Um cidadão de nacionalidade marroquina, suspeito de integrar uma rede internacional de tráfico de pessoas que operava entre Marrocos e Espanha, esteve escondido em Portugal durante cerca de cinco anos. A sua localização aconteceu de forma fortuita, no âmbito de uma operação da Polícia Judiciária (PJ) que tinha como alvo outro elemento do mesmo grupo criminoso.
Segundo o Jornal de Notícias (JN), a primeira detenção ocorreu em dezembro, quando a PJ cumpriu um mandado de detenção internacional contra um marroquino acusado, no país de origem, de angariar imigrantes para redes de auxílio à imigração ilegal. O suspeito cobrava avultadas quantias para encaminhar as vítimas até camiões onde seguiam escondidas rumo à Europa, sobretudo para Espanha. Após ser formalmente acusado, fugiu para Portugal, onde viveu durante anos sem levantar suspeitas, exercendo a profissão de barbeiro em Lisboa.
No momento da detenção, a 19 de dezembro, os inspetores da Unidade de Informação Criminal da PJ encontraram um segundo cidadão marroquino na mesma barbearia. O homem foi identificado e os seus dados remetidos às autoridades marroquinas, que confirmaram tratar-se igualmente de um indivíduo procurado por crimes de auxílio à imigração ilegal, alegadamente integrante da mesma rede criminosa. Em Marrocos, poderá enfrentar uma pena de prisão até 20 anos.
Ainda de acordo com o JN, na primeira semana de janeiro foi emitido um mandado de detenção internacional contra este segundo suspeito. As diligências da PJ permitiram localizá-lo em Tires, no concelho de Cascais, onde vivia sozinho e trabalhava numa empresa de paletes. Apesar de ter a situação regularizada em Portugal e não possuir antecedentes criminais em território nacional, foi detido esta segunda-feira na sua residência, sem oferecer resistência.
O suspeito encontra-se agora sob custódia e será presente esta terça-feira ao Tribunal da Relação de Lisboa, onde será ouvido para efeitos de eventual extradição para Marrocos.