Banco central de Angola revê em alta inflação para 23,4% em 2024

O banco central angolano reviu hoje em alta a inflação para este ano apontando para 23,4%, sobretudo devido à subida de preços do gasóleo e dos transportes coletivos urbanos de passageiros, assim como pela “inércia inflacionária”.

© D.R.

“Prevemos que os preços devem continuar a subir, daí esta revisão em alta da inflação, mas, naturalmente para que tal não aconteça, é necessário que nós continuemos com os esforços que vêm sendo feitos do lado da procura diante do controlo da liquidez em circulação na economia, que é responsabilidade do BNA” (Banco Nacional de Angola), disse hoje o seu governador, Manuel Tiago Dias.

O BNA decidiu hoje aumentos da sua taxa diretora, de 19% para 19,5%, e da taxa de juro da Facilidade Permanece de Cedência de Liquidez, de 19,5% para 20,5%, na tentativa de travar a inflação, decidiu manter a taxa de juro da Facilidade Permanente de Absorção de Liquidez em 18,5% e aumentar o coeficiente das reservas obrigatórias em moeda nacional de 20% para 21%.

O governador do BNA, que falava no final da reunião ordinária do Comité de Política Monetária (CPM) do organismo que tutela, assegurou também, em resposta aos jornalistas, que a alteração da taxa BNA não terá impacto na captação de financiamento externo.

“Claramente que não, porque Angola é uma economia aberta ao exterior e a dimensão das transações que o país realiza a nível dos mercados internacionais é extremamente limitada, por isso é que dizemos que é uma pequena economia aberta”, sustentou.

“Estamos expectantes que as medidas que foram tomadas visando o aumento da oferta de bens essenciais na economia venham a surtir os efeitos esperados e, naturalmente, contribuir para a desaceleração de preços na nossa economia”, disse.

A inflação em Angola voltou a aumentar em abril, pelo 12.º mês consecutivo, registando uma variação homóloga de 28,02%, um máximo de quase sete anos, segundo o Instituto Nacional de Estatística (INE).

A Folha de Informação Rápida (FIR) do Índice de Preços no Consumidor Nacional (IPCN) indica que esta variação representa um acréscimo de 17,61 pontos percentuais em relação à observada em igual período do ano anterior.

Em Luanda, capital do país, os preços dispararam 38,87%, um acréscimo de 28,77 pontos percentuais em relação ao período homólogo.

Em relação ao aumento do capital mínimo exigido pelo regulador às instituições financeiras (fixado em 15 mil milhões de kwanzas – 16,5 milhões de euros), o vice-governador do BNA, Pedro Castro e Silva, deu nota que o banco russo VTB, “em situação particular devido às sanções norte-americanas, é o único em falta”.

Daí que “estando nesta situação e tendo também uma carteira de depósitos em moeda norte-americana, não consegue operar com normalidade tal como operam os outros bancos, então, até que se resolva essa situação é normal que o banco continue a não fazer transações, incluindo o tema do capital social mínimo”, justificou.

Questionado sobre possibilidade de o Banco Keve se tornar acionista do grupo alimentar Carrinho (que já detém o Banco de Comércio e Indústria), por este ter financiado o aumento do seu capital de forma indireta, Pedro Castro e Silva referiu que o assunto está em análise por parte da Autoridade Reguladora da Concorrência (ARC) angolana.

“O facto de (o Grupo Carrinho) já ter um banco e agora a possibilidade de ter participação num outro leva a que seja necessária uma análise por parte da ARC, e é nessa etapa em que se encontra esse projeto”, respondeu aos jornalistas.

Últimas de Economia

Segundo os dados do Instituto Nacional de Estatística (INE), o aumento homólogo de 14,2% do valor mediano da avaliação bancária – realizada no âmbito de pedidos de crédito para a aquisição de habitação – ficou abaixo do registado em agosto (14,7%), enquanto a variação em cadeia se fixou em 1,1%.
A petrolífera portuguesa fechou os primeiros nove meses de 2026 com lucros de 1,4 mil milhões de euros. O aumento da produção de petróleo e a valorização do crude contribuíram para resultados equivalentes a mais de cinco milhões de euros por dia.
Um estudo da Católica-Lisbon SBE revela que 85,1% dos inquiridos manifestam elevados níveis de preocupação com o acesso à habitação, enquanto 92,1% têm preocupação com a subida dos preços.
O Imposto Municipal sobre Imóveis (IMI) vai aumentar em 2027 para milhares de proprietários portugueses, na sequência da atualização automática do Valor Patrimonial Tributário (VPT). A subida será de 3% para os imóveis destinados à habitação e de 4% para edifícios de comércio, serviços e indústria abrangidos pela atualização.
A editora Deco Proteste alertou hoje que alguns proprietários podem estar a pagar mais IMI do que deveriam, quando o valor patrimonial do imóvel não reflete a evolução de determinados fatores usados no cálculo do tributo.
A Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) alertou que a plataforma IronFX e a entidade Notesco (BVI) Limited não estão autorizadas a exercer atividades de intermediação financeira em Portugal. Em comunicado, a CMVM alerta para o facto de nem a plataforma IronFX nem a entidade Notesco (BVI) Limited estarem autorizadas para o exercício de qualquer atividade de intermediação financeira em Portugal ou para qualquer outra atividade sob a sua supervisão.
O investimento público previsto para a habitação deverá sofrer uma redução de 63% em 2027, após o fim do financiamento do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR). A quebra surge num período em que o acesso à casa continua a representar uma dificuldade para muitas famílias.
O Governo português pretende eliminar as restrições às rendas nos novos contratos, classificando-as como uma medida ideológica. Contudo, 23 países da OCDE mantêm mecanismos de regulação dos preços, incluindo economias como a Alemanha, França e Estados Unidos.
O líder do CHEGA/Madeira, Hugo Nunes, afirmou que o partido votará contra o Orçamento Regional 2027 se não for incluído o diferencial de 30% no IVA, que visa reduzir o custo de vida dos madeirenses.
Comprar casa em Portugal nunca exigiu tanto esforço financeiro às famílias. O país atingiu, em 2025, o pior índice de acessibilidade à habitação desde 1995, liderando pela negativa uma lista de 33 países analisados pela OCDE. Na última década, os preços das casas mais do que duplicaram, enquanto os rendimentos cresceram apenas 33%.