Um em cada cinco arquitetos recebe perto ou abaixo do salário mínimo

©D.R.

Um em cada cinco arquitetos portugueses tem um rendimento líquido aproximado do salário mínimo nacional, revela um inquérito do Observatório da Profissão, segundo o qual, há mais precariedade laboral na função pública do que no setor privado.

Trata-se da primeira iniciativa pública daquele organismo de regulação da profissão de arquiteto, que pretende tornar periódicos estes inquéritos, com uma regularidade bienal ou trienal, explica aquela entidade, no relatório divulgado à Lusa.

Do acordo com os resultados do estudo, que considerou os membros da Ordem dos Arquitetos, efetivos e estagiários, 38% destes profissionais têm um rendimento líquido aproximado ou abaixo do salário líquido médio (estimado em 968,09 euros), sendo que, destes, mais de metade ganha perto ou abaixo do salário mínimo nacional.

Segundo o inquérito, representam 20% do total, os arquitetos que ganham abaixo de 850 euros (16%) ou que não têm rendimentos (4%).

Quanto ao horário de trabalho, perto de metade (48%) trabalha mais de 40 horas semanais.

No que respeita aos setores e vínculos laborais, o estudo aponta para uma maior empregabilidade e estabilidade no privado do que no público.

Mais de um terço dos arquitetos portugueses (34%) trabalha por conta de outrem no setor privado, e, destes, 65% têm contrato sem termo, ao passo que a função pública emprega 15% dos arquitetos, dos quais 60% são efetivos.

Relativamente aos recibos verdes nestes setores, que representam a maior situação de precariedade, são muitos mais os encontrados nos serviços públicos, tanto em termos absolutos como, principalmente, em termos relativos.

De acordo com os resultados do inquérito, entre os 34% de arquitetos empregados no privado há 3% de recibos verdes, enquanto que, dos 15% a trabalhar na função pública, 5% passam recibos verdes.

A grande maioria dos arquitetos vinculados à função pública trabalha ma administração local (78%), indica o relatório, que revela ainda que do total de arquitetos inquiridos, 19% são sócios, administradores ou gerentes de sociedades.

Contudo, a maior parte destes profissionais (38%) não está vinculado a nenhuma entidade patronal, desenvolvendo trabalho independente: 55% a partir de casa e 29% em atelier próprio (os restantes trabalham em atelier partilhado ou outros locais).

Outra conclusão apontada por este estudo é a de que grande parte dos arquitetos independentes colabora pouco ou nada com outros profissionais de arquitetura: 50% dos inquiridos referiram trabalhar “poucas vezes” em parceria e 13% admitiram que “nunca” o fazem.

Por distribuição geográfica, o estudo concluiu que 37% dos arquitetos trabalham na Área Metropolitana de Lisboa, 32% na região Norte e 15% na região Centro.

Os restantes distribuem-se por Algarve (5%), Alentejo (4%), estrangeiro (3%), Madeira e Açores (2% cada).

Nos últimos cinco anos, os projetos para a habitação têm sido maioritários (78%), logo seguidos pelos serviços, que representam 46% dos programas projetados por arquitetos.

Na ponta oposta, encontra-se o espaço público e o planeamento urbano, com um total de 14% e 13%, respetivamente, de programas realizados nos últimos cinco anos.

As entidades de acolhimento de estagiários da Ordem dos Arquitetos são pequenas e médias empresas (PME), a maioria (41%) com três a cinco trabalhadores.

Um quarto das PME acolhe um ou dois estagiários, 17% destas empresas recebem seis a 10 trabalhadores, 8% acolhem 11 a 20, e apenas 9% recebem mais de 21 estagiários.

Outro dado revelado pelo estudo é que em 64% das sociedades ou empresas, o volume anual de negócios não ultrapassa os 100 mil euros, sendo que deste total, 85% ficam mesmo abaixo dos 50 mil euros.

Em contrapartida, as restantes 36% de sociedades ou empresas têm um volume anual de negócios acima dos 100 mil euros, com 6% a alcançarem mais de 500 mil euros ao ano.

Segundo o Observatório da Profissão, este inquérito, realizado aos membros entre 15 de setembro e 30 de outubro de 2022, foi “o mais participado de todos os trabalhos congéneres realizados, até ao momento, pela Ordem dos Arquitetos”.

Com coordenação técnica e científica do Centro de Estudos e Sondagens de Opinião da Universidade Católica Portuguesa (CESOP), o estudo considerou uma amostra de 7.649 participantes, a partir do universo de 27.591 membros da OA.

Últimas de Economia

O dinheiro colocado pelos clientes particulares em depósitos atingiu 144,3 mil milhões de euros em 2025, o valor máximo desde 2003, o início da série, segundo os dados hoje divulgados pelo Banco de Portugal.
Os bancos emprestaram 23,3 mil milhões de euros em crédito à habitação em 2025, mais 5.900 milhões de euros do que em 2024 e o valor mais elevado desde 2014 (o início da série), segundo o Banco de Portugal.
Cerca de 116 mil clientes da E-Redes continuavam esta terça-feira às 12:00 sem fornecimento de eletricidade em Portugal continental, na sequência dos danos provocados pela depressão Kristin na rede elétrica, informou a empresa.
O presidente da estrutura de missão para responder aos efeitos da depressão Kristin afirmou hoje que a plataforma para pedir apoios para a reconstrução das casas afetadas deverá ficar disponível online entre hoje e quarta-feira.
O mês de janeiro de 2026 teve o maior consumo de energia elétrica de sempre registado no sistema nacional, segundo avançou hoje a REN - Redes Energéticas Nacionais.
O preço mediano dos 41.117 alojamentos familiares transacionados no terceiro trimestre de 2025 foi de 2.111 euros por metro quadrado, mais 16,1% que no mesmo período de 2024 e 2,2% acima do trimestre anterior, divulgou hoje o INE.
O Estado anunciou ajuda, mas o dinheiro não chegou a quem precisava. Em 2025, 1,2 milhões de euros destinados à botija de gás ficaram por gastar, apesar do aumento do preço e do recorde de beneficiários. Um apoio que existe no papel, mas falha na vida real.
Os pagamentos em atraso das entidades públicas fixaram-se em 332,3 milhões de euros em 2025, com um aumento de 37,4 milhões de euros face ao ano anterior, foi anunciado.
A empresa que gere o SIRESP vai receber este ano uma indemnização compensatória de 26 milhões de euros para garantir a gestão, operação e manutenção da rede de comunicações de emergência e segurança do Estado, anunciou hoje o Governo.
Mais de 42% dos créditos para a compra de casa por jovens até aos 35 anos em 2025 foram feitos ao abrigo da garantia pública para o financiamento da primeira habitação, segundo dados hoje divulgados pelo Banco de Portugal (BdP).