Algarve quer segunda dessalinizadora e transvases de água a partir do Norte

A situação de seca cada vez mais grave no Algarve levou hoje responsáveis políticos da região a defenderem a realização de estudos para a construção de uma segunda dessalinizadora e o transvase de água a partir do Norte.

©Facebook/joséapolinário

“Temos de criar consensos sobre [a construção de] uma segunda dessalinizadora para a região e encontrar investimentos”, disse o presidente da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional (CCDR) do Algarve, José Apolinário.

Numa intervenção na conferência “Água e Sustentabilidade”, que hoje decorre na Universidade do Algarve, em Faro, aquele responsável sublinhou que o clima está a mudar no Sul “a um ritmo maior” do que se previa, insistindo na necessidade de “haver consensos mínimos” para lutar contra a falta de água na região.

O dirigente regional também referiu que a possibilidade de se levar água da barragem do Alqueva, no Alentejo, para o Algarve, já foi identificada há alguns anos, defendendo que essa possibilidade “não pode ser colocada de parte”.

José Apolinário apontou o “sentimento crescente na região” no sentido de se executarem os investimentos que estão em curso e que preveem a construção de uma dessalinizadora e, também, de se começar a pensar no que virá a seguir.

“Julgamos que está na altura de estudar já a construção da segunda dessalinizadora [no Algarve], para [nos] dar uma robustez e independência muito maior de São Pedro. Não podemos ficar à espera que chova”, defendeu o presidente da Comunidade Intermunicipal do Algarve (AMAL), António Miguel Pina.

Para o representante dos 16 municípios da região mais a sul do Continente, o país também tem de estudar a opção de levar a água do Norte para o Sul, até para uma boa gestão das cheias, que acontecem com mais frequência no Norte, acrescentou.

“Temos de romper com o preconceito de fazer transvases do Norte para o Sul”, pois “a água que cai no Norte tem de chegar ao Sul”, insistiu António Miguel Pina, que é também presidente da câmara de Olhão.

Outro autarca presente na conferência, o presidente da Câmara de Faro, Rogério Bacalhau, sugeriu ao ministro do Ambiente um aumento da capacidade de produção para a unidade de dessalinização prevista para a região.

O vice-presidente da Agência Portuguesa do Ambiente (APA), José Pimenta Machado, assegurou que há abertura a outras soluções, defendendo que se pode e deve “analisar tudo”, mas que, neste momento, o foco deve estar na execução do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) para Portugal.

A Águas do Algarve já entregou o estudo de impacto ambiental da futura dessalinizadora do Algarve, aguardando agora luz verde da APA para abrir o concurso para a sua construção.

A nova unidade de produção de água doce a partir de água salgada deverá ficar localizada em Albufeira, sendo financiada no âmbito do PRR, com um investimento de cerca de 50 milhões de euros.

A dessalinizadora vai produzir 16 milhões de metros cúbicos de água, o que significa mais de 20% das necessidades de abastecimento público do Algarve, estimado em 72 milhões de metros cúbicos, segundo a Águas do Algarve.

O PRR é um programa com um período de execução até 2026 que visa implementar um conjunto de reformas e investimentos destinados a repor o crescimento económico sustentado, após a pandemia de covid-19, reforçando o objetivo de convergência com a Europa, ao longo da próxima década.

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