Ventura acusa Montenegro de “empurrar partidos” para crise política

O CHEGA acusou hoje o primeiro-ministro de "empurrar os partidos" para uma crise política e desafiou Luís Montenegro a admitir, até sexta-feira, que a viabilização do Programa do Governo não significa um apoio para toda a legislatura.

© Folha Nacional

André Ventura disse ver “com particular preocupação a estratégia que Luís Montenegro trouxe hoje ao parlamento de basicamente procurar encostar os partidos a dizer que quem não obstaculizar hoje o programa de Governo está no fundo a vincular-se para o cumprimento desta legislatura”.

“Luís Montenegro sabe que não é assim e Luís Montenegro sabe que, ao fazer e ao dizer isso, está a empurrar os partidos precisamente para a criação de uma crise política absolutamente desnecessária”, defendeu.

André Ventura falava aos jornalistas na Assembleia da República, enquanto decorria o debate sobre o programa do XXIV Governo Constitucional.

O CHEGA posicionou-se contra as moções de rejeição do Programa do Governo apresentadas por PCP e BE para “permitir que entre em funções e que possa, com o tempo, negociar, dialogar e chegar aos consensos necessários” para o Orçamento do Estado e para “fazer avançar o país” e “resolver problemas estruturais”.

“A estratégia de dizer que quem hoje não obstaculizar o programa do Governo está, no fundo, a dar uma carta branca para a legislatura e que quem vier depois dizer que quer diferente está em contradição com o que está a ser feito agora é uma de duas estratégias: ou absolutamente irresponsável, ao querer provocar desnecessariamente ou o CHEGA o PS na fase em que estamos, ou suicidário do ponto de vista político governativo”, defendeu.

André Ventura acusou o Governo de “falta de humildade”, e considerou tratar-se de uma “falta de responsabilidade tremenda, de uma provocação tremenda aos partidos”.

O presidente do CHEGA disse esperar que o primeiro-ministro encontre até sexta-feira à tarde “a forma, o modo, de transmitir aos portugueses” que “os partidos que não obstaculizem o programa de Governo não se tornarão apoiantes construtivos, consecutivos e consistentes” do executivo PSD/CDS-PP.

“Caso isso não aconteça, então o principal causador de instabilidade é mesmo o primeiro-ministro, porque num contexto parlamentar como este vem aqui dizer ou estão comigo ou estão absolutamente contra mim, e se estiverem comigo agora, estão comigo para sempre. Isto não é de um primeiro-ministro responsável, nem é de um primeiro-ministro com humildade, nem é de um primeiro-ministro que quer evitar impasses e quer evitar crises”, disse.

André Ventura foi questionado várias vezes sobre que consequências poderão existir caso Luís Montenegro não aceda a este desafio, mas nunca concretizou, dizendo não querer colocar esse cenário por acreditar que o chefe de Governo “vai ouvir”.

O líder do CHEGA recusou esclarecer também se poderá alterar o sentido de voto ou mesmo apresentar uma moção de censura ao Governo.

“Parece que o senhor primeiro-ministro veio hoje ao parlamento provocar deliberadamente uma crise política e não interessa a ninguém que nós amanhã à tarde saiamos daqui com uma crise política mais profunda do que aquela em que estamos”, afirmou.

O líder do CHEGA disse querer acreditar que Montenegro “é suficientemente inteligente para dar o sinal que o país precisa”, caso contrário, será uma “provocação absolutamente desnecessária”.

Ventura rejeitou também estar a ameaçar o Governo e apontou que é “uma constatação de que em democracia quando não há maiorias, negoceia-se, cede-se e apresentam-se propostas alternativas”.

O presidente do CHEGA disse que o seu partido decidiu votar contra as moções de rejeição ao programa do Governo porque “não se deve rejeitar um governo sem ter um governo para apresentar”.

“Ao não viabilizar as moções de rejeição, sejam elas quais forem, o CHEGA a única coisa que está a transmitir ao senhor primeiro-ministro e ao país é que não quer criar uma situação de bloqueio às instituições e que não quer criar uma situação de bloqueio à ação governativa, com responsabilidade”, sustentou.

Últimas de Política Nacional

O Ministério Público (MP) acusou o presidente da Câmara de Oeiras, Isaltino Morais, e outros 22 arguidos, incluindo vereadores e funcionários, de peculato e de abuso de poder por gastos de 150 mil euros em refeições pagas pelo município.
O presidente da Assembleia da República solicitou à Comissão de Transparência a abertura de um inquérito às afirmações da deputada do PS Isabel Moreira no debate dos diplomas sobre mudança de género, após queixa do líder parlamentar do PSD.
Quando vários crimes muito graves são julgados no mesmo processo, a pena final nem sempre acompanha a gravidade do que foi feito. É essa lógica que o CHEGA quer alterar.
O presidente do CHEGA condenou hoje o ataque contra participantes na Marcha pela Vida e pediu todos os esclarecimentos à PSP e Governo, considerando que não pode haver violência "boa ou má" conforme se é de esquerda ou de direita.
O presidente do CHEGA disse hoje ter garantia "política e negocial" que haverá dois nomes indicados pelo PSD e um pelo seu partido para os juízes para o Tribunal Constitucional, eleições cuja data será definitivamente proposta na quarta-feira.
O presidente do CHEGA disse hoje que há condições para aprovar nos próximos dias a nova lei do retorno proposta pelo Governo com alterações do seu partido, esperando que o Tribunal Constitucional não volte a ser "força de bloqueio".
Pagar a casa já é difícil. Pagar ao banco para sair mais cedo do crédito pode tornar-se ainda mais. É precisamente isso que o CHEGA quer mudar. O partido apresentou no Parlamento um projeto de lei que pretende acabar com a comissão cobrada pelos bancos quando os clientes fazem reembolsos antecipados em créditos à habitação com taxa variável.
O CHEGA quer que Portugal leve à União Europeia e às Nações Unidas uma proposta para classificar o movimento Antifa como organização terrorista. A iniciativa deu entrada no Parlamento através de um projeto de resolução e coloca o tema da segurança e da violência política no centro do debate.
O presidente do CHEGA, André Ventura, acusou Bruxelas de ser "símbolo de censura e ditadura" e salientou o papel do seu partido no combate à imigração ilegal em Portugal.
Meses depois das tempestades que deixaram um rasto de destruição em várias regiões do país, continuam as dúvidas sobre como estão a ser atribuídos os apoios públicos. Quem recebeu? Quem ficou de fora? E com base em que critérios?