CHEGA QUER PRISÃO PERPÉTUA PARA INCENDIÁRIOS

Ano após ano, Portugal tem sido severamente afetado pelos incêndios florestais. Uns anos mais graves do que outros, mas não há ano em que as televisões não estejam repletas de imagens devastadoras de povoações destruídas pelo fogo, de pessoas em desespero a tentar salvar os pertences de uma vida e os seus animais.

© LUSA/JOSE COELHO

Na passada terça-feira, ao final da tarde, Portugal registava um total de 105 incêndios ativos, muitos deles com início ao anoitecer, precisamente na altura em que os meios aéreos já não conseguem prestar o apoio necessário aos bombeiros que arriscam a vida no terreno para salvar as populações. 

“Continuo a não acreditar em fogos que aparecem às dez da noite, em zonas sem qualquer fogo em redor. Estamos a falar em ação criminosa”, disse André Ventura, Presidente do CHEGA, a este respeito. O fogo posto tem sido uma das maiores causas dos incêndios em Portugal, mas raramente se observam resultados concretos nas investigações ou condenações significativas.  Face a este cenário, André Ventura defendeu, em declarações aos jornalistas, a aplicação de prisão perpétua para os incendiários. “É muito simples, é tratar os incendiários como terroristas, e a partir daí podemos aplicar-lhes o tratamento penal que damos aos terroristas. Ora, se ninguém quer terroristas à solta, eu também não percebo porque é que deixamos incendiários à solta”, afirmou.

Esta não é a primeira vez que André Ventura propõe penas mais pesadas para aqueles que descreve como “canalhas que incendeiam o nosso país”, mas desta vez, o líder do CHEGA vai mais longe e exige que estes criminosos “apodreçam na cadeia”.

Ventura também dirigiu críticas ao governo liderado por Luís Montenegro, acusando-o de não ter preparado devidamente a época de incêndios. “É evidente que há responsabilidades a apurar”, afirmou, acrescentando que “é nos dias de maior precipitação que devemos estar a preparar a prevenção dos incêndios e isso não foi feito”. O Presidente do CHEGA sublinhou ainda que “já ardeu mais em dois dias do que no ano inteiro”, reforçando que é “importante que o Governo tome consciência disso, uma perceção que procurámos transmitir ao Governo ao longo do ano inteiro, pois os incêndios não têm hora de combate”.

Apesar de considerar que o CHEGA poderá “avançar com um debate de urgência sobre o tema”, Ventura destacou que esta não é altura para “partidarismos nem politiquice”. Segundo o próprio, “é crucial que estes fogos sejam combatidos rapidamente e o papel dos partidos, neste momento, é desejar boa sorte ao Governo e estarem disponíveis parlamentarmente para tudo o que o Governo precisar”, concluiu.

No passado domingo iniciou-se uma onde de fogos por todo o país, sendo que durante a tarde de quarta-feira já se contava com mais de 106 mil hectares de área ardida apenas neste período de tempo. As zonas mais afetadas do país localizam-se nas regiões de Aveiro, Tâmega e Sousa e Viseu Dão Lafões, que totalizam 75.645 hectares de área ardida, o que representa 71% da área ardida em todo o território nacional.

Até à hora de fecho desta edição, já havia a lamentar sete vítimas mortais e cerca de 120 feridos devido aos incêndios que atingiram as regiões Norte e Centro do país, nos distritos de Aveiro, Porto, Vila Real, Braga e Viseu e que destruíram dezenas de casas, deixando inclusive famílias sem habitação e obrigaram a cortar diversas estradas e autoestradas.

A violência das chamas e a rapidez com que se propagaram levou à mobilização de bombeiros e militares por todo o país e inclusive de Espanha, tendo em conta que o Governo espanhol enviou para Portugal 248 militares e 82 meios da Unidade Militar de Emergências para o combate aos incêndios.

Tendo em conta a gravidade da situação, Portugal pediu ajuda à União Europeia para combater os incêndios, solicitando oito aviões de combate a incêndios.  

“A União Europeia está com Portugal enquanto o país tenta debelar grandes incêndios. Vamos mobilizar urgentemente oito aviões de combate a incêndios através do Mecanismo Europeu de Proteção Civil para ajudar os profissionais no terreno”, escreveu a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, nas suas redes sociais. Dada a seriedade, o Governo declarou situação de calamidade em todos os municípios afetados pelos incêndios nos últimos dias e alargou a situação de alerta, face às previsões meteorológicas. Nesta quarta-feira, na primeira sessão plenária, na reabertura dos trabalhos parlamentares, André Ventura dirigiu-se a todas as populações que enfrentam o “combate das suas vidas, das suas propriedades e das suas famílias” referindo-se a todas as vítimas dos incêndios deflagrados por todo o país.

“Queria dizer-lhes, em nome do Parlamento, que um Parlamento decente reconhecerá que nos últimos anos (a culpa) não foi do partido A, B ou C. Queríamos deixar um grande, grande aplauso a todos os nossos combatentes pela paz e assumir a nossa responsabilidade política porque lhes falhámos a eles e o país falhou-lhes” declarou o presidente do CHEGA.

André Ventura, que tem vindo a solidarizar-se não só com as vítimas destes catastróficos incêndios, mas também com aqueles que os estão a combater advertiu o Governo de Luís Montenegro que decretasse luto nacional pela morte trágica dos bombeiros. 

Para o Presidente da terceira força política portuguesa, os nomes dos bombeiros que faleceram a combater as chamas devem ser reconhecidos e honrados.

Nas suas redes sociais, André Ventura também aproveitou para deixar reptos ao Governo e conforntou Luís Montenegro. “Queria perguntar ao Governo porque é que ainda não decretou luto nacional pela morte trágica destes bombeiros? Ou a vida dos bombeiros não interessa?”, questionou.

Últimas de Política Nacional

André Ventura deixou esta sexta-feira um desafio direto ao Partido Socialista: apoiar as propostas do CHEGA para baixar os impostos sobre os combustíveis e a aprovar o IVA Zero no cabaz alimentar. O líder do partido acusa o PS de “hipocrisia” e avisa que um chumbo deixará os socialistas sem argumentos depois das posições assumidas durante o verão.
Uma larga maioria dos portugueses considera que o Governo de Luís Montenegro não está a conseguir responder ao aumento do custo de vida nem proteger o poder de compra das famílias. De acordo com a mais recente sondagem da Aximage, 77% dos inquiridos classificam como “inadequada” ou “muito inadequada” a atuação do Executivo da AD perante a subida dos preços da habitação, dos combustíveis e dos bens de consumo.
Nem o chumbo da moção de censura, nem as reservas levantadas no Parlamento, nem os alertas sobre o impacto nas instituições fizeram o CHEGA recuar. O partido de André Ventura mantém a intenção de avançar com uma Comissão Parlamentar de Inquérito aos mandatos de Luís Neves na Polícia Judiciária, entre 2018 e 2026, para escrutinar contratos, utilização de bens apreendidos e outros episódios ocorridos durante a sua direção.
O presidente do CHEGA acusou a ministra da Justiça de ter transmitido informações falsas ao Parlamento, admitindo duas hipóteses: ou foi enganada pela Polícia Judiciária ou terá procurado “encobrir” o ministro da Administração Interna. Ventura quer que o diretor nacional da PJ seja ouvido no Parlamento para esclarecer que informação foi transmitida.
O CHEGA exigiu explicações sobre o polémico negócio das novas fragatas para a Marinha e Nuno Melo vai mesmo ter de comparecer no Parlamento. A Comissão de Defesa aprovou por unanimidade a audição do ministro da Defesa a pedido do CHEGA sobre a aquisição de três fragatas italianas, num investimento estimado em 3,9 mil milhões de euros, um dos maiores investimentos na Defesa portuguesa.
A moção de censura caiu, mas o CHEGA não ficou sentado. Consumada a votação, toda a bancada se levantou e fez ecoar “demissão” pelo plenário, fechando um debate em que André Ventura responsabilizou Montenegro não apenas pela permanência de Luís Neves, mas também pelo rumo do Governo.
Mentiras, abuso de poder e suspeitas sobre a utilização da Polícia Judiciária. Luís Neves está debaixo de fogo esta terça-feira, acusado de protagonizar uma lógica de “quero, posso e mando”. Mas a pressão não recai apenas sobre o ministro da Administração Interna: Luís Montenegro é também chamado a assumir responsabilidades e a explicar, de forma cabal, por que razão continua a manter Neves no Governo.
Afinal, não foi “vais pagá-las”. Luís Neves esclareceu esta terça-feira, na Assembleia da República, a frase que disse dirigida à bancada do CHEGA, em dia de debate quinzenal com o primeiro-ministro. Aos deputados do partido liderado por André Ventura, o ministro da Administração Interna assumiu que as palavras que proferiu foram: “Vão levar comigo.”
O líder parlamentar do CHEGA, Pedro Pinto, acusou o ministro de trocar os esclarecimentos prometidos por “propaganda barata” e perguntou-lhe diretamente quando abandona o cargo. Neves fechou a porta à demissão e colocou a bola no campo de Montenegro.
André Ventura responsabiliza o primeiro-ministro pela crise política em torno de Luís Neves e garante que a moção de censura poderia ter sido evitada se o ministro já tivesse abandonado o Governo. Presidente do CHEGA acusa ainda o Estado de ter mentido ao partido sobre os 144 mil euros associados à destruição dos produtos químicos e desafia os restantes partidos a escolherem de que lado ficam.