Parlamento debate hoje suplemento remuneratório para forças de segurança

 A Assembleia da República debate hoje propostas do CHEGA, PCP e PAN para atribuir um suplemento remuneratório à PSP e à GNR, com as forças de segurança a protestarem em frente ao parlamento à mesma hora.

© Folha Nacional

O debate foi agendado pelo CHEGA , que apresenta quatro projetos de lei e três projetos de resolução (sem força de lei). Além destas iniciativas, os deputados vão debater também projetos de lei e de resolução do PS, BE, PCP e PAN, todos relacionados com as forças de segurança.

O CHEGA propõe a atribuição de um suplemento de missão à PSP, GNR e guardas prisionais equiparado ao da Polícia Judiciária, em substituição do “suplemento por serviço e risco nas forças de segurança, tanto na sua componente fixa como variável”.

De acordo com a proposta do CHEGA , este suplemento seria pago mensalmente, em 14 vezes, e indexado à remuneração base do diretor nacional da PSP e do comandante-geral da GNR, correspondendo a 19,6% desse valor.

Também o PCP propõe a atribuição de suplemento de missão para as forças e serviços de segurança, no valor de 200 euros quando entrar em vigor, “aumentando em janeiro de 2025 para 300 euros e em janeiro de 2026 para 450 euros. “A partir de 01 de janeiro de 2027, o suplemento de missão passa a estar indexado ao aumento do vencimento do diretor nacional da PSP e do comandante-geral da GNR”.

Os comunistas querem que este complemento seja atribuído também aos guardas prisionais, Polícia Marítima e ASAE.

O PAN leva igualmente ao debate uma proposta para atribuição de um suplemento mensal, abonado em 14 meses e de valor calculado por referência à remuneração base do diretor nacional da PSP e do comandante-geral da GNR. No caso da PSP seria de 10% para oficiais, 12% para chefes e 15% para agentes, enquanto para a GNR seria de 10% para oficiais, 12% para sargentos e 15% para guardas.

O PAN propõe que este suplemento de missão seja atribuído também a guardas-florestais, guardas prisionais, Polícia Marítima e ASAE.

De acordo com fonte oficial, o Governo não estará representado no debate.

Movimentos inorgânicos de elementos da PSP e da GNR, bem como algumas estruturas sindicais, estão a mobilizar-se para estar hoje durante a tarde na Assembleia da República, respondendo ao convite do presidente do CHEGA .

Apesar de as principais associações da GNR e sindicatos da PSP se terem demarcado desta convocatória do CHEGA , o Movimento Zero e o Movimento Inop estão a apelar aos polícias, através das redes sociais, para comparecem no protesto em frente à Assembleia da República e para marcarem presença nas galerias, um apelo bem como sindicatos da PSP sem representação. O único sindicato que tem direito a negociar com o Governo e que já avançou que estará presente nas galerias é o SIAP (Sindicato Independente dos Agentes de Polícia).

As palavras do primeiro-ministro de que o Governo não vai colocar “nem mais um cêntimo” na proposta para as forças de segurança podem exaltar ainda mais os ânimos entre os polícias tendo em conta a desmotivação, segundo contou à Lusa fonte sindical.

Fonte oficial da direção nacional da PSP disse à Lusa que o policiamento vai ser reforçado dentro e fora da Assembleia da República, como acontece em protestos semelhantes que decorrem junto àquele edifício.

Contactados pela Lusa, a maioria dos partidos recusou adiantar o sentido de voto, incluindo os que sustentam o Governo, PSD e CDS-PP que, na sequência destas declarações do líder do executivo, deverão votar contra estas iniciativas.

Em declarações aos jornalistas na quarta-feira, o líder do CHEGA considerou que este debate será “a prova dos nove sobre quem está ao lado das forças de segurança” e insistiu na mobilização dos polícias.

Últimas de Política Nacional

O candidato presidencial António José Seguro assumiu sem rodeios que usará todos os poderes de Belém para impedir soluções governativas à direita.
Apesar do estado de calamidade decretado em dezenas de concelhos após a tempestade Kristin, António José Seguro afasta qualquer adiamento das eleições presidenciais. O candidato sublinha que o processo já está em curso, lembra o voto antecipado em mobilidade e garante que estão asseguradas condições para votar no próximo domingo, numa posição que contrasta com a defendida por André Ventura.
O partido liderado por André Ventura exige explicações urgentes sobre indemnizações, resposta das seguradoras e atrasos no apoio a famílias e empresas afetadas pelo temporal que deixou mortos, destruição e prejuízos milionários.
O CHEGA quer levar o ministro da Agricultura ao Parlamento para explicar por que razão os agricultores afetados pela tempestade Kristin continuam sem liquidez, apesar das promessas de milhões anunciadas pelo Governo.
André Ventura diz que não existem condições mínimas para eleições e propõe suspender a segunda volta das eleições presidenciais a Belém, enquanto as populações lutam para sobreviver.
O Ministério Público angolano quer Ricardo Leitão Machado como arguido por suspeitas de burla qualificada em negócios avaliados em centenas de milhões de dólares. O empresário é cunhado do ministro da Presidência e está no centro de uma investigação que atravessa Angola, Portugal e os Estados Unidos.
Frederico Perestrelo Pinto, de 25 anos, passará a auferir 4.404 euros brutos mensais, um valor próximo do vencimento de um deputado. Nomeação assinada por três ministros levanta dúvidas.
O candidato presidencial André Ventura pediu hoje ao Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, para cancelar a visita a Espanha, prevista para sexta-feira, para poder estar junto das populações afetadas pelo mau tempo.
O candidato presidencial André Ventura afirmou hoje que parece que o país está "sem rei nem roque", criticando a ida do Presidente da República para fora do país e o não acionamento do Mecanismo Europeu de Proteção Civil.
A ministra da Administração Interna será chamada ao Parlamento para explicar a resposta à tempestade Kristin e as falhas do SIRESP, numa audição exigida pelo CHEGA, depois de relatos de comunicações cortadas e populações isoladas.