“Quando é que se vai embora?”: CHEGA confronta Luís Neves e ministro recusa colocar lugar à disposição

O líder parlamentar do CHEGA, Pedro Pinto, acusou o ministro de trocar os esclarecimentos prometidos por “propaganda barata” e perguntou-lhe diretamente quando abandona o cargo. Neves fechou a porta à demissão e colocou a bola no campo de Montenegro.

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O ministro da Administração Interna está debaixo de fogo no Parlamento, esta terça-feira. Luís Neves tinha prometido prestar “todos os esclarecimentos” sobre as polémicas relacionadas com o período em que dirigiu a Polícia Judiciária (PJ), mas as explicações deixaram o CHEGA longe de convencido.

O líder parlamentar do CHEGA, Pedro Pinto, acusou o ministro de ter desperdiçado os primeiros minutos da audição e classificou a intervenção inicial de Luís Neves como “propaganda barata”.

“Disse que já esclareceu, mas não esclareceu nada. Os portugueses precisam de esclarecimentos. Estamos à espera disso. Pensei que ia usar os 15 minutos iniciais para esclarecer os portugueses, em vez dessa propaganda barata”, disparou, colocando em causa a permanência do governante no cargo: “Não tem condições nem credibilidade para continuar a ser ministro da Administração Interna.”

“Quando é que se vai embora?”, questionou o líder parlamentar do CHEGA.

Luís Neves requiriu: “Quando o Governo terminar ou quando o primeiro-ministro entender.”

Neves fecha a porta à demissão

Pedro Pinto reiterou que o ministro já não reúne condições para permanecer no Governo e perguntou-lhe se tencionava colocar o lugar à disposição.

“Não, claro que não, não vou pôr o cargo à disposição”, respondeu Luís Neves.

O ministro fechou a porta a uma saída por iniciativa própria e remeteu qualquer decisão sobre a sua continuidade no Executivo para o primeiro-ministro, Luís Montenegro.

Pedro Pinto quis ainda saber por que razão, se o atrelado podia permanecer legitimamente no local onde se encontrava, a PJ decidiu retirá-lo logo após o caso ter sido tornado público.

“Se este podia estar onde estava, porque é que no dia seguinte a ter saído a notícia a PJ foi lá buscar o atrelado?”, questionou.

Luís Neves admitiu que só tomou conhecimento da situação através dos jornais.

“Só soube disso pela comunicação social”, afirmou, acrescentando ter apurado posteriormente que “não foi recolhida informação interna que a galera e os produtos estavam lá legitimamente”.

As explicações voltaram a não convencer o CHEGA, que insistiu nas dúvidas sobre os episódios ocorridos durante o período em que Luís Neves esteve à frente da Polícia Judiciária e na falta de esclarecimentos que considera existir sobre o caso.

Recorde-se que, poucas horas depois, pelas 15h00, Luís Montenegro enfrenta no Parlamento o debate e a votação da moção de censura apresentada pelo CHEGA, na sequência das polémicas que envolvem o atual ministro da Administração Interna.

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