Centeno diz que Banco de Portugal entrou na fase de resultados negativos

O governador do Banco de Portugal, Mário Centeno, disse hoje que o banco central está a entrar numa fase de resultados negativos devido ao aumento das taxas de juro que impacta nos resultados do banco central.

“[Em 2023, o resultado] não vai ter o mesmo sinal de 2022. O banco está a entrar numa fase de resultados negativos, cuja dimensão depende de decisões que se estão a tomar”, afirmou Mário Centeno, referindo que esses resultados não vão afetar “minimamente” a capacidade de atuação da instituição.

O Banco de Portugal divulgou hoje que teve lucros de 297 milhões de euros em 2022, menos 42% do que em 2021. Desde 2018, quando teve lucros recorde de 806 milhões de euros, os resultados do Banco de Portugal têm vindo gradualmente a reduzir-se. Já os dividendos pagos ao Estado referentes a 2022 foram de 238 milhões de euros, menos 41%.

Ainda em 2022, o Banco de Portugal reforçou a provisão para riscos gerais em 235 milhões de euros, o que justificou pela necessidade de “cobertura de riscos potenciais futuros”.

No total, para fazer face a potencais perdas, o Banco de Portugal tem 3.900 em provisões para riscos gerais.

Em causa está o facto de, perante o aumento das taxas de juro, o BdP sofrer a desvalorização dos títulos de dívida que tem em balanço, enquanto paga mais aos bancos pelo dinheiro que estes depositam no banco central.

De futuro, é mesmo provável que as receitas que o Banco de Portugal gera sejam insuficientes para compensar esses encargos, levando ao ciclo de resultados negativos referido por Centeno.

“Nem foi grande mérito do Banco de Portugal os resultados anteriores terem sido o que foram, nem agora é grande demérito do Banco de Portugal os resultados serem o que são”, afirmou, acrescentando que a gestão de risco feita pelo banco central “segue padrões comuns do Eurossistema e que colocam o Banco de Protugal numa posição confortável” no seio deste.

O banco central da Alemanha (Bundesbank) registou em 2022 o primeiro prejuízo em quarenta anos mas que cobriu com provisões.

O banco central dos Países Baixos teve um resultado líquido nulo (que só foi possível porque cobriu prejuízos com provisões) e o governador considerou que só em 2028 regressará aos lucros.

O Banco Nacional da Bélgica teve perdas de 580 milhões de euros o ano passado.

Últimas de Economia

A taxa de inflação anual da zona euro deverá ter aumentado em 3,2% em maio de 2026, face aos 3,0% registados em abril, puxada pelos preços da energia, segundo uma estimativa rápida hoje divulgada pelo Eurostat.
Quase metade dos participantes num inquérito organizado pela consultora QSP identificam a subida de preços como o maior risco que as empresas enfrentam num futuro próximo.
Os portos da Madeira registaram a entrada de 129 navios de cruzeiro no primeiro trimestre desde ano, mais 24 do que no mesmo período do ano passado, indicou hoje a Direção Regional de Estatística (DREM).
A dívida pública na ótica de Maastricht, a que conta para Bruxelas, aumentou cerca de 3.900 milhões de euros em abril, para 287.100 milhões de euros, segundo dados divulgados hoje pelo Banco de Portugal (BdP).
Os preços das casas em Portugal devem manter-se elevados, com a demora das medidas para estimular a oferta a produzir efeitos, existindo riscos associados à capacidade de pagar os créditos, principalmente com garantia pública, conclui a DBRS.
A prestação da casa vai subir em junho para créditos com taxa variável a três meses, seis meses e 12 meses, segundo adiantou a Deco Proteste.
A taxa Euribor subiu hoje a três, a seis e a 12 meses em relação a quinta-feira e termina maio com a média mensal a subir de novo nos três prazos.
A esperança de vida à nascença aumentou para 81,75 anos, anunciou hoje o Instituto Nacional de Estatística (INE), segundo o qual aos 65 anos a população portuguesa pode esperar viver mais 20,19 anos.
A idade da reforma vai subir para os 66 anos e 11 meses em 2027, segundo confirmam os dados da esperança de vida hoje publicados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE).
Os estrangeiros representaram 28% das compras de casas em Portugal no ano passado, segundo dados do Banco de Portugal divulgados hoje no Relatório de Estabilidade Financeira.