Associação pede esclarecimentos sobre novo sistema de triagem do INEM

A Associação Nacional de Técnicos de Emergência Médica pediu hoje ao INEM que esclareça o funcionamento do novo sistema de triagem, sobretudo no que toca ao início da contagem de tempo de resposta e à definição de prioridades.

© Facebook / INEM

Em comunicado, a Associação Nacional de Técnicos de Emergência Médica (ANTEM) diz que, apesar da “campanha mediática” sobre as alterações na triagem de chamadas do INEM, a introdução de novos tempos de resposta e revisão das prioridades, “nada mudou”.

Considera que o sistema de triagem está “exatamente igual, sem qualquer alteração nos fluxos dos Centros de Orientação de Doentes Urgentes (CODU)”, e, quanto aos novos tempos de resposta, pede ao INEM que esclareça: “Quando é que o tempo começa a contar? É no momento em que o cidadão liga para o 112? Quando a chamada é atendida? Após a triagem? Ou apenas quando o meio é acionado?”.

Para a ANTEM, sem esta clarificação, falar de tempos de resposta “é apenas discurso vazio, feito para efeitos mediáticos”.

Na sexta-feira, o INEM anunciou o inicio de um novo sistema de atendimento das chamadas recebidas nos CODU, que prevê cinco níveis de prioridade, à semelhança da triagem usada nos hospitais.

Segundo adiantou à Lusa o presidente do INEM, Luis Cabral, o objetivo é “enviar a ambulância certa para a pessoa certa na hora certa”.

Explicando que se trata de um modelo idêntico ao que é já aplicado em vários países, o responsável adiantou que foram definidos cinco níveis de prioridade – emergente, muito urgente, urgente, pouco urgente e não urgente -, com a classificação a resultar da avaliação clínica que é realizada pelos profissionais do CODU, com base na informação recolhida durante a chamada para 112.

A prioridade emergente, para situações de risco de vida iminente, implica uma resposta imediata, com o envio de meios de suporte básico de vida, articulados com suporte imediato ou avançado de vida.

Para os casos muito urgentes, com risco clínico elevado, o novo sistema prevê a chegada do primeiro meio de socorro ao local até 18 minutos.

As situações urgentes, com risco de agravamento clínico, têm um tempo resposta até 60 minutos, com envio de um meio de suporte básico de vida, enquanto as pouco urgentes, associadas a risco clínico baixo, preveem uma chegada ao local de meio de suporte básico de vida em até 120 minutos.

Já na prioridade 5, para os casos considerados não urgentes e que não implicam o envio de meios de emergência, a chamada é transferida de imediato para a linha SNS 24, que disponibiliza o aconselhamento e o encaminhamento adequados.

Segundo o INEM, o utente que ligue para o CODU passa também a ser informado sobre a prioridade que lhe foi atribuída, o tempo de resposta estimado de resposta e o encaminhamento definido, numa “aposta clara na transparência e na gestão das expectativas de quem recorre ao 112”.

Na nota hoje divulgada, a ANTEM pergunta ainda quem define, na prática, as prioridades das triagens – “se é o software Tetricosy ou os médicos reguladores que assumem a responsabilidade clínica caso a caso” – e como irão os meios de emergência operacionalizar estas novas prioridades.

“As ambulâncias continuarão a deslocar-se de urgência sem discriminação, seja para casos de risco imediato de vida, seja para ocorrências de prioridade inferior (P3 ou P4)?”, questiona a associação, perguntando ainda se os parceiros do sistema — bombeiros, Cruz Vermelha e entidades privadas — foram informados sobre os critérios de resposta.

Sublinhando que um serviço público “exige transparência, prestação de contas e informação clara à população”, a ANTEM diz que sem critérios públicos, métricas objetivas e “mudanças reais na triagem” o sistema continuará “no mesmo ponto”.

“E isso, politicamente, é inaceitável”, acrescenta.

Segundo o relatório de atividades de 2024, tornado público no passado mês de setembro, quase 21 mil vítimas não tiveram o nível de socorro exigido.

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