Pedro Sánchez convocado por juiz para testemunhar em caso que envolve a mulher

O primeiro-ministro de Espanha, Pedro Sánchez, foi hoje convocado para ser ouvido por um juiz na qualidade de testemunha, no caso em que a mulher está a ser investigada por suspeitas de tráfico de influências e corrupção.

© Facebook de Pedro Sánchez Pérez-Castejón

Segundo um comunicado do tribunal de Madrid que tem a instrução deste caso, o juiz deslocar-se-á no dia 30 de julho de manhã ao Palácio da Moncloa, a sede da presidência do Governo de Espanha, para ouvir Sánchez.

“Considera-se conveniente, útil e pertinente recolher a declaração do esposo da investigada, Pedro Sánchez Castejón”, argumenta o juiz, num despacho citado por vários jornais espanhóis.

O juiz que tem a instrução do caso de Begoña Gómez, a mulher do primeiro-ministro, aceitou assim o pedido para Sánchez ser ouvido apresentado pelas designadas “acusações populares”, que se constituíram na sequência da abertura da investigação judicial e que são encabeçadas pelo partido de Vox.

Na sexta-feira passada, Begoña Gómez invocou o seu direito ao silêncio e não foi ouvida pelo juiz que tutela o caso.

Begoña Gómez optou por não responder ao juiz “não por ter algo a esconder ou por não querer dar explicações”, mas porque assim a aconselhou a sua defesa, que considerou não estarem asseguradas “as garantias” previstas num Estado de direito, disse aos jornalistas o seu advogado, Antonio Camacho, na sexta-feira.

O advogado considerou que o juiz de instrução do caso não delimitou o objeto da investigação e realçou que dois relatórios da equipa de investigação policial enviados ao juiz concluíram que não existem indícios de irregularidades.

“Este procedimento carece de qualquer objeto neste momento” e “um juiz de instrução não pode investigar qualquer coisa, deve delimitar o objeto de investigação”, disse Antonio Camacho.

A investigação que envolve Begoña Gómez tem como base queixas de associações ligadas à direita e centra-se, em particular, na sua relação profissional com um empresário cujas empresas negociaram ajudas públicas ou participaram em concursos públicos num período em que Pedro Sánchez já era primeiro-ministro.

Em linha com as conclusões da investigação policial, o Ministério Público considerou não haver fundamentos no caso e pediu o arquivamento.

O juiz de instrução, no entanto, considerou haver indícios suficientes para continuar com a investigação e tem chamado diversas pessoas para prestar declarações.

Begoña Gómez, com uma formação em Marketing e gestão, especializou-se, na sua vida profissional, na angariação de fundos para fundações e organizações não-governamentais.

Sánchez e o Partido Socialista espanhol (PSOE) têm reiterado não haver nada que fundamente esta investigação judicial e que está em causa uma perseguição política e pessoal ao chefe do Governo e à sua família, sendo inevitável o arquivamento do caso.

Juntamente com a lei de amnistia para os independentistas catalães, este caso é há várias semanas o principal alvo de ataque ao primeiro-ministro e foi também o motivo que levou Sánchez a ponderar demitir-se no final de abril, dizendo-se vítima, com a família, de uma “máquina de lodo” que difunde mentiras e desinformação na Internet que são depois levadas para o debate político pela direita e pela direita radical e judicializadas com queixas de associações extremistas.

Últimas do Mundo

Peritos da ONU defendem hoje que os arquivos do pedófilo norte-americano Jeffrey Epstein mostram atrocidades de tal magnitude, carácter sistemático e alcance transnacional que poderiam ser consideradas legalmente como “crimes contra a humanidade”.
A rede social X, anteriormente Twitter, voltou ao normal por volta das 14h30 de hoje, após sofrer uma quebra em vários países uma hora antes, incluindo Estados Unidos, Portugal e Espanha, por causas ainda desconhecidas.
A Comissão Europeia foi alvo de buscas policiais em Bruxelas devido a suspeitas na venda de 23 imóveis ao Estado belga em 2024. A investigação está a cargo do Ministério Público Europeu, que confirmou diligências de recolha de provas.
Dados recentes da agência europeia FRONTEX indicam que, entre 2024 e 2025, mais de 100 mil pessoas entraram ilegalmente em Espanha pelas rotas do Mediterrâneo Ocidental e das Canárias. Cerca de 73% provêm de países sem conflitos armados generalizados.
As perdas seguradas por catástrofes naturais atingiram em 2025 os 127.000 milhões de dólares (cerca de 106.681 milhões de euros), ultrapassando os 100.000 milhões de dólares pagos pelo setor segurador pelo sexto ano consecutivo.
Uma operação policial europeia que incluiu 18 países e foi liderada por Áustria, Portugal e Espanha impediu a entrada em circulação de cerca de 1,2 mil milhões de euros em notas e moedas falsas de várias divisas.
A Comissão Europeia propôs hoje a criação de uma aplicação para reportar casos de cyberbullying e instou os Estados-membros a desenvolverem uma abordagem comum para combater o fenómeno, que atinge uma em seis crianças.
As autoridades francesas lançaram hoje um apelo por testemunhas depois de terem acusado um ex-professor de 79 anos de violação agravada e abuso sexual contra 89 menores em vários países entre 1967 e 2022.
A Comissão Europeia adotou esta segunda-feira, medidas para impedir a destruição de vestuário, roupa, acessórios e calçado não vendidos, visando reduzir os danos ambientais na União Europeia (UE), que rondam 5,6 milhões de toneladas de emissões poluentes por ano.
As autoridades do Brasil e de Espanha desmantelaram uma rede criminosa que traficava cocaína escondida em tampos de mármore de mesas e lavatórios, anunciou hoje a polícia espanhola.