Vistos CPLP: União Europeia Abre Processo Contra Portugal

A Comissão Europeia iniciou um “procedimento de infração” contra Portugal por causa das novas autorizações de residência para cidadãos da Comunidade de Países de Língua Oficial Portuguesa (CPLP), lançadas em março.

© Folha Nacional

 

De acordo com a notícia avançada no fim de semana pelo Diário de Notícias, a Comissão considerou que Portugal não cumpre as obrigações europeias que “estabelecem um modelo uniforme de título de residência para os nacionais de países terceiros” e que falha no Acordo de Schengen sobre livre circulação.

“O Acordo de Mobilidade da CPLP prevê uma autorização de residência que não está em conformidade com o modelo uniforme estabelecido no Regulamento (CE) n.o 1030/2002. Para além disso, tanto as autorizações de residência como os vistos de longa duração emitidos para fins de procura de emprego a nacionais dos Estados da CPLP não permitem aos seus titulares viajar no espaço Schengen”, refere uma informação da Comissão a que a agência Lusa teve acesso.

Portugal já foi notificado do procedimento de infração e tem agora dois meses para responder à carta e corrigir as lacunas identificadas pela Comissão. Instado a comentar a notícia vinda a público, o Presidente da República rejeitou a existência de incompatibilidade entre o regime de vistos europeu e o português, frisando que “já explicámos porque é que não há contraposição, não há um choque”.

A Reter

• Desde Março que está em funcionamento o novo portal do SEF que permite aos imigrantes da CPLP, com processos pendentes até dezembro de 2022, obter vistos automáticos;
• Em sete meses mais de 154 mil imigrantes da CPLP pediram autorização de residência;
• Autorização de residência já foi dada a 140 mil imigrantes;
• Imigrantes do Brasil representam 74,5% dos pedidos de autorização de residência, seguidos dos cidadãos de Angola, com 9,6%, São Tomé e Príncipe, com 6,4%, e Cabo Verde com 4,4%.

“Até agora isso foi aceite e acreditamos que vamos fazer valer o nosso ponto de vista”, acrescentou ainda Marcelo Rebelo de Sousa, considerando “uma ironia do destino” que “durante tantos anos isso não tenha sido um problema e de repente vir a descobrir-se que há uma ilegalidade que não existia no passado”.

Já André Ventura revelou que o “grupo parlamentar do CHEGA decidiu deixar clara a posição que já tinha sido tornada pública sobre o acordo de mobilidade na CPLP”, considerando que “este acordo foi desde sempre um disparate e um logro”.

Por essa razão, em conferência de imprensa, o Presidente do terceiro maior partido português revelou que o CHEGA já deu entrada “com um pedido de revogação” deste acordo, esperando que “possa ser discutido no parlamento no mais breve prazo possível”.

“Este acordo tem de ser refeito e reconstruído. Portugal precisa de uma imigração controlada, regulada e que dê condições humanas àqueles que chegam e não de um território sem portas e sem janelas onde todos entram de qualquer maneira”, apontou.

Defendendo que “este acordo viola gravemente as normas de identidade europeia e do acordo Schengen”, Ventura explicou que “mesmo por prudência o CHEGA entregará na Assembleia da República um pedido para que seja revogado no mais breve prazo possível”. O partido quer ainda chamar ao Parlamento o ministro da Administração Interna “com caráter de urgência para que se possa discutir esta questão”.

Por seu turno, o ministro socialista da Administração Interna defendeu que o acordo de mobilidade dentro da CPLP “não colide” com o regime de vistos europeu. “Naturalmente que as autoridades nacionais já informaram a Comissão [Europeia] e agora manter-se-á um diálogo para mostrar o ponto de vista de Portugal. Do nosso ponto de vista, [o acordo de mobilidade entre países lusófonos] não colide com as normas europeias”, defendeu José Luís Carneiro, referindo que o objetivo de melhorar as condições de mobilidade entre os Estados que compõem a CPLP “é tão antigo” como a própria CPLP, constituída em 17 de julho de 1996. “Nós temos uma posição que é conhecida desde há muito e a Comissão Europeia também tem sido informada desde o início desta reflexão”, disse.

  • Com Agência Lusa

Últimas de Política Nacional

Subsídio de reintegração pago por Bruxelas eleva rendimentos de governantes portugueses para patamares próximos dos 11 mil euros mensais. Benefício não é automático, tem de ser pedido.
Para o presidente do CHEGA, a decisão de não prolongar o estado de calamidade ignora a realidade no terreno e deixa famílias e empresas à mercê do prejuízo.
O candidato presidencial André Ventura agradeceu aos eleitores que votaram em si nas eleições presidenciais "por acreditarem num país diferente".
O valor de referência do Rendimento Social de Inserção (RSI) vai aumentar 5,33 euros, segundo portaria hoje publicada.
Pontes, barragens e outras infraestruturas públicas críticas poderão vir a ser alvo de uma avaliação técnica urgente, caso seja aprovada uma proposta apresentada pelo CHEGA na Assembleia da República.
O antigo primeiro-ministro Pedro Passos Coelho acusou hoje governantes de viciarem concursos para altos cargos na administração pública, afirmando que "a maior parte das pessoas que concorrem sabe que já está tudo decidido antes do concurso ser feito".
O apuramento dos votos da emigração em 107 consulados, referentes à segunda volta das eleições presidenciais, deu a vitória a André Ventura com 50,81%, segundo os dados publicados pelo Ministério da Administração Interna (MAI).
O Ministério Público do Porto abriu um novo inquérito para investigar uma alegada discrepância entre o custo da casa em Espinho do primeiro-ministro, Luís Montenegro, e as faturas emitidas pelos empreiteiros, noticia o Expresso.
O CHEGA apresentou na Assembleia da República um projeto de lei que prevê o fim da subvenção mensal vitalícia atribuída a antigos titulares de cargos políticos, através de um processo de redução progressiva do benefício ao longo de três anos, seguido da sua extinção definitiva.
O partido levou ao Parlamento uma proposta que limita a exibição de símbolos em edifícios públicos aos emblemas oficiais do Estado, afastando bandeiras ideológicas, LGBT ou associativas e reacendendo o debate sobre neutralidade, identidade e liberdade simbólica nos espaços públicos.