A inflação em Portugal abrandou ligeiramente em 2025, fixando-se nos 2,3%, apenas menos 0,1 pontos percentuais do que no ano anterior. Um valor próximo da meta do Banco Central Europeu, mas que não se traduziu em alívio real para as famílias.
Dados do Instituto Nacional de Estatística, analisados pelo Expresso, mostram que muitos dos bens e serviços essenciais continuaram a encarecer. O café, chá e cacau subiram, em média, 9,4%, enquanto a carne aumentou 7,2%, pressionada por maior procura e menor oferta. Também os seguros de saúde e transportes registaram subidas próximas dos 7%, refletindo o peso crescente da proteção privada num contexto de dificuldades no SNS.
As refeições em restaurantes e cafés encareceram 6,2% e as rendas pagas pelos inquilinos aumentaram 5,3%, agravando a pressão num mercado habitacional já crítico. Peixe e marisco não escaparam, com uma subida média de 5,9%.
Do lado das descidas, o principal alívio surgiu nos óleos e gorduras alimentares, incluindo o azeite, que caíram 14,1%, depois de fortes aumentos nos anos anteriores. Ainda assim, trata-se sobretudo de uma correção.
Importa sublinhar que o índice de preços no consumidor não inclui o custo da compra de casa nem as prestações do crédito à habitação. Na prática, o impacto do custo de vida no orçamento das famílias é superior ao que os números oficiais refletem.