25 Julho, 2024

“Nem tudo o que é rápido, é brilhante!”

A discussão em torno da implementação do TGV, em Portugal é um tema que tem suscitado diversos debates e opiniões divergentes. Enquanto alguns defendem os benefícios de um sistema de alta velocidade, outros questionam, se o investimento deveria ser direcionado para outras áreas.
Portugal, com o seu extenso litoral e um interior, frequentemente, esquecido, enfrenta desafios únicos no desenvolvimento de infraestruturas que promovam a coesão territorial.

O TGV, ao conectar o eixo Porto-Lisboa de maneira eficiente, tem a capacidade de reduzir os tempos de viagem entre as principais cidades, estimulando o desenvolvimento económico nessas regiões. No entanto, é imperativo reconhecer que a sua implementação se concentra, predominantemente, nas áreas mais densamente povoadas, deixando o interior em segundo plano. Para além disso, é importante destacar a morosidade que o mesmo irá ter, 1 hora e 10 minutos, efetuando demasiadas paragens, para um comboio que supostamente seria de alta velocidade, colocando em causa se não seria mais viável uma viagem de avião, que demora, aproximadamente, menos de 20 minutos em comparação com o TGV. Já para nem falar acerca dos preços.

Um sistema de alta velocidade, ao conectar eficientemente as principais cidades, fomenta o desenvolvimento económico, o intercâmbio cultural e a facilitação de negócios. As vantagens do TGV são inegáveis, a capacidade de encurtar distâncias entre grandes centros urbanos, aprimorar a conectividade internacional, o investimento num transporte mais ecológico, a redução da dependência do setor rodoviário, são algumas das vantagens que sem dúvida seriam vantajosas para a nossa competitividade, tanto a nível nacional, como internacional.

Contudo, por outro lado, as desvantagens tornam-se evidentes quando observamos a disparidade de investimento entre o litoral e o interior. Enquanto as cidades costeiras recebem benefícios diretos da linha de alta velocidade, as regiões do interior são desconsideradas e deixadas num segundo plano, perpetuando o desequilíbrio no desenvolvimento regional. Em vez de se canalizar os recursos significativos para um projeto que beneficia, principalmente, as áreas urbanas, seria mais sensato investir em infraestruturas que conectem e revitalizem o interior do país.

Embora, a implementação do TGV possa aprimorar a conectividade com Espanha, é fundamental reconhecer que existem alternativas. As modernizações das linhas ferroviárias existentes, particularmente em locais estratégicos com ligação a Badajoz e Vilar Formoso, permitem uma integração eficaz com a rede espanhola. Portugal não é apenas o seu litoral; é um país com um interior rico em potencial económico e cultural, que merece uma atenção mais equilibrada, por parte das políticas de desenvolvimento. Entendo, a conexão ibérica que tanto querem realizar, através de Vigo, mas não é a única fronteira que temos, não nos esqueçamos.

Além disso, a preocupação financeira é inegável. A implementação de uma rede deste caráter requer investimentos substanciais, muitas vezes resultando em endividamento significativo para o país. Em tempos de desafios económicos, é crucial questionar, se a prioridade deve ser dada a um projeto ambicioso ou, se seria mais coerente concentrar recursos em melhorias na infraestrutura ferroviária existente.

A nossa incapacidade em destacar os verdadeiros problemas do país faz-me lembrar as pessoas que pensam que sabem distinguir os verdadeiros diamantes de imitações, quando, na verdade, apenas estão a colecionar pedras.

Em conclusão, a verdade é que o TGV pode oferecer vantagens na melhoria da conectividade entre as cidades e as relações internacionais, mas não podemos ignorar as desvantagens evidentes e a tempestividade em que a mesma vai ocorrer.

Portugal, com a sua rica diversidade geográfica, merece um planeamento que vá para além do litoral, considerando o interior como parte integral do seu caminho rumo ao futuro e desenvolvimento competitivo entre regiões.

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