Presidenciais: Ventura acusa Mendes de criar “fumaça” sobre Orçamento por estar “desesperado”

O candidato presidencial e líder do CHEGA, André Ventura, acusou hoje Luís Marques Mendes de criar "fumaça" sobre o Orçamento do Estado para 2027 por estar "desesperado" e a "descer nas sondagens".

© Folha Nacional

“Estamos em janeiro, temos umas eleições daqui a poucos dias, e isto é só o Luís Marques Mendes a querer atirar fumaça, – é só fumaça, – para não discutirmos as eleições presidenciais”, acusou André Ventura, parafraseando uma frase histórica do primeiro-ministro Pinheiro de Azevedo, durante o “Verão Quente” de 1975, quando tentou acalmar uma manifestação no Terreiro do Paço.

O candidato às eleições presidenciais de dia 18 falava aos jornalistas antes de uma arruada no Pinhal Novo, distrito de Setúbal, altura em que foi questionado sobre o facto de Luís Marques Mendes (candidato apoiado por PSD e CDS-PP) ter alertado, na segunda-feira, na Guarda, de que “há sinais de que pode ser difícil fazer passar” o próximo Orçamento do Estado.

“Este é o típico exemplo de quando um candidato começa a perder o controlo das coisas, começa a disparatar e dizer coisas sem sentido. Passaram esta campanha toda a dizer ‘o André Ventura só fala de temas das legislativas, só fala de temas do parlamento e não pode ser que estamos em presidenciais’. Mas mal começam a descer nas sondagens, trazem o parlamento e os orçamentos para a campanha presidencial”, criticou.

Ventura falou em “desespero” e acusou Mendes de o tentar “entalar” com o tema, uma vez que lidera o CHEGA, partido que tem atualmente 60 deputados na Assembleia da República sendo a segunda força política com mais parlamentares, atrás do PSD.

“Mas qual é o sinal que nós temos em janeiro de que em outubro o orçamento vai ser aprovado, não aprovado? Isso é só conversa do doutor Marques Mendes por uma razão: está a descer”, argumentou.

O deputado afirmou que Marques Mendes “tem que crescer muito” para o “entalar” acrescentando, logo de seguida: “Crescer muito politicamente para me entalar, é isso que eu quero dizer”.

André Ventura recordou que foi Luís Marques Mendes a anunciar que dedicaria um Conselho de Estado ao tema da Justiça e pediu que se aborde este tema mas também a saúde ou a habitação, bem como “os poderes do Presidente” durante a campanha, e não a votação do Orçamento do Estado, debate que começa em outubro.

“Deixem lá o Orçamento de Estado agora”, pediu.

Sobre as mais recentes sondagens, Ventura alertou que uma passagem à segunda volta “será por décimas”, mas voltou a repetir o seu objetivo: “Vencer no dia 18 com a maior margem possível face ao segundo lugar”.

O líder do CHEGA rejeitou ter “candidatos preocupantes” e disse acreditar na “fidelização” do eleitorado do seu partido nesta candidatura.

Pelas ruas de Pinhal Novo, numa arruada que voltou a começar atrasada, André Ventura foi colhendo vários pedidos de ‘selfie’, lamentos, votos de coragem e até sinais de apoio de pessoas que assistiam, curiosas, à varanda.

Pelo caminho, André Ventura cruzou-se com Aníbal Pinheiro, sentado na sua scooter elétrica.

“É disso que eu preciso para a ir à segunda volta”, afirmou o candidato presidencial, impressionado com o estado físico do homem de 100 anos que se escusou a dizer em que irá votar: “É secreto”.

Mais à frente, um homem, sentado numa esplanada, não se coibiu de levantar a voz para enaltecer Ventura: “És um jovem político, mas um corajoso”.

“É o único homem que os teve no lugar para mostrar a esta escória que está cá há 51 anos e que nos chupam como sanguessugas”, disse.

Uns metros acima na avenida Alexandre Herculano, Ventura parou para beber um café e atirar umas bocas a outros candidatos: “Há vários que precisavam de mais uma dose de cafeína”.

Já sentado e enquanto repunha ele próprio os níveis de cafeína, o candidato concretizou um pouco mais, acreditando que Marques Mendes e Gouveia e Melo “precisam de alguns cafezinhos”.

Últimas de Política Nacional

Proposta do CHEGA para acabar com as subvenções vitalícias a antigos titulares de cargos políticos foi chumbada no Parlamento. PSD e PS votaram lado a lado para travar o diploma e manter o atual regime.
O líder do CHEGA anunciou hoje que o partido vai pedir ao Tribunal Constitucional a fiscalização sucessiva da Prestação Social Única (PSU), por considerar inconstitucional que pessoas com elevada incapacidade por doença tenham de prestar trabalho social.
A dirigente e deputada do CHEGA Rita Matias afirmou hoje que o seu partido está disponível para um “diálogo concreto” com o PSD e devolveu ao primeiro-ministro, Luís Montenegro, a acusação de “falta de coragem”.
O presidente do CHEGA disse que tentou “até à última hora” um consenso com o Governo sobre a lei laboral, e rejeitou que o chumbo da proposta tenha sido “cálculo político”.
André Ventura levou ao debate quinzenal 47 páginas de propostas para alterar a reforma laboral, defendendo o regresso dos 25 dias de férias, a valorização de quem trabalha por turnos e uma revisão das regras de acesso aos apoios sociais.
O líder do CHEGA anunciou esta terça-feira que a reunião que teve com o primeiro-ministro sobre as alterações à lei laboral terminou sem acordo e indicou que o partido e o Governo vão "continuar a trabalhar" nas próximas horas.
O presidente do CHEGA, André Ventura, confirmou hoje que vai voltar a reunir-se com o primeiro-ministro e líder do PSD, Luís Montenegro, sobre a reforma laboral e pediu um compromisso escrito em relação à idade da reforma.
O Parlamento vota hoje uma lista conjunta PSD, CHEGA e PS para a eleição de quatro novos juízes candidatos ao Tribunal Constitucional (TC) e também a candidata proposta pelos socialistas para provedora de Justiça, Luísa Neto.
O Presidente do CHEGA defendeu hoje a confirmação do decreto do Parlamento sobre a utilização de bandeiras em edifícios públicos vetado pelo chefe de Estado, considerando que existe uma maioria suficiente para o fazer.
O Presidente do CHEGA afirmou hoje que não foi possível chegar a um entendimento com o Governo sobre a reforma laboral, depois de ter estado reunido com o primeiro-ministro, e reiterou que votará contra "se tudo se mantiver como está".