Procura de crédito por empresas e particulares volta a recuar no 3.º trimestre

A procura de empréstimos por parte de empresas e particulares voltou a cair no terceiro trimestre deste ano, segundo o Inquérito aos Bancos sobre o Mercado de Crédito do Banco de Portugal (BdP), hoje divulgado.

©Facebook/máriocentenoofical

Esta é uma das conclusões da edição de outubro deste inquérito do supervisor bancário, onde, além do balanço referente ao terceiro trimestre, são também apresentadas as perspetivas para os últimos três meses de 2023.

Segundo as conclusões do inquérito, houve uma diminuição transversal às diferentes dimensões das empresas e maturidades, com destaque para os créditos às grandes empresas e de longo prazo.

A análise do BdP aponta como principais causas para esta redução da procura de empréstimo pelas empresas “o nível geral das taxas de juro e as menores necessidades de financiamento do investimento”.

Estes fatores terão contribuído, simultaneamente e ainda que em menor grau, para a “diminuição das necessidades de financiamento para fusões/aquisições e restruturação empresarial e uma melhoria na geração interna de fundos, especialmente no caso de grandes empresas”.

Por outro lado, entre as Pequenas e Médias Empresas (PME), as necessidades de refinanciamento e renegociação da dívida “contribuíram ligeiramente para um aumento da procura”.

Entre os particulares, o BdP registou uma “ligeira diminuição” da procura de crédito tanto para consumo e outros fins, como para a aquisição de habitação.

Entre os fatores apontados para a redução da procura por particulares estão a diminuição da confiança dos consumidores e o nível geral das taxas de juro.

Para o quarto trimestre, o BdP antecipa uma “ligeira diminuição” da procura de créditos por parte de empresas — “mais acentuada nos empréstimos de longo prazo” — e por parte de particulares para habitação e consumo e outros fins.

O documento assinala que, entre julho e setembro, os critérios de concessão de crédito ficaram inalterados no caso das empresas, enquanto houve uma “ligeira deterioração nos empréstimos de longo prazo e no crédito à habitação”, tendo os critérios para o crédito ao consumo e outros fins sido “ligeiramente mais restritivos”.

Até ao final do ano, a banca portuguesa estima que os critérios se mantenham inalterados para as empresas, sejam menos restritivos na habitação, mas mais restritivos para o consumo e outros fins.

O questionário inquiriu os bancos sobre o impacto das decisões sobre as taxas de juro oficiais diretoras do Banco Central Europeu (BCE) na rendibilidade dos bancos.

Nos últimos seis meses, os bancos registaram um aumento da rendibilidade global e “um forte aumento da margem financeira” — que produziu, também, um contributo para o aumento da constituição de provisões e imparidades.

Já para os próximos seis meses, as instituições inquiridas antecipam um “menor contributo para um aumento da rendibilidade global dos bancos do que nos últimos seis meses, decorrente de um efeito preço menos positivo e um efeito volume mais negativo”.

O questionário que esteve na base do inquérito hoje divulgado pelo BdP foi enviado aos bancos em 15 de setembro, tendo o envio das respostas ocorrido até ao dia 29 de setembro.

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