O grupo parlamentar do CHEGA abandonou esta quinta-feira o hemiciclo da Assembleia da República no final da sessão plenária, na sequência de um momento de tensão entre o presidente do partido, André Ventura, e a vice-presidente do Parlamento, Teresa Morais, que presidia aos trabalhos em substituição de José Pedro Aguiar-Branco.
O episódio ocorreu após a intervenção de encerramento de André Ventura, durante a qual o líder do CHEGA abordava o tema da violência contra as mulheres e das políticas de imigração.
“Porque a esquerda prefere esconder aquilo que a Europa já começou a perceber nos últimos anos. Para muitos, esta situação representa uma ameaça à segurança, à democracia e à proteção das mulheres”, afirmou Ventura, acrescentando: “Há quem ignore que muitas mulheres continuam a ser vítimas de violência. E há quem prefira esconder esses casos quando as vítimas são estrangeiras ou quando os agressores pertencem a determinados grupos.”
As declarações suscitaram reações na sala e levaram Teresa Morais a intervir enquanto presidia à sessão: “Posso garantir que nenhuma mulher nesta casa, ignora um ato de violação”, disse a vice-presidente do PSD.
Perante o que considerou ser uma manifestação de posição política por parte da Mesa, André Ventura contestou a intervenção, defendendo que quem preside aos trabalhos parlamentares deve manter uma posição de neutralidade na condução do debate.
“Por essa razão, a vice-presidente do PSD, Teresa Morais, não nos representa na Assembleia da República”, afirmou o líder do CHEGA.
Na sequência do incidente, todos os deputados do CHEGA abandonaram o hemiciclo em sinal de protesto, acompanhando o presidente do partido.
O episódio surge um dia depois de um momento semelhante de tensão entre os dois intervenientes, ocorrido durante o debate quinzenal com o primeiro-ministro.
Na quarta-feira, Teresa Morais chamou a atenção de André Ventura por este estar a recorrer à figura regimental de interpelação à Mesa enquanto ainda dispunha de tempo para intervir no debate. O líder do CHEGA reagiu então criticando a condução dos trabalhos, afirmando que Teresa Morais “em vez de ser deputada do PSD, devia ser presidente da Mesa — só que não consegue”.