Terroristas vandalizam e saqueiam lojas em Macomia

Populares de Macomia, província moçambicana de Cabo Delgado, relataram hoje à Lusa que o grupo terrorista que ocupou a vila sede distrital está a vandalizar e saquear lojas, distribuindo parte desses produtos à população.

© D.R.

“Hoje, pelas 10:00 [09:00 em Lisboa], os terroristas começaram a vandalizar lojas na vila sede de Macomia e a distribuir arroz, óleo, sabão, e outros bens da primeira necessidade, boa parte da população beneficiada é de Mucojo”, descreveu uma fonte da população local, a partir do seu esconderijo.

A população acrescentou que parte das lojas que se encontram no centro da vila, sob ataque do grupo terrorista desde as primeiras horas de sexta-feira, foram vandalizadas e os produtos levados. Enquanto distribuem os produtos alimentares saqueados, os insurgentes desencorajam a fuga da população para as matas.

“Pediram para a população não fugir porque não têm intenção de matar ninguém. Só que não acreditamos”, disse a fonte.

Parte dos produtos saqueados nas lojas locais foram ainda transportados para parte incerta pelos insurgentes, usando motos da população.

“Levaram alguns produtos para as matas e estão a usar meios da população, na sua maioria motas”, explicou outra fonte local.

Segundo a descrição feita à Lusa pelos populares, por volta das 12:00 locais (11:00 em Lisboa) de hoje, os insurgentes permaneciam em Macomia, ouvindo-se disparos até então por toda a vila.

“A situação não está boa, a vila está num absoluto silêncio, só se ouve o ruído de motorizadas e drones que eles mesmos estão a usar”, descreveu uma fonte a partir das matas de Macomia.

“Temos acesso à vila, mas eu ainda não fui. Tem gente a ir para lá, leva comida e volta e sei que as casas estão intactas”, descreveu igualmente.

O Ministério da Defesa Nacional confirmou na sexta-feira um “ataque terrorista”, durante a madrugada, à vila de Macomia, garantindo que um dos líderes do grupo foi ferido pelas Forças Armadas de Defesa de Moçambique (FADM) e outro morto.

“O ataque durou cerca de 45 minutos e os terroristas foram prontamente repelidos pela ação coordenada das nossas forças, que obrigaram o inimigo a recuar, em direção ao interior do posto administrativo de Mucojo”, lê-se num comunicado do Ministério da Defesa Nacional.

Acrescenta que o ataque aconteceu cerca das 04:45 locais (03:45 em Lisboa) e que, no “confronto”, as FADM “capturaram um terrorista e feriram um dos líderes, conhecido por ‘Issa’, que conseguiu escapar, não havendo registo de óbitos ou feridos por parte das Forças Armadas”.

“Posteriormente, o terrorista capturado veio a perder a vida por ferimentos graves”, lê-se.

O Presidente de Moçambique, Filipe Nyusi, já tinha confirmado, ao final da manhã de sexta-feira, este ataque à sede distrital de Macomia, explicando que aconteceu numa zona antes controlada pelos militares da missão dos países da África austral, que está em progressiva retirada até julho.

“É verdade que é uma zona ocupada pelos nossos irmãos que nos apoiam, em retirada. Mas os que estão no terreno são 100% os moçambicanos. Talvez possa haver um reforço (…). Como estão de saída. Espero que consigamos nos organizar melhor, porque o tempo de transição dá isso”, reconheceu, enaltecendo a intervenção em curso dos militares moçambicanos.

Os tiroteios na sede distrital começaram durante a madrugada, com os rebeldes a aparecerem no centro da vila, vindos da estrada de Mucojo, relataram fontes locais ao início da manhã de sexta-feira, à Lusa.

Indicaram igualmente que a vila sede distrital de Macomia estava tomada por mais de uma centena de insurgentes.

A vila de Macomia situa-se na estrada Nacional 1 (N1), que faz a ligação aos distritos mais ao norte, casos de Muidumbe, Nangade, Mueda, Mocimboa da Praia e Palma, pelo que este ataque interrompe igualmente a comunicação por terra aos cinco distritos.

A província enfrenta desde outubro de 2017 uma rebelião armada com ataques reclamados por movimentos associados ao grupo extremista Estado Islâmico.

Últimas do Mundo

O número de cidadãos portugueses e lusodescendentes que morreram no duplo sismo que atingiu a Venezuela há uma semana subiu para 96 e registam-se 60 portugueses desaparecidos, anunciou hoje o Ministério dos Negócios Estrangeiros (MNE).
A Polícia Judiciária (PJ) deteve três suspeitos e identificou oito vítimas numa operação internacional de combate ao tráfico humano e exploração sexual, que fez mais de mil detidos em 59 países.
O número de mortes aumentou quase 30% em França e 62% só na região de Paris durante a semana de 22 de junho, o pico da onda de calor que assolou o país, anunciou hoje a agência Santé publique France.
O número de portugueses e lusodescendentes mortos devido aos sismos de quarta-feira na Venezuela subiu para 79, havendo ainda 64 desaparecidos, segundo o mais recente balanço hoje divulgado pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros (MNE).
A sede da Federação Alemã de Futebol (DFB), em Frankfurt, foi hoje alvo de buscas por parte da polícia relacionadas com suspeitas de corrupção na organização do Euro2024, confirmou o organismo à agência France-Presse (AFP).
As sucessivas ondas de calor que atingem a Europa estão a reacender o debate sobre o uso do ar condicionado, num momento em que vários responsáveis políticos e especialistas defendem soluções que reduzam a dependência destes equipamentos devido ao seu "impacto ambiental".
Pelo menos 1.028 mortes relacionadas com o calor foram registadas em Espanha em junho, segundo dados publicados hoje pelo Instituto de Saúde Carlos III, em Madrid.
A Alemanha deteve hoje um cidadão romeno acusado de tentar fundar uma organização terrorista de extrema-direita para provocar o colapso do Estado e contribuir para a criação de um regime nacional-socialista, anunciou o Ministério Público Federal.
Uma operação conjunta da Polícia Judiciária (PJ) e da Guarda Civil espanhola desmantelou uma rede que se dedicava ao tráfico de pessoas, fez cinco detidos e resgatou dois homens cativos há décadas, anunciaram hoje as autoridades portuguesas.
Pelo menos cinco pessoas morreram hoje num tiroteio na cidade de Stade, no norte da Alemanha, e um suspeito foi detido, segundo os meios de comunicação locais.