Albuquerque diz estar “perfeitamente capaz” de concorrer a eleições antecipadas

O presidente demissionário do Governo da Madeira e líder do PSD regional, Miguel Albuquerque, disse hoje que se sente “perfeitamente capaz” de concorrer a eleições, caso o chefe de Estado dissolva a Assembleia Legislativa.

© Facebook/Miguel Albuquerque

“Eu sinto-me perfeitamente capaz de concorrer às eleições, se houver eleições, de resolver os problemas da Madeira”, disse, para logo reforçar: “Eu estou de consciência tranquila, tenho todos os meus direitos cívicos e políticos em pleno exercício, não estou diminuído em nada e vou continuar a fazer o meu trabalho”.

Miguel Albuquerque falava à margem de uma visita a uma empresa sediada no Parque Empresarial da Ribeira Brava, na zona oeste da Madeira, naquela que foi a sua primeira atividade de agenda previamente anunciada aos órgãos de comunicação social desde 24 de janeiro, quando foi constituído arguido num processo que investiga suspeitas de corrupção e que motivou a demissão do executivo PSD/CDS-PP.

“Foi uma pausa necessária para serenar os ânimos”, explicou aos jornalistas, vincando que agora regressa à “gestão habitual da ‘res publica’”.

“A Madeira não vai parar, nem vai deixar de ser governada, nem o investimento vai parar porque isso seria fatal para a região, porque não podemos estar numa situação de regressão económica, nem de desemprego acentuado”, reforçou.

Miguel Albuquerque informou, também, que vai participar na campanha eleitoral da coligação “Madeira Primeiro” (PSD/CDS-PP) às legislativas de 10 de marcou, participando já esta noite numa iniciativa.

“E amanhã de manhã já vou fazer campanha, porque também não me vou demitir das minhas responsabilidades partidárias”, declarou.

Albuquerque garantiu não estar arrependido de ter sido retirado dos cartazes da coligação “Madeira Primeiro”, nos quais figurava inicialmente entre os seis candidatos pelo círculo da região autónoma.

“Acho que, na altura, face à conjuntura, foi a decisão correta. Mas isso não tem nenhum problema, porque eu vou participar na campanha”, disse.

O líder social-democrata desvalorizou, por outro lado, as críticas feitas por alguns militantes sobre o prazo apertado para a realização de eleições internas no partido, agendadas para 21 de março, às quais volta a concorrer.

“Eu dou a cara. Quem quiser dar a cara, dê agora. Não é para depois haver recriminações ‘a posteriori’”, afirmou, sublinhando que os militantes podem entregar até quinta-feira as listas concorrentes com a sua.

“O processo eleitoral está aberto, quem quiser concorrer concorre, quem quiser protestar protesta, mas depois vai haver disciplina partidária, porque o partido tem de se unir e tem de enfrentar os desafios”, reforçou.

Miguel Albuquerque explicou que a data escolhida para as eleições internas – 21 de março – é estratégica, considerando que o Governo Regional PSD/CDS-PP, com o apoio parlamentar do PAN, está em gestão até o chefe de Estado, Marcelo Rebelo de Sousa, decidir se dissolve a Assembleia Legislativa, o que só poderá ocorrer depois de 24 de março, seis meses após as últimas eleições legislativas regionais.

“É uma questão de responsabilidade. O Partido Social Democrata é um partido liderante, é um partido que tem uma direção e vai continuar a ter uma direção. Isto aqui não é um partido para desfile de egos e quem está à espera no sofá é melhor se manifestar agora, porque não há nenhuma desculpa para não irem agora a eleições”, afirmou.

Miguel Albuquerque explicou que, apesar de ter admitido que se afastaria da vida política ativa, houve uma “alteração de circunstâncias bastante evidente” que o fez voltar atrás.

“Eu estou aqui para servir a Madeira, não estou agarrado ao poder”, disse, para logo acrescentar: “Mas, agora, uma coisa que eu não aceito é em determinadas circunstâncias ser excluído da vida pública porque sim. Tem que haver uma razão. E a razão principal para uma pessoa ser excluída da vida pública é a decisão democrática dos eleitores, dos madeirenses e dos porto-santenses. Essa é a razão fundamental.”

E reforçou: “Quem escolhe e quem determina o meu futuro são os madeirenses e os porto-santenses.”

O chefe do executivo madeirense indicou, no entanto, estar disponível para ser ouvido no processo em que foi constituído arguido.

Em 24 de janeiro, a Polícia Judiciária (PJ) realizou cerca de 130 buscas domiciliárias e não domiciliárias sobretudo na Madeira, mas também nos Açores e em várias zonas do continente, no âmbito de um processo que investiga suspeitas de corrupção ativa e passiva, participação económica em negócio, prevaricação, recebimento ou oferta indevidos de vantagem, abuso de poderes e tráfico de influência.

Na sequência desta operação, a PJ deteve o então presidente da Câmara do Funchal, Pedro Calado (PSD), que já renunciou ao cargo, o líder do grupo de construção AFA, Avelino Farinha, e o principal acionista do grupo ligado à construção civil Socicorreia, Custódio Correia. Os três arguidos foram libertados na quarta-feira com termo de identidade e residência, três semanas após as detenções.

Últimas de Política Nacional

O CHEGA defendeu ontem que o primeiro-ministro, Luís Montenegro, "perdeu por completo o controlo da situação" relativa ao ministro da Administração Interna e insistiu na saída de Luís Neves do cargo.
O Ministério da Justiça (MJ) ordenou uma auditoria interna à Polícia Judiciária (PJ) na sequência das notícias sobre o funcionamento desta polícia no mandato do ex-diretor nacional e atual ministro da Administração Interna, Luís Neves.
Luís Neves está novamente no centro da polémica. O atual ministro da Administração Interna vai ser julgado no Tribunal de Contas por infrações financeiras cometidas quando era diretor nacional da Polícia Judiciária (PJ), num caso relacionado com contratos públicos que, segundo o tribunal, não cumpriram as regras da contratação pública.
O CHEGA defende que Portugal deve exigir a exclusão de Marrocos da organização conjunta do Mundial de Futebol de 2030, na sequência da invasão massiva de migrantes em Ceuta.
O CHEGA defende que Portugal deve exigir a exclusão de Marrocos da organização conjunta do Mundial de Futebol de 2030, na sequência da invasão massiva de migrantes em Ceuta.
O movimento de professores Missão Escola Pública (MEP) considerou hoje que será "praticamente impossível" concluir as reapreciações da 1.ª fase dos exames nacionais até sexta-feira, relatando casos de docentes convocados nos últimos dias.
O presidente do Chega considerou ontem que os dados sobre a dívida pública evidenciam uma "péssima gestão" do Governo, além de uma "enorme incompetência", e defendeu que este "é um dado que não deve ser desvalorizado".
O presidente do CHEGA, André Ventura, afirmou que os responsáveis pela invasão do seu gabinete devem ser afastados "da Assembleia da República e da vida política".
O Presidente do CHEGA voltou a pedir a demissão do ministro da Administração Interna e a intervenção do Presidente da República, considerando que as polémicas com Luís Neves estão a levar a uma "degradação da autoridade do Estado".
A escolha é entre André Ventura, do CHEGA, e Luís Montenegro, do PSD. Para os inquiridos da última sondagem da Aximage, André Ventura ocupa o primeiro lugar no pódio, com 44% dos inquiridos a considerá-lo o Líder da direita em Portugal. Em segundo lugar surge Luís Montenegro, atual Primeiro-ministro, com 43% dos votos.