Deputados do CHEGA juntaram-se à manifestação dos agricultores nas Caldas da Rainha

© Folha Nacional

Os deputados do CHEGA marcaram hoje presença na manifestação de agricultores organizada pela CAP (Confederação dos Agricultores de Portugal) que decorreu nas Caldas da Rainha, distrito de Leiria.

Depois das manifestações realizadas em Mirandela, Castelo Branco e Portalegre, hoje foi a vez de mais de 2 mil agricultores do Oeste e do Ribatejo saírem novamente à rua para mostrarem o seu desagrado para com as políticas do governo liderado por António Costa.

Com ponto de encontro marcado para o Oeste CIM, nas Caldas da Rainha, as mais de 60 associações do setor agrícola estiveram presentes e quem também se fez representar foi o CHEGA com os seus deputados Gabriel Mithá  e Pedro Frazão – este último vereador em Santarém.

Os manifestantes entoaram frases como “sem agricultura não há futuro” e “se o campo não planta a cidade não janta”, alertando para problemas como o “aumento dos custos de produção”, a “incompetência da atual ministra” e a “falta de apoios”.

Mais de 400 tratores circularam em marcha lenta pela cidade de Leiria em protesto contra a “incompetência de quem nos governa” e contra a extinção das direções regionais de Agricultura e Pescas e a sua integração nas Comissões de Coordenação e Desenvolvimento Regional (CCDR).

A manifestação convocada pela Confederação dos Agricultores de Portugal (CAP) visou hoje mostrar que os agricultores “não são os grandes responsáveis pelo aumento dos preços dos alimentos”, já que estes “nem sequer ainda refletem o aumento dos custos” de produção, disse à agência Lusa o presidente da confederação, Eduardo Oliveira e Sousa.

“Os custos também aumentaram porque os agricultores não receberam as ajudas prometidas”, lamentou o presidente da CAP, lembrando que, enquanto os agricultores espanhóis “receberam ajudas nos combustíveis, nos fertilizantes e têm ajudas, agora, em relação ao problema da guerra [na Ucrânia]”, em Portugal o setor “teve que assimilar” o aumento dos custos de produção.

Esta foi apenas uma das razões que, segundo a CAP, levaram hoje 430 tratores e cerca de dois mil agricultores de 65 organizações de produtores, de norte a sul do país, a participar no protesto que percorreu as ruas das Caldas da Rainha, em marcha lenta, ao som de palavras de ordem contra a ministra da Agricultura, Maria do Céu Antunes.

Os agricultores queixam-se da “incompetência do Ministério da Agricultura” numa altura em que volta a estar em cima da mesa a questão da seca, considerando Eduardo Oliveira e Sousa que esta pode levar em breve, na região do Oeste, a “uma carência” de frutas e hortícolas.

“As candidaturas às medidas de apoio para o novo período de Política Agrícola Comum estão abertas”, mas, denunciou o presidente da CAP, “não funcionam, e 80% dos agricultores não se conseguem inscrever”, disse, apontando, mais uma vez, a culpa à “incompetência do ministério que fez tudo à ultima hora”.

Para Eduardo Oliveira e Sousa, é necessária “uma alteração profunda” no ministério que, considerou, “em completa desarticulação e a desmanchar-se todos os dias”, sem “uma defesa forte do setor agrícola e um reconhecimento do valor da agricultura e do trabalho dos agricultores”.

Reivindicações transversais a todo o setor agrícola, vincou Carlos Amaral, da Associação dos Orizicultores de Portugal (AOP), lamentando “a falta de resposta políticas do ministério” a todos os problemas colocados pelo setor responsável por 29 mil hectares de produção de arroz.

No caso dos produtores de arroz, as críticas estenderam-se também ao primeiro-ministro, António Costa, que acusam de “uma insensibilidade grande em relação a todos estes problemas, e da inexistência de “uma reparo ou uma atenção” aos agricultores, levando-os a ir “para a rua” e as confederações dos vários setores a subscrever um documento único.

Indignado pela exclusão do setor apícola do Plano Estratégico da Política Agrícola Comum 2023-2027, o vice-presidente da AALBA (cooperativa de produtores de mel) juntou hoje a sua voz ao protesto em nome de um setor que exige ser tratado “da mesma forma que os demais, ou seja, que os outros produtores, pecuários e agricultores em geral”.

O setor reclama ainda apoios que estavam contemplados no anterior quadro de apoio e que “foram retirados sem explicação”.

Queixas que geraram hoje uma das maiores adesões às manifestações que a CAP tem convocado desde janeiro, com os agricultores a “fazerem história” com a realização da maior concentração de sempre de tratores e agricultores nas Caldas da Rainha.

O protesto “demonstra bem a insatisfação que existe nos agricultores, que vivem do produto da terra”, afirmou o secretário-geral da CAP, Luís Mira, instando o Governo a pôr “a mão na consciência, se a tiver”.
“Altere os procedimentos, coloque as verbas europeias à disposição dos agricultores”, desafiou Luís Mira no protesto em que o setor voltou a criticar o facto de 1.300 milhões de euros do último quadro de apoio terem ficado por executar, entre outras críticas à transferência de competências das direções regionais de agricultura (DRA) para as Comissões de Coordenação e Desenvolvimento Regional (CCDR), e o chumbo de projetos no âmbito do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR).

Os protestos dos agricultores vão voltar a fazer-se ouvir, no dia 09, em Beja, e, no dia 24, em Elvas, informou o Luís Mira, acrescentado que, além de manifestações, estão previstas outras formas de luta.

*com agência Lusa

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