22 Maio, 2024

Portugal aos Outros

O começo de um novo ano nada traz de melhorias objetivas para os portugueses. Por mais otimistas que queiramos ser, os dados evidenciam bem o limitado poder de compra dos nossos cidadãos. Num olhar lacónico, basta vermos os efeitos ainda sentidos da inflação com a manutenção dos preços elevados sobre bens alimentares e bens de primeira necessidade, agravado pela subida das taxas de juro, que vem dificultar ainda mais o acesso ao crédito por parte dos nossos consumidores. No final de contas, o poder de compra dos portugueses vê-se reduzido ao equivalente ao do período de vigência da Troika, mesmo que o atual governo não o queira admitir, ocultando-se em números que em pouco ou nada correspondem à realidade que se vive por todo o país. 

Há um país cujas capitais são Belém e São Bento e depois há o Portugal real. Das varandas do primeiro país vislumbra-se Lisboa, capital de Portugal, onde há cada vez menos portugueses, escorraçados pelos valores absurdos do setor imobiliário e para onde os cidadãos estrangeiros com muito maior poder de compra vão aos magotes comprar ou arrendar casa. 

Naquele país, que vai desde São Bento a Belém, projeta-se um Portugal de salários médios que mais parecem mínimos, assolados que são pelo desproporcional aumento do custo de vida. 

Nesse país de António Costa com a estreita conivência de Marcelo R. de Sousa, promovem-se para Portugal políticas de isenção fiscal para cidadãos estrangeiros, tendo como pretexto de fundo a dita “atração de capitais estrangeiros”. O chamamento é feito lá de ambos os palácios daquelas capitais, ansiando-se a vinda de nómadas digitais, investidores estrangeiros com visto gold, residentes com estatuto temporário e tantos outros, que mesmo não fazendo parte daquele grupo com maior poder de compra, são incitados a vir na mesma. Trágica e ironicamente falando, parece que os portugueses estão a mais em Portugal… 

Há um país real chamado Portugal cuja capital oficial é Lisboa e a segunda capital oficiosa é o Porto, havendo pelo meio muitas outras capitais de distrito e cidades de relevo nacional. Para que se entenda claramente, no país real há muito mais Portugal para além de Lisboa, cidade que se converteu ao cosmopolitismo bacoco desprezando os seus locais. 

O modelo que hoje observamos na capital espelha bem o convite que é feito aos demais para que venham para Portugal e aqui estabeleçam as suas vidas. Convite esse, que vindo de forma irresponsável porquanto desproporcional se apresenta perante a realidade económica do nosso país, é feito sempre em detrimento dos portugueses. Não está aqui em causa a simples vinda de imigrantes para Portugal, pois todos os que vêm por bem são bem-vindos, na justa medida em que se integrem e contribuam para a estabilidade da coesão social. Ora o que se começa a verificar é o contrário disto, fruto da irresponsabilidade política dos nossos governantes que governo após governo, de forma direta ou indireta têm promovido a saída dos nossos nacionais e simultaneamente a vinda de estrangeiros, pondo em causa a própria coesão social.  

Requerem-se políticas públicas estruturais em vários setores, muito mais além das palavras que tantas vezes ouvimos dos nossos ministros e autarcas. Se a tendência é aglomerar os grandes centros urbanos e descaracterizá-los por completo, então que em definitivo se crie um programa político para o nosso interior. Se o plano inevitável é converter Lisboa e Porto em cidades museu, artificiais e sem possibilidades dos portugueses ali viverem, então que se proporcionem oportunidades de habitação reais e coerentes para que os portugueses se desloquem para o interior, desenvolvendo-se as respetivas infraestruturas, as redes de transporte e os meios necessários para as pessoas ali se fixarem. Num país à escala de Portugal é inconcebível vermos portugueses deslocarem-se por mais de uma hora e meia nos transportes públicos para chegarem aos seus empregos. 

Não há mal em oferecermos um pouco de nós aos outros. Mas de uma vez por todas, é preciso darmos mais Portugal aos portugueses.     

Diogo Venâncio 

(vice-coordenador do núcleo concelhio do Montijo – CHEGA)

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