Movimento das aves aquáticas afeta propagação da gripe aviária

Uma investigação, que contou com a participação da Escola Superior Agrária do Politécnico de Coimbra (ESAC-IPC), revelou que o ambiente influencia o movimento das aves aquáticas e, por consequência, a propagação do vírus da gripe aviária.

© LUSA

O artigo científico, que tem como coautor o professor da ESAC-IPC David Rodrigues, “apresenta os resultados de uma investigação centrada nas ligações entre o ambiente, o movimento animal e a dinâmica das doenças infecciosas nas aves aquáticas”.

Estes animais “estão entre os principais hospedeiros selvagens dos vírus da gripe aviária”, revelou hoje a ESAC, num comunicado enviado à agência Lusa.

Os resultados sugerem que as condições ambientais influenciam os movimentos das aves e, consequentemente, acabam por contribuir para a propagação da doença.

“As distâncias previstas de movimento das aves aquáticas apresentaram uma correlação fraca, mas positiva, com as distâncias entre as deteções da gripe aviária H5N1, altamente patogénica em aves aquáticas selvagens”, afirmou aquela instituição de ensino superior.

Isto sugere “que as condições ambientais podem contribuir efetivamente para a propagação desta doença, através dos seus efeitos sobre os movimentos das aves”.

Segundo a mesma fonte, os resultados demonstraram ainda que as aves aquáticas se movimentavam menos em áreas com maior heterogeneidade do solo e onde há maior presença humana.

Os cientistas basearam-se “no pressuposto de que os movimentos dos animais contribuem para a propagação de doenças infecciosas e são impulsionados, em parte, pelas condições ambientais”.

Assim, “o vasto conjunto de investigadores combinou dados de telemetria de 4.606 indivíduos, de 26 espécies de aves aquáticas, com os dados sobre a cobertura do solo, clima e vegetação”.

O trabalho, “ao considerar os movimentos da vida selvagem juntamente com outros fatores que impulsionam a dinâmica das doenças infecciosas, tais como a produção pecuária e a mobilidade humana, vem funcionar como instrumento de auxílio na previsão de surtos e na definição de intervenções para prevenção de contágio”.

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