Ventura acusa Montenegro de chantagem e avisa que “vai correr mal”

O líder do CHEGA acusou hoje o primeiro-ministro de querer chantagear os partidos e alertou que "vai correr mal", insistindo na necessidade de diálogo, tendo Luís Montenegro recusado a crítica e garantido que "há predisposição" para conversar.

© Folha Nacional

Num pedido de esclarecimento durante o debate sobre o programa do XXIV Governo Constitucional, André Ventura considerou que esta legislatura “não começou bem”.

“Não começa bem porque vem a um parlamento onde não tem nada aproximado com uma maioria e diz aos deputados que aqueles que hoje viabilizarem o programa de Governo estão amarrados a viabilizar tudo do Governo até ao fim da legislatura”, afirmou.

O presidente do CHEGA disse que os partidos que “poderiam verdadeiramente construir uma maioria” vão permitir ao executivo governar, chumbando as moções de rejeição apresentadas por BE e PCP, e acusou o primeiro-ministro de estar “apostado em tudo para derrubar tudo, de qualquer maneira, o mais rápido possível”.

“E por isso quase que diz ao PS e ao CHEGA se nos derem hoje cartão branco têm de dar até ao fim da legislatura”, considerou, afirmando que “se quiser ir ao chão já hoje é já hoje que se resolve, ou amanhã”.

“Chantagem é coisa que a Assembleia da República não deve ter”, salientou, assinalando que o CHEGA “não se deixará chantagear”.

Ventura disse que o PSD, após as eleições legislativas de 10 de março, “ficou em igualdade e deputados com o PS, e tem um partido à sua direita com mais de um milhão de votos e 50 deputados”, e, ainda assim, assumiu uma postura de “não falar com ninguém”.

Dizendo que “o primeiro-ministro, inspirado no modelo ‘neocavaquista,’ acha que é o deixem-me trabalhar que vai resolver as coisas”, o líder do CHEGA alertou: “Vai correr mal, senhor primeiro-ministro, vai correr mal”.

André Ventura pediu a Luís Montenegro que “tenha a humildade que os portugueses lhe pediram no dia 10, a de governar verdadeiramente à direita”, e criticou o Governo por ter incluído no programa que é hoje debatido no parlamento mais de 30 propostas do PS.

“O homem que ia varrer o socialismo de Portugal e que dizia que este era o pior Governo, foi pôr-se nas mãos do PS”, criticou.

Ventura criticou ainda o PSD por não ter manifestado apoio à sua proposta para a constituição de uma comissão parlamentar de inquérito ao caso das gémeas luso-brasileiras que foram tratadas em Lisboa com um mediamento de milhões de euros.

Na resposta, o primeiro-ministro salientou que o compromisso do executivo é “manter o diálogo com todos os deputados” no parlamento.

“Não há chantagem, há predisposição para o diálogo político”, indicou.

Luís Montenegro afirmou que os partidos são “responsáveis por cumprir as regras do jogo democrático” e acusou o presidente do CHEGA de mudar de opinião “às vezes até no próprio dia”.

“Se não rejeitamos o programa do Governo, significa que conferimos ao Governo capacidade para executar o programa. Seria estranho que num dia não rejeitássemos o programa de Governo e no seguinte deitássemos o Governo abaixo”, sustentou.

Luís Montenegro garantiu que o PSD não alinha “pelo radicalismo ou demagogia” e contrapôs que “o Governo começou bem, o Governo é bom e já está a governar bem”.

“Claro que o senhor deputado dirá o contrário, faz parte das regras e da dialética política, mas deixe-me dizer-lhe, estamos disponíveis no Governo para assumir todos os compromissos que se compaginam com a execução deste programa”, salientou.

O primeiro-ministro indicou que o Governo vai utilizar a sua capacidade executiva e legislativa para “transformar em decisões os principais enunciados no programa do Governo” e vai levar ao parlamento propostas de lei que espera que sejam debatidas e melhoradas pelos partidos.

Pegando na questão da comissão de inquérito, Montenegro deixou também um recado a André Ventura: “Dizer que o grande bloqueio hoje da saúde portuguesa é haver ou não haver uma comissão de inquérito no parlamento sobre este tema, é manifestamente exagerado e é por essas e por outras que o senhor deputado às vezes não se coloca em condições de assumir responsabilidades maiores”.

 

Últimas de Política Nacional

O presidente do CHEGA disse hoje que o seu partido poderá viabilizar a criação da Prestação Social Única (PSU) na generalidade se o PSD aceitar limitar os apoios sociais para imigrantes, desafiando os sociais-democratas a aceitar esse "compromisso".
O CHEGA/Açores apresentou dois requerimentos no parlamento açoriano a questionar o Governo Regional sobre "a exclusão" dos agricultores açorianos de apoios extraordinários aprovados pela República e sobre "a falta de limpeza" no Porto dos Carneiros, na Lagoa.
A consultora Wise Healthcare Solutions (WiseHS), fundada por Eurico Castro Alves, ex-secretário de Estado da Saúde do PSD e antigo presidente do Infarmed, apresentou à sociedade portuguesa de canábis medicinal Sync Nature um empresário brasileiro condenado por tráfico de cocaína e apontado pelas autoridades brasileiras como elemento ligado ao Primeiro Comando da Capital (PCC), uma das maiores organizações criminosas da América Latina.
O CHEGA/Açores pediu esclarecimentos ao Governo açoriano sobre "a verdadeira dimensão" do consumo de álcool entre os jovens, alertando para "o aparecimento de casos cada vez mais precoces" de dependência alcoólica, foi anunciado.
Ventura referiu que o CHEGA deu margem ao PSD para mudar o pacote laboral, acreditando que o partido pudesse afastar-se “dos velhos vícios políticos”.
O CHEGA reclamou hoje uma "grande vitória" na revisão constitucional e considerou haver condições para alterar a Lei Fundamental, após o acordo com o PSD que estima a conclusão do processo até ao final da próxima sessão legislativa.
O CHEGA vai votar contra a autorização legislativa pedida pelo Governo para legislar por decreto sobre a criação da Prestação Social Única, anunciou o líder do partido, defendendo uma "discussão aprofundada" no parlamento sobre este tema.
O CHEGA recebeu ‘luz verde’ para levar a plenário o seu requerimento para ser reapreciado o decreto que cria a pena acessória de perda da nacionalidade, diploma chumbado pelo Tribunal Constitucional.
O líder do CHEGA acusa comunistas de hipocrisia política e diz que foi durante a geringonça que os portugueses sofreram “uma brutal perda de poder de compra”.
O socialista Miguel Coelho suspendeu hoje o mandato de deputado à Assembleia Municipal de Lisboa, na sequência de investigações sobre adjudicações, inclusive na Junta de Freguesia de Santa Maria Maior.