João Galamba diz que informou ex-CEO da TAP da reunião preparatória e que podia participar se quisesse

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O ministro das Infraestruturas disse que informou a ex-presidente executiva da TAP sobre a reunião preparatória pedida pelo PS e que podia participar, se quisesse, tendo recebido confirmação do interesse mais tarde, ao qual não se opôs.

Em conferência de imprensa no Ministério das Infraestruturas, na sequência da divulgação de notas pessoais do adjunto exonerado Frederico Pinheiro, João Galamba explicou que teve uma reunião com Christine Ourmières-Widener pouco depois de ter tomado posse como ministro, a pedido da ex-presidente executiva.

“Eu disse-lhe ‘olhe, eu tenho um pedido do grupo parlamentar’, que me tinha chegado três dias antes, […] e eu disse ‘não faz muito sentido eu ir à reunião preparatória […] não sei, se quiser participar, pode participar”, afirmou João Galamba.

Naquele momento, prosseguiu, a ex-CEO não confirmou o interesse em fazer parte da reunião, tendo confirmado apenas mais tarde ao adjunto Frederico Pinheiro, que informou o ministro.

Segundo Galamba, Ourmières-Widener sublinhou que era “muito importante” que a ida ao parlamento, em janeiro, no âmbito de uma audição na comissão de Economia, antes da constituição de uma comissão parlamentar de inquérito, “não fosse apenas um momento para a usar a TAP apenas como arma de arremesso político”.

“Havendo interesse do deputado e do grupo parlamentar que participou na reunião e havendo interesse da CEO, o que fiz foi não me opor, porque, de facto, não vejo problema. Não foi uma reunião de preparação para comissão parlamentar de inquérito”, reiterou João Galamba.

Questionado sobre o comunicado enviado pelo Ministério das Infraestruturas, que refere que Galamba foi informado de que a ex-CEO queria participar na reunião, o governante reafirmou “integralmente” aquela informação. “Eu de facto fui [informado], porque tenho mensagem do doutor Frederico Pinheiro a dizer ‘João, a CEO quer participar na reunião, pode?’ e eu respondo ‘pode’”, apontou.

Questionado ainda sobre contradições com a versão divulgada na sexta-feira por Frederico Pinheiro à comunicação social, de que o ministério conhecia a existência de notas da reunião preparatória e que as pretendeu ocultar, João Galamba disse que “a ainda não prestação de todos os esclarecimentos” por parte do adjunto exonerado “podem induzir nessa perceção”, mas reiterou que o Governo e a equipa do Ministério das Infraestruturas não pode ser acusada de tentar ocultar dados à comissão de inquérito.

“Todos os nossos atos apontam no sentido oposto. Efetivamente, tudo entregámos, nunca esquecer esse facto”, rematou.

No dia 04 de abril, em audição na comissão parlamentar de inquérito à TAP, a então presidente executiva da TAP confirmou ter participado numa reunião preparatória com o grupo parlamentar do PS e membros de gabinetes do Governo, na véspera de uma anterior audição na comissão de Economia, em janeiro.

Na sexta-feira, conheceu-se a exoneração de Frederico Pinheiro por “comportamentos incompatíveis com os deveres e responsabilidades” e as suas acusações a João Galamba, já negadas categoricamente pelo ministro das Infraestruturas, de que tinha procurado omitir informação à comissão de inquérito (CPI) à TAP.

O adjunto exonerado acusou o Ministério das Infraestruturas de querer omitir informação à comissão de inquérito à TAP sobre a “reunião preparatória” com a ex-CEO.

Em comunicado, o ministro das Infraestruturas já havia negado “categoricamente” as acusações do adjunto exonerado, referindo ainda que, “pelo contrário”, “toda a documentação solicitada pela CPI foi integralmente facultada”.

Hoje João Galamba afirmou que a acusação de Frederico Pinheiro “não tem qualquer fundamento”, uma vez que, entre janeiro e a semana passada, “nunca foi, em momento algum” dada a conhecer a existência de notas. “Foi dito que não [havia] e há quatro testemunhas”, sublinhou o ministro.

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