Ventura demolidor: “Não aceitaremos um país onde minorias dizem às maiorias como devem viver”

O presidente do CHEGA, André Ventura, defendeu no Parlamento que o debate sobre racismo em Portugal está marcado por critérios diferentes consoante os casos, alertando para o que considera ser uma aplicação seletiva do conceito na sociedade, no desporto e no sistema político.

© Folha Nacional

O presidente do CHEGA, André Ventura, defendeu esta quinta-feira no plenário da Assembleia da República que o debate sobre racismo em Portugal deve ser conduzido com critérios claros e consistentes, criticando aquilo que considera ser uma aplicação desigual das acusações de discriminação na sociedade, no desporto e no espaço político.

“O debate que aqui trazemos pretende confrontar o país com os seus próprios fantasmas e preconceitos”, afirmou o líder da oposição, defendendo que o tema exige uma discussão aberta e sem critérios seletivos.

Durante a intervenção, Ventura referiu episódios recentes no desporto para questionar a forma como determinadas situações são classificadas no espaço público. “Se isto é racismo, então porque é que noutros casos semelhantes já não é?”, perguntou.

Para o presidente do segundo maior partido, o país não pode aceitar interpretações diferentes do mesmo fenómeno. “Não podemos ter racismo bom e racismo mau”, declarou.

Ventura abordou também o papel das forças de segurança, considerando que existe uma pressão crescente sobre a atuação policial em determinadas circunstâncias. “Não podemos continuar a ter uma sociedade onde, se um polícia prende um cigano ou um negro, é imediatamente acusado de racismo”, afirmou.

O líder partidário referiu ainda decisões judiciais relacionadas com insultos dirigidos a agentes da autoridade, sublinhando que o respeito pelas forças de segurança deve ser preservado. “Chegámos ao ponto de considerar que chamar ‘filho da…’ a um agente da autoridade é apenas uma manifestação de revolta”, disse.

No plano do debate cultural e social, o presidente do CHEGA criticou recomendações que sugerem evitar determinadas expressões da língua portuguesa por poderem ser interpretadas como ofensivas. “Podemos caminhar para muitos lados enquanto sociedade, mas devemos evitar caminhar para o ridículo”, afirmou.

Ventura abordou igualmente a identidade histórica e cultural do país, defendendo que Portugal deve afirmar a sua história e os seus símbolos. “A história de Portugal não se apaga e nós orgulhamo-nos profundamente dela”, declarou.

O líder do CHEGA acrescentou que, no seu entendimento, o país não deve abdicar da sua identidade cultural. “Portugal tem raízes cristãs e não tem de pedir desculpa por isso”, afirmou.

Ainda durante a intervenção, André Ventura referiu ainda debates internacionais relacionados com direitos humanos e perseguições religiosas, defendendo que a defesa desses direitos deve ser aplicada de forma universal.

“Aquilo que está em causa é simples: quem não respeitar os nossos valores democráticos deve regressar ao país de origem”, afirmou.

Na parte final da intervenção, o presidente do CHEGA sublinhou que o crescimento eleitoral do partido está ligado à perceção de parte do eleitorado sobre estas questões. “Se tudo estivesse bem no país, o CHEGA não teria sido criado nem seria hoje o segundo maior partido”, disse.

Ventura concluiu reiterando que, no seu entendimento, o debate sobre racismo deve ser feito com critérios iguais para todos. “O que não queremos é continuar a viver num país onde minorias dizem às maiorias como devem viver”, declarou.

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