Ventura desafia Montenegro: descida da idade da reforma vai mesmo para o OE2027

Ventura abriu a rentrée do CHEGA com um aviso ao Governo: a descida da idade da reforma vai estar em cima da mesa no Orçamento do Estado (OE2027) e o partido promete não ceder.

André Ventura colocou as pensões e a descida da idade da reforma no centro da rentrée política do CHEGA, esta quarta-feira, em Santarém, prometendo transformar o tema numa das primeiras grandes batalhas com o Governo no Orçamento do Estado para 2027.

Perante os militantes, o presidente do CHEGA garantiu que o partido não pretende recuar e anunciou que a redução da idade da reforma será colocada formalmente em cima da mesa na discussão orçamental.

“Não cedemos. Vamos colocar no OE2027 a descida da idade da reforma”, afirmou Ventura, lançando de seguida um desafio direto ao Executivo: “O Governo ou quer impedir a descida da idade da reforma do CHEGA ou cortar pensões. É isso que o Governo quer?”

A mensagem marcou o arranque do novo ciclo político do partido: o OE2027 deverá servir de palco para um braço de ferro em torno das pensões, com Ventura a procurar colocar o Governo perante a escolha entre negociar uma redução da idade da reforma ou rejeitar a proposta.

“Este país é pobre para os seus idosos”

A situação dos idosos voltou pouco depois ao discurso, desta vez associada à imigração e ao acesso às prestações sociais.

Ventura defendeu que Portugal não pode alegar falta de capacidade financeira para apoiar quem trabalhou e descontou durante décadas e, simultaneamente, transmitir para o exterior a ideia de que dispõe de recursos para acolher novos beneficiários do sistema social.

“Este país é pobre para os seus idosos e não pode dizer aos de fora que é rico”, afirmou.

A imigração e a segurança ocuparam outra parte significativa da intervenção. Ventura reiterou a defesa da expulsão de cidadãos estrangeiros que pratiquem crimes em Portugal e rejeitou os argumentos de inconstitucionalidade apontados a propostas do CHEGA nesta matéria.

“Não há ninguém que me consiga convencer de que quem vem para outro país, comete crimes e não é expulso. Isto não é inconstitucional, é uma questão de estupidez”, declarou.

O líder do CHEGA endureceu ainda o discurso sobre a resposta aos crimes mais graves, defendendo penas efetivas e uma justiça mais firme: “Quem mata tem só um lugar: é na prisão.”

O combate à corrupção foi outra das bandeiras recuperadas na rentrée. Ventura fez uma referência direta ao ministro da Administração Interna, Luís Neves, na sequência das polémicas que o têm envolvido nas últimas semanas, e garantiu que o partido não pretende aliviar a pressão nesta matéria.

“A luta contra a corrupção tornou-se o nosso ADN e não é nenhum Luís Neves desta vida que vai impedir”, afirmou.

Ventura voltou ainda à proibição da burca, considerando “intolerável” que razões religiosas sejam utilizadas para justificar que uma mulher tenha de cobrir integralmente o corpo e o rosto.

“Alguma mulher gosta de andar vestida da cabeça aos pés pela cultura? Isto é retrocesso”, afirmou, enquadrando a questão na defesa dos valores e costumes vigentes em Portugal.

Últimas de Política Nacional

Ventura abriu a rentrée do CHEGA com um aviso ao Governo: a descida da idade da reforma vai estar em cima da mesa no Orçamento do Estado (OE2027) e o partido promete não ceder.
O CHEGA pediu hoje audições parlamentares do ministro da Defesa, Nuno Melo, e de um representante da empresa portuguesa NT Group (NTG), para esclarecer questões relacionadas com a aquisição de três fragatas a Itália.
O CHEGA aparece à frente do Partido Socialista (PS) nas intenções de voto dos inquéritos feitos online durante o mês de agosto.
O líder do CHEGA, André Ventura, reagiu com "estupefação" ao processo judicial anunciado pelo ministro da Defesa, Nuno Melo, acusando o Governo de "opacidade e arrogância". O político insistiu ainda na exigência de esclarecimentos sobre a compra de três fragatas a Itália e sobre alegadas comissões de intermediação.
O CHEGA considerou "de uma enorme gravidade" a decisão do Presidente da República de enviar para o Tribunal Constitucional o decreto sobre retorno de estrangeiros, sustentando tratar-se de "uma irresponsabilidade".
O CHEGA defendeu ontem que o primeiro-ministro, Luís Montenegro, "perdeu por completo o controlo da situação" relativa ao ministro da Administração Interna e insistiu na saída de Luís Neves do cargo.
O Ministério da Justiça (MJ) ordenou uma auditoria interna à Polícia Judiciária (PJ) na sequência das notícias sobre o funcionamento desta polícia no mandato do ex-diretor nacional e atual ministro da Administração Interna, Luís Neves.
Luís Neves está novamente no centro da polémica. O atual ministro da Administração Interna vai ser julgado no Tribunal de Contas por infrações financeiras cometidas quando era diretor nacional da Polícia Judiciária (PJ), num caso relacionado com contratos públicos que, segundo o tribunal, não cumpriram as regras da contratação pública.
O CHEGA defende que Portugal deve exigir a exclusão de Marrocos da organização conjunta do Mundial de Futebol de 2030, na sequência da invasão massiva de migrantes em Ceuta.
O CHEGA defende que Portugal deve exigir a exclusão de Marrocos da organização conjunta do Mundial de Futebol de 2030, na sequência da invasão massiva de migrantes em Ceuta.