homem com cerca de 50 anos que morreu na noite de quinta-feira após a queda de uma árvore sobre a caravana em que se encontrava.
As autoridades australianas declararam hoje o estado de catástrofe devido à dimensão dos incêndios florestais, que destruíram várias casas e devastaram vastas áreas de floresta no sudeste rural do país.
O número de insolvências de empresas na Alemanha atingiu em 2025 o nível mais alto dos últimos 20 anos (17.604), de acordo com uma análise divulgada hoje pelo Instituto Leibniz de Investigação Económica de Halle (IWH).
A igreja católica de Espanha vai assumir a reparação de centenas de vítimas de abusos sexuais cujos casos não podem já ter resposta por via judicial, segundo um acordo assinado hoje entre a Conferência Episcopal e o Governo.
A justiça britânica aplicou penas de prisão a três residentes de Epping, em Essex, que, somadas, superam a condenação do imigrante ilegal responsável por crimes sexuais que desencadearam os protestos.
Os aeroportos europeus de Amesterdão, Bruxelas e Paris tiveram hoje de cancelar centenas de ligações aéreas, incluindo para Portugal, devido à queda de neve e vento, de acordo com as autoridades locais.
A secção do Ministério Público federal alemão responsável pelo combate às ameaças terroristas anunciou hoje que vai investigar a hipótese de terrorismo e sabotagem no apagão em parte de Berlim, ocorrido sábado.
Os agricultores da União Europeia (UE) terão ao seu dispor, no próximo quadro financeiro plurianual 2028-2034, um montante reservado de 293,7 mil milhões de euros, garantiu hoje a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen.