Luta contra alterações climáticas precisa de investimento imediato

O diretor da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, Luís Carriço, defende um grande investimento na investigação sobre como lutar contra as alterações climáticas a começar no imediato para se obter resultados até 2030.

© D.R.

Para que as alterações no clima não levem a humanidade para um beco sem saída, Luís Carriço defende, em entrevista à agência Lusa, um grande investimento de toda a sociedade, de governos mas também de empresas, que financie a investigação.

“E tem de ser uma investigação consequente. Não temos 100 anos. Tem de ser a curto prazo” como aconteceu com as vacinas contra a covid-19, “e os resultados têm de acontecer já, nesta década”, considera.

A propósito do Dia Internacional contra as Alterações Climáticas, criado pela Organização das Nações Unidas (ONU) e que se assinala na terça-feira, a Lusa questionou Luís Carriço sobre o papel da ciência no combate, adaptação e mitigação das alterações climáticas, com o responsável a destacar a importância da transição energética e a inteligência artificial (IA).

Salientando desde logo o papel da Universidade na luta contra as alterações climáticas, sem ter nunca um discurso pessimista, Luís Carriço diz que a mudança do clima já existe e é inquestionável, e aponta a aposta nas energias limpas.

“A transição energética é das áreas que pode ajudar a evitar uma situação de não retorno”, afiança.

Professor do Departamento de Informática e investigador, Luís Carriço não considera que seja possível acabar de imediato com os combustíveis fósseis.

Considera que é preciso cautela para não criar uma disrupção completa da economia e da sociedade, e defende antes uma aceleração do uso das energias renováveis, as que existem e as que a ciência vai descobrir no futuro, e acredita que quer Portugal quer a União Europeia vão cumprir as metas já anunciadas.

Portugal comprometeu-se em atingir em 2026 80% de energias renováveis na produção de eletricidade, e em 2030 atingir os 100%.

Luís Carriço não tem dúvidas de que haverá cada vez mais procura de energia mas também não duvida que essa energia tem de ser renovável.

“Há grande evolução da ciência nessa área, novas ideias”, observa, explicando que uma das hipóteses no futuro é aproveitar as baterias dos carros elétricos, cada vez em maior quantidade, para armazenar a energia solar produzida durante o dia.

É, refere, uma questão de gestão de redes. E nesse caso a IA pode ajudar, como pode também ajudar na criação de modelos climáticos mais precisos, ou mesmo intervir na criação de novos tipos de combustíveis, de encontrar alternativas na energia.

“Há muita investigação nesta área”, afirma, afiançando que a neutralidade carbónica passa pela energia, mas a União Europeia não pode ficar satisfeita se só ela cumprir metas.

E que mais pode fazer a ciência? Luís Carriço responde que desde logo ajudar a perceber, porque nada se consegue fazer se não se perceber e ainda há muito por entender na questão das alterações do clima.

“Temos hoje modelos que nos permitem perceber e predizer o que está a acontecer e o que nos vai acontecer nos próximos anos. Em perceber e em criar modelos a ciência tem um papel fundamental”, afirma.

E depois também o papel de participar na adaptação a um fenómeno que está a acontecer, e depois evitar situações de rotura no clima, que se tornem irreversíveis.

“Na adaptação também tem de ser a ciência a dar respostas, e dá”, afiança, exemplificando que é preciso perceber como vão funcionar os ecossistemas num contexto de mudança climática, como é que se restauram, se o fazem ou se precisam de intervenção humana.

A verdade, conclui, é que as alterações climáticas são “um tema crucial para a humanidade” e a luta tem de ser unida e global, e a mobilização tem de ser grande e urgente, como aconteceu com a covid-19.

A Faculdade de Ciências organiza na terça-feira um debate sobre este e outros temas, numa iniciativa para assinalar e divulgar a investigação que se faz, incluindo na área do clima.

Segundo o diretor o Dia da Ciência desta terça-feira vai este ano prolongar-se pela semana toda. E todos os alunos são incentivados a participar.

Últimas do País

Nove distritos de Portugal continental vão estar domingo e segunda-feira sob aviso amarelo devido à previsão de tempo quente, informou hoje o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA).
O corpo de um homem, de 71 anos, foi encontrado, esta manhã, "a flutuar nas Termas do Carapacho, na ilha Graciosa", nos Açores, desconhecendo-se as causas que estão na origem da ocorrência, foi anunciado.
A Autoestrada do Norte (A1) está cortada nos dois sentidos na zona de Aveiro por causa de um incêndio florestal que deflagrou naquela área, disse hoje à agência Lusa fonte da Guarda Nacional Republicana (GNR).
O homem, detido no concelho de Vinhais por suspeita de ter provocado um incêndio, com um isqueiro, na aldeia onde reside, vai aguardar julgamento em prisão domiciliária, revelou, hoje, fonte do tribunal.
Homem de 55 anos foi detido em Vale de Cambra por suspeitas da prática de vários crimes de pornografia de menores. Investigação levou a Polícia Judiciária (PJ) até ao suspeito depois de terem sido sinalizadas partilhas de conteúdos na Internet. Na sua posse terão sido encontrados vários ficheiros com imagens e vídeos de abuso e exploração sexual de crianças.
Vinte concelhos dos distritos de Viseu, Guarda, Coimbra, Castelo Branco, Santarém, Portalegre e Faro estão hoje em perigo máximo de incêndio rural, segundo o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA).
Onze pessoas foram detidas na terça-feira por crime de permanência ilegal em território nacional nos concelhos da Trofa e Lousada, no Porto, no âmbito de uma ação de fiscalização a cinco estabelecimentos comerciais, informou hoje a GNR.
A Polícia Marítima apreendeu no final da tarde de quinta-feira uma embarcação de alta velocidade a aproximadamente 13 quilómetros da costa, a sul de Lisboa, informou hoje a Autoridade Marítima Nacional (AMN).
O grupo de pais que vai avançar com um processo contra o Ministério da Educação por falta de vagas nas escolas públicas diz ter ainda muitos casos de alunos que continuam em casa, sem qualquer informação.
A GNR confirmou hoje a identificação de um presumível autor dos incêndios em Alvito da Beira e na Atalaia, no concelho de Proença-a-Nova, distrito de Castelo Branco, e revelou que a investigação está a cargo da Polícia Judiciária.