PJ quer reforçar cooperação internacional para Portugal ser um muro ao tráfico de droga

A Polícia Judiciária (PJ) quer reforçar a cooperação com as autoridades de outros países para que Portugal não seja um ponto de passagem do tráfico de droga e se torne “um muro” à entrada de estupefacientes na Europa.

© Facebook da PJ

Em declarações à Lusa, o diretor da Unidade Nacional de Combate ao Tráfico de Estupefacientes (UNCTE), Artur Vaz, destacou a “grande tradição de cooperação internacional” da PJ, mas assumiu que é preciso “ir mais além” perante “um acréscimo significativo do tráfico a nível mundial” nos últimos anos.

“Temos de intensificar as nossas capacidades internamente, que é o que temos vindo a fazer ao longo dos anos, e também criarmos alianças com outros países, de forma a que, de facto, consigamos fazer com que a Península Ibérica – e Portugal – seja um grande muro de contenção à entrada destas drogas no espaço europeu”, afirmou.

Segundo o responsável máximo do combate ao tráfico de droga na PJ, Portugal, devido à sua “posição geográfica” no extremo ocidental da Europa e às “relações muito próximas com vários países da América latina e da África ocidental”, tornou-se um alvo apetecível para organizações criminosas transnacionais que apostam, sobretudo, na entrada de droga por via marítima ou aérea no território nacional.

“As organizações criminosas aproveitam todas estas circunstâncias, mas, ainda assim, Portugal não é – nem pouco mais ou menos – uma das zonas mais ‘quentes’ ou relevantes em termos de entrada de drogas na União Europeia”, observou o diretor da UNCTE, descrevendo algumas destas organizações como “verdadeiras multinacionais”.

Face a esta realidade, Artur Vaz salientou a necessidade de garantir recursos humanos e técnicos para combater o tráfico, além das colaborações com autoridades de outros países.

“Os recursos disponíveis são sempre limitados e a PJ tem vindo a capacitar-se em termos de reforço de meios, nomeadamente humanos e tecnológicos, para combater este fenómeno. São sempre tarefas inacabadas, temos de estar permanentemente a estudar o fenómeno por forma a estarmos apetrechados para proteger a sociedade”, referiu.

Depois de em 2023 se terem batido recordes de apreensões, tendo sido apreendidas cerca de 22 toneladas de cocaína, 38 toneladas de haxixe e quantidades menores de outras drogas, Artur Vaz indicou, sem especificar números de 2024, que “a tendência das apreensões de cocaína se mantém em linha” com o último ano, sucedendo-se grandes apreensões, como a Operação Toro divulgada na sexta-feira e que resultou em 251 quilos de cocaína apreendidos.

Em sentido inverso, o diretor da UNCTE admitiu não haver registo de apreensões de quantidades muito relevantes de heroína e opiáceos sintéticos em 2024, sublinhando a lógica distinta do tráfico e a redução de apreensões destas substâncias já em 2023.

“A lógica do tráfico é diferente: quando falamos de opiáceos e heroína, o tráfico que existe é para abastecimento do consumo interno; quando falamos de tráfico de cocaína e haxixe, as grandes quantidades que são apreendidas em Portugal, normalmente, têm por destino outros países”, concluiu.

Últimas do País

Dois homens, residentes em Vila Nova de Gaia, foram detidos por furto, extorsão, falsificação de documentos e fraude fiscal durante uma investigação por tráfico e viciação de automóveis, indicou a Polícia Judiciária (PJ).
A PSP deteve na terça-feira dois homens, de 24 e 27 anos, na freguesia de Campo de Ourique, em Lisboa, por tráfico de estupefacientes, apreendendo mais de 23 quilos de heroína e um quilo de cocaína, além de munições.
Um homem de 68 anos foi detido pela GNR por suspeita de incêndio florestal em Alter do Chão, no distrito de Portalegre, após ter utilizado o fogo para realizar uma queimada extensiva que se descontrolou.
Rui Armindo Freitas é acionista da Media Capital, dona da TVI e da CNN Portugal, e admite também ter ações na empresa proprietária do ECO. O governante integra o ministério responsável pela tutela da comunicação social.
O diretor de gestão de risco da Proteção Civil alertou hoje os portugueses para a importância de estarem preparados para agir e adotar comportamentos de autoproteção em caso de sismo, lembrando que Portugal está numa zona de “particular vulnerabilidade”.
Um em cada quatro adolescentes não realizou qualquer tipo de atividade física em 2025, uma tendência de inatividade a nível global que se mantém sem alterações desde 2010, estimou hoje a Organização Mundial da Saúde (OMS).
A magistrada Ana de Campos determinou o cumprimento da chamada ‘lei da burca’ nos protestos pela habitação. A legislação prevê multas até 3000 euros para quem ocultar o rosto em espaços públicos.
Um professor ficou ferido esta quarta-feira após a explosão de um engenho pirotécnico no interior de uma sala de aula da Escola Secundária da Baixa da Banheira, no Vale da Amoreira. O artefacto terá sido lançado por alunos do 8.º ano, provocando a quebra de um vidro e ferimentos no docente.
Os balneários da Escola Secundária de Gondomar estão encerrados desde terça-feira, após a deteção de 'Legionella spp', segundo informou a escola à Lusa. As aulas decorrem normalmente, com adaptações nas aulas de Educação Física.
Cerca de 56 mil alunos não têm asseguradas todas as aulas no ano letivo de 2026/2027. A escassez de docentes continua a afetar as escolas portuguesas, apesar das medidas anunciadas pelo Governo para combater o problema.