CHEGA quer ouvir ministro da Defesa sobre serviço militar obrigatório

O CHEGA propôs hoje a audição no parlamento, com caráter de urgência, do ministro da Defesa Nacional depois de Nuno Melo ter defendido que o serviço militar poderia ser uma alternativa para jovens que cometem pequenos delitos.

© Folha Nacional

De acordo com o requerimento divulgado hoje, e dirigido ao presidente da Comissão de Defesa Nacional, Pedro Pessanha (CHEGA), os deputados do CHEGA querem ouvir o ministro e líder do CDS-PP tendo em conta a “relevância do tema para a sociedade portuguesa e para a integridade das Forças Armadas”.

O CHEGA pretende “esclarecimentos sobre esta proposta, suas implicações e os estudos ou análises que a sustentam”.

“Foi com profunda preocupação que tomamos conhecimento, através de declarações recentemente divulgadas, da proposta avançada pelo senhor ministro da Defesa Nacional, Nuno Melo, que sugere a inclusão de jovens delinquentes no serviço militar como alternativa às instituições de reabilitação, as quais são descritas como ‘escolas de crime'”, refere o CHEGA.

O partido considera que “esta proposta, além de revelar uma visão simplista e redutora sobre a complexidade dos problemas sociais e criminais enfrentados por jovens em situação de vulnerabilidade, parece ignorar os princípios fundamentais que regem as Forças Armadas e o serviço militar”.

O CHEGA diz ser “imperativo questionar a eficácia e a ética de utilizar o serviço militar e as Forças Armadas, uma instituição basilar da Defesa Nacional e de representação da soberania do Estado, como meio de reabilitação social” e defende que “o serviço militar, com suas exigências, disciplina e valores, não deve ser visto como um mecanismo punitivo ou alternativo ao sistema de justiça juvenil”.

“Por outro lado, a proposta levanta sérias questões sobre a segurança, tanto para os jovens envolvidos quanto para os membros das Forças Armadas”, argumentam os deputados, sustentando que “a integração de indivíduos com histórico de delinquência, sem um processo adequado de avaliação e acompanhamento, pode comprometer a coesão, a moral e a eficácia operacional das unidades militares”.

Esta segunda-feira, a ministra da Administração Interna concordou que o serviço militar obrigatório pode ser uma alternativa para jovens que cometam pequenos delitos, à semelhança do que tinha defendido Nuno Melo.

“Aquilo que temos de admitir é que todas as soluções é intenção do Governo implementá-las, adaptá-las aos atuais contextos que, como sabem, são muito exigentes”, referiu a ministra.

A declaração da ministra surge após Nuno Melo ter defendido, no fim de semana, na Universidade Europa, uma iniciativa de formação política do PSD, que o serviço militar poderia ser uma alternativa para jovens que cometem pequenos delitos em vez de serem colocados em instituições que, “na maior pare dos casos, só funcionam como uma escola de crime para a vida”, ao mesmo tempo que afirmou não haver condições políticas para voltar a impor o serviço militar obrigatório.

O diploma que regula o regime aplicável em matéria penal aos jovens com idade entre os 16 e os 21 anos é de 1982 e possibilita que a “um jovem imputável até aos 21 anos possa ser aplicada tão-só uma medida corretiva”.

As medidas possíveis previstas no diploma, que só se aplicam quando estão em causa penas de prisão até dois anos, são a admoestação, a imposição de determinadas obrigações que tenham em conta a “dignidade e a reinserção social do jovem”, a multa e, por último, o internamento em centros de detenção.

Últimas de Política Nacional

Ventura referiu que o CHEGA deu margem ao PSD para mudar o pacote laboral, acreditando que o partido pudesse afastar-se “dos velhos vícios políticos”.
O CHEGA reclamou hoje uma "grande vitória" na revisão constitucional e considerou haver condições para alterar a Lei Fundamental, após o acordo com o PSD que estima a conclusão do processo até ao final da próxima sessão legislativa.
O CHEGA vai votar contra a autorização legislativa pedida pelo Governo para legislar por decreto sobre a criação da Prestação Social Única, anunciou o líder do partido, defendendo uma "discussão aprofundada" no parlamento sobre este tema.
O CHEGA recebeu ‘luz verde’ para levar a plenário o seu requerimento para ser reapreciado o decreto que cria a pena acessória de perda da nacionalidade, diploma chumbado pelo Tribunal Constitucional.
O líder do CHEGA acusa comunistas de hipocrisia política e diz que foi durante a geringonça que os portugueses sofreram “uma brutal perda de poder de compra”.
O socialista Miguel Coelho suspendeu hoje o mandato de deputado à Assembleia Municipal de Lisboa, na sequência de investigações sobre adjudicações, inclusive na Junta de Freguesia de Santa Maria Maior.
Líder do CHEGA fala em “governação de improviso”, acusa Executivo de esconder falhas no SIRESP e diz que famílias continuam abandonadas meses após os estragos provocados pelas tempestades.
O presidente do CHEGA disse que vai tentar, na especialidade, "corrigir o que está mal" na reforma do Tribunal de Contas, mas espera que a lei não seja aprovada em votação final global e não entre em vigor.
O índice de coincidência parlamentar revela que sociais-democratas votam mais vezes da mesma forma que o PS do que o CHEGA coincide com a votação dos socialistas na Assembleia da República.
O presidente do CHEGA anunciou hoje o pedido de audição parlamentar urgente do ministro da Administração Interna, do secretário-geral adjunto demissionário António Pombeiro e do general Paulo Viegas Nunes, questionando a “integridade” desta escolha para o SIRESP.