Guerra no PSD em Lisboa: acordo promovido por Moedas acaba em acusações de “tachos” e suspeitas de favorecimento

A guerra interna no PSD na freguesia das Avenidas Novas, em Lisboa, voltou a rebentar e já ameaça provocar uma crise política sem precedentes numa das maiores juntas da capital. Um acordo promovido por Carlos Moedas e pela liderança distrital do PSD durou apenas 10 dias antes de colapsar em acusações mútuas, suspeitas de favorecimento e denúncias de “tachos” para familiares.

© Facebook de Carlos Moedas

O entendimento tinha sido assinado a 30 de abril entre o presidente da Junta das Avenidas Novas, Daniel Gonçalves, e três vogais do PSD que fazem parte do executivo, depois de meses de conflito interno no partido. O objetivo era tentar garantir estabilidade política até 2029.

Mas o acordo caiu poucos dias depois.

Daniel Gonçalves acusa os próprios colegas de partido de terem bloqueado serviços da junta e criado uma “paralisação institucional”, alegando que os vogais tomaram decisões unilaterais e tentaram esvaziar os poderes da presidência.

Do outro lado, os três vogais sociais-democratas acusam o presidente da junta de querer impor contratações sem transparência e falam mesmo em tentativas de colocar familiares em funções ligadas à autarquia.

Segundo o Observador, entre as denúncias feitas pelos vogais está a alegada intenção de contratar o próprio neto do presidente da junta, além de outro caso relacionado com o neto de uma vogal do PSD que, segundo os críticos, estaria a desempenhar funções sem vínculo contratual conhecido.

A tensão agravou-se ainda mais depois de os vogais conseguirem limitar drasticamente os contratos que o presidente podia assinar sem autorização do executivo, reduzindo o limite de 75 mil euros para apenas cinco mil euros.

Perante o caos interno, a direção do PSD/Lisboa e Carlos Moedas foram chamados a intervir para tentar evitar o colapso político da junta.

Apesar da mediação, o entendimento fracassou rapidamente e já se discute nos bastidores a possibilidade de eleições antecipadas na freguesia.

A crise expõe uma nova guerra fratricida dentro do PSD lisboeta, com divisões internas, disputas de poder e acusações públicas entre militantes do mesmo partido a dominarem a gestão de uma das freguesias mais importantes da capital.

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