Albuquerque admite formar governo minoritário e não espera nada do CHEGA

O cabeça de lista do PSD às eleições regionais antecipadas de 26 de maio na Madeira, Miguel Albuquerque, admitiu hoje a possibilidade de formar um governo minoritário e disse não estar à espera do CHEGA para nada.

© Facebook/Luís Montenegro

“Ogoverno minoritário é uma hipótese, mas é uma má hipótese, porque o governo minoritário está sempre sujeito a um conjunto de contingências que fazem com que as decisões sejam adiadas, não se possa planear as coisas com tempo e isso a Madeira não está habituada”, afirmou.

Miguel Albuquerque, também líder da estrutura regional social-democrata e chefe demissionário do executivo PSD/CDS-PP, falava aos jornalistas no âmbito de uma iniciativa de campanha na freguesia do Faial, concelho de Santana, no norte da ilha, onde visitou o terreno onde o Governo Regional pretende construir um centro de acolhimento empresarial.

“Eu acredito que vou ter a maioria. Depois, a questão da governabilidade é para ver ‘a posteriori’, porque nós só podemos equacionar a governabilidade em função do resultado das eleições, não é ‘a priori’, não é antes”, disse, reforçando que o objetivo do PSD é “fazer tudo para ganhar com uma maioria clara e depois constituir um governo”.

O cabeça de lista social-democrata reagia às declarações do líder do CHEGA, André Ventura, no domingo, que disse que o partido não faria qualquer acordo com o PSD.

“Ele diz uma coisa e depois diz outra, é o habitual”, afirmou Miguel Albuquerque, salientando que não está “à espera do CHEGA para nada”.

“Estou preocupado é que o CHEGA cresça, porque o CHEGA é um partido anti-autonomista e que faz do populismo de taberna o mote que vulnerabiliza as nossas democracias”, acrescentou.

Miguel Albuquerque disse ainda ser necessário respeitar a vontade dos eleitores, sublinhando que “quem determina as maiorias e os governos não é os analistas políticos nem sequer os líderes políticos, é quem vota”.

O candidato social-democrata considerou também que, apesar de o PSD governar a região autónoma há 48 anos, não haverá alternância política com as eleições antecipadas.

“Os madeirenses estão conscientes daquilo que foi conseguido”, disse, recordando “o maior crescimento económico de sempre na região”, o investimento público e investimento privado, o Produto Interno Bruto (PIB) que “vai atingir este ano 7.000 milhões de euros, quando em 2015 era 4.000 milhões”, além de a região ter em execução neste momento a maior obra do país – o novo Hospital Central Universitário da Madeira -, ter dos impostos mais baixos do país e devolver 560 milhões de euros em IRS e IRC.

A visita ao local onde está prevista a construção do Centro de Acolhimento Empresarial do Faial, um projeto a ser financiado pelo programa Madeira 2030, contou com a presença de dois secretários regionais, Pedro Fino, do Equipamento e Infraestruturas, e Rogério Gouveia, das Finanças.

As legislativas da Madeira decorrem com 14 candidaturas a disputar os 47 lugares no parlamento regional, num círculo eleitoral único: ADN, BE, PS, Livre, IL, RIR, CDU (PCP/PEV), CHEGA, CDS-PP, MPT, PSD, PAN, PTP e JPP.

As eleições antecipadas ocorrem oito meses após as mais recentes legislativas regionais, depois de o Presidente da República ter dissolvido o parlamento madeirense, na sequência da crise política desencadeada em janeiro, quando o líder do Governo Regional (PSD/CDS-PP), Miguel Albuquerque, foi constituído arguido num processo em que são investigadas suspeitas de corrupção.

Em setembro de 2023, a coligação PSD/CDS venceu sem maioria absoluta e elegeu 23 deputados. O PS conseguiu 11, o JPP cinco o CHEGA quatro, enquanto a CDU, a IL, o PAN (que assinou um acordo de incidência parlamentar com os sociais-democratas) e o BE obtiveram um mandato cada.

Últimas de Política Nacional

André Ventura continua a subir, consolida terreno e já alcança 32,2% das intenções de voto quando são considerados os indecisos, segundo a sondagem diária da CNN Portugal.
O candidato presidencial André Ventura não respondeu às críticas do presidente da Câmara de Leiria por ter iniciativas de campanha nesta região afetada pelo mau tempo e considerou tratar-se de "picardias políticas".
O candidato presidencial André Ventura defendeu hoje uma “profunda auditoria” à Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC), acusando o Governo de “desleixo” na resposta à depressão Kristin.
O parlamento decidiu por unanimidade hoje suspender os trabalhos da comissão parlamentar de inquérito (CPI) ao Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM) durante a próxima semana, devido à segunda volta das eleições presidenciais.
PSD e CDS reprovaram hoje uma resolução do CHEGA para que o Governo agisse no sentido de impor a toda a rede consular portuguesa "informação clara e atualizada" visando facilitar o voto nas eleições presidenciais.
O Governo decidiu pagar 4404 euros brutos mensais a cada um dos quatro consultores do grupo de trabalho para a reforma do Estado, num total de 17 616 euros por mês — salários acima dos cargos máximos da Administração Pública.
Para André Ventura, a resposta do Estado aos estragos causados pela tempestade Kristin falhou no tempo e na liderança, com decisões tardias e ausência no terreno quando as populações mais precisavam.
A tempestade 'Kristin' deixou vítimas mortais e voltou a expor falhas graves na resposta do Estado. No Parlamento, o líder parlamentar do CHEGA acusou o PS de ter uma “memória curta” e de nunca ter corrigido erros estruturais que continuam a custar vidas.
André Ventura arranca a campanha no terreno, em zonas fustigadas pelo mau tempo, prometendo proximidade às populações e um choque frontal com o discurso da estabilidade defendido pelo adversário.
O candidato presidencial André Ventura lamentou hoje as mortes na sequência da depressão Kristin e disse que espera poder visitar zonas do país afetadas pelo mau tempo nos próximos dias.