Esmagadora maioria dos portugueses arrasa Montenegro: Governo falhou no combate ao aumento do custo de vida

Uma larga maioria dos portugueses considera que o Governo de Luís Montenegro não está a conseguir responder ao aumento do custo de vida nem proteger o poder de compra das famílias. De acordo com a mais recente sondagem da Aximage, 77% dos inquiridos classificam como “inadequada” ou “muito inadequada” a atuação do Executivo da AD perante a subida dos preços da habitação, dos combustíveis e dos bens de consumo.

© Folha Nacional

Os números deixam o Governo praticamente isolado numa das áreas que mais diretamente pesa no dia a dia dos portugueses. Entre os inquiridos, 40% consideram a resposta do Governo “inadequada” e outros 37% vão ainda mais longe, classificando-a como “muito inadequada”.

O descontentamento atravessa o país e não fica confinado a uma região. No Norte, 80% avaliam negativamente a atuação do Governo; na Área Metropolitana do Porto são 77%, no Centro 78%, na Área Metropolitana de Lisboa 76% e no Sul e Ilhas 74%. Ou seja, em todas as regiões analisadas, cerca de três quartos ou mais dos inquiridos dão nota negativa à resposta de Montenegro ao agravamento do custo de vida.

Mais embaraçoso para o primeiro-ministro é o facto de o descontentamento também entrar pelo próprio eleitorado que colocou a AD no Governo. Entre os portugueses que declararam ter votado PSD/CDS-PP nas legislativas de 2025, 65% consideram a atuação governamental inadequada ou muito inadequada na resposta à subida do custo de vida.

O resultado surge num momento em que o aumento dos encargos com habitação, combustíveis e bens essenciais continua a dominar as preocupações das famílias.

A sondagem foi realizada pela Aximage junto de 1.109 eleitores residentes em Portugal, com trabalho de campo entre 1 e 7 de setembro de 2026. A ficha técnica indica um erro máximo de referência de ±2,9 pontos percentuais, para um nível de confiança de 95%.

 

Ficha técnica

Sondagem realizada pela Aximage – Comunicação e Imagem, Lda. para o Jornal Folha Nacional, com o objetivo de avaliar a opinião dos portugueses sobre a intenção de voto legislativo e temas da atualidade política, nomeadamente a principal figura da oposição, a liderança da direita em Portugal, o caso do ministro Luís Neves, a moção de censura, o combate à criminalidade e a resposta do Governo ao aumento do custo de vida. FichaTecnica_deposito 070926.pdf

O trabalho de campo decorreu entre 1 e 7 de setembro de 2026. O universo do estudo corresponde a residentes em Portugal, com 18 ou mais anos e acesso à Internet. Foram realizadas 1109 entrevistas, através de questionário online (CAWI), a partir de um painel de indivíduos e com uma amostra estratificada por sexo, grupo etário e região. A taxa de resposta foi de 94,54%.

As 1109 entrevistas correspondem a uma margem de erro global de ±2,94%, para um grau de confiança de 95%. A distribuição dos indecisos tem em consideração a votação anterior e questões adicionais relativas ao posicionamento esquerda/direita. A direção técnica do estudo é assegurada por Ana Carla Basílio, sendo a coordenação global da responsabilidade de José Almeida Ribeiro. A ficha técnica e os resultados da sondagem foram depositados junto da ERC – Entidade Reguladora para a Comunicação Social.

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Uma larga maioria dos portugueses considera que o Governo de Luís Montenegro não está a conseguir responder ao aumento do custo de vida nem proteger o poder de compra das famílias. De acordo com a mais recente sondagem da Aximage, 77% dos inquiridos classificam como “inadequada” ou “muito inadequada” a atuação do Executivo da AD perante a subida dos preços da habitação, dos combustíveis e dos bens de consumo.
Nem o chumbo da moção de censura, nem as reservas levantadas no Parlamento, nem os alertas sobre o impacto nas instituições fizeram o CHEGA recuar. O partido de André Ventura mantém a intenção de avançar com uma Comissão Parlamentar de Inquérito aos mandatos de Luís Neves na Polícia Judiciária, entre 2018 e 2026, para escrutinar contratos, utilização de bens apreendidos e outros episódios ocorridos durante a sua direção.
O presidente do CHEGA acusou a ministra da Justiça de ter transmitido informações falsas ao Parlamento, admitindo duas hipóteses: ou foi enganada pela Polícia Judiciária ou terá procurado “encobrir” o ministro da Administração Interna. Ventura quer que o diretor nacional da PJ seja ouvido no Parlamento para esclarecer que informação foi transmitida.
O CHEGA exigiu explicações sobre o polémico negócio das novas fragatas para a Marinha e Nuno Melo vai mesmo ter de comparecer no Parlamento. A Comissão de Defesa aprovou por unanimidade a audição do ministro da Defesa a pedido do CHEGA sobre a aquisição de três fragatas italianas, num investimento estimado em 3,9 mil milhões de euros, um dos maiores investimentos na Defesa portuguesa.
A moção de censura caiu, mas o CHEGA não ficou sentado. Consumada a votação, toda a bancada se levantou e fez ecoar “demissão” pelo plenário, fechando um debate em que André Ventura responsabilizou Montenegro não apenas pela permanência de Luís Neves, mas também pelo rumo do Governo.
Mentiras, abuso de poder e suspeitas sobre a utilização da Polícia Judiciária. Luís Neves está debaixo de fogo esta terça-feira, acusado de protagonizar uma lógica de “quero, posso e mando”. Mas a pressão não recai apenas sobre o ministro da Administração Interna: Luís Montenegro é também chamado a assumir responsabilidades e a explicar, de forma cabal, por que razão continua a manter Neves no Governo.
Afinal, não foi “vais pagá-las”. Luís Neves esclareceu esta terça-feira, na Assembleia da República, a frase que disse dirigida à bancada do CHEGA, em dia de debate quinzenal com o primeiro-ministro. Aos deputados do partido liderado por André Ventura, o ministro da Administração Interna assumiu que as palavras que proferiu foram: “Vão levar comigo.”
O líder parlamentar do CHEGA, Pedro Pinto, acusou o ministro de trocar os esclarecimentos prometidos por “propaganda barata” e perguntou-lhe diretamente quando abandona o cargo. Neves fechou a porta à demissão e colocou a bola no campo de Montenegro.
André Ventura responsabiliza o primeiro-ministro pela crise política em torno de Luís Neves e garante que a moção de censura poderia ter sido evitada se o ministro já tivesse abandonado o Governo. Presidente do CHEGA acusa ainda o Estado de ter mentido ao partido sobre os 144 mil euros associados à destruição dos produtos químicos e desafia os restantes partidos a escolherem de que lado ficam.
Primeiro, o Governo respondeu ao CHEGA indicando um orçamento de 144.456 euros para a destruição dos químicos, em linha com a justificação apresentada por Luís Neves. Agora, confrontado pelo Observador, o Ministério da Justiça esclarece um pormenor decisivo: aquele valor abrangia produtos apreendidos em vários processos e não apenas os 62 bidões da Operação Pacoba. Afinal, os 144 mil euros não eram só para aqueles químicos.