PSD e PS criticados por defenderem limites a cidadãos fardados

PSD e PS defenderam hoje que devem ser regulamentadas as condições de acesso de cidadãos às galerias do parlamento, impedindo, designadamente, que se apresentem com farda profissional com objetivos reivindicativos, posição contestada pelas restantes bancadas.

© Parlamento

No início deste mês, o presidente da Assembleia da República, José Pedro Aguiar-Branco, pediu que bombeiros que se encontravam fardados a assistir a um debate parlamentar saíssem imediatamente das galerias, mas esta sua ordem acabou por ser revertida após ter ouvido reparos de várias bancadas, sobretudo do CHEGA. O PS solicitou então que o caso dos bombeiros sapadores fosse encarado como uma exceção.

A seguir a este episódio, o presidente da Assembleia da República advertiu que a decisão que permitiu aos bombeiros fardados assistirem ao debate poderá abrir um precedente que põe em causa a equidade entre cidadãos em matéria de condições de acesso ao parlamento.

Na conferência de líderes hoje, este tema relativo às condições de acesso de cidadãos às galerias do parlamento voltou a ser debatido e registaram-se divergências significativas entre as diferentes bancadas. Do lado favorável à existência de um regulamento, ficaram PSD, PS e CDS; do lado mais liberalizante das condições de acesso ficaram CHEGA, PCP, Bloco de Esquerda, Iniciativa Liberal e Livre.

Perante os jornalistas, o presidente do Grupo Parlamentar do CHEGA, Pedro Pinto, acusou mesmo PSD e PS de se terem “unido” para impedir que bombeiros, agentes de forças policiais, estudantes, ou militares possam estar com a sua farda de trabalho vestida a assistir nas galerias ao debate parlamentar.

Pedro Pinto, no entanto, traçou alguns limites em relação à sua própria tese. Afastou, por exemplo, que ativistas LGBT possam deslocar-se ao parlamento trajados com símbolos em defesa da sua causa específica, alegando que “uma coisa é o trabalho, outra coisa são ativistas que estão ou não para ouvir e que podem até criar alguma espécie de conflito dentro da Assembleia da República”.

“Isso não podemos permitir. Aquilo que apelamos sempre é que as pessoas possam vir dignamente ao parlamento e venham respeitosamente para esta casa”, acrescentou.

PCP, Bloco de Esquerda, Iniciativa Liberal e Livre optaram para já por não se pronunciar publicamente sobre este diferendo.

No final da reunião, o porta-voz da conferência de líderes, o deputado social-democrata Jorge Paulo Oliveira, assumiu que “esta matéria não foi conclusiva, havendo divergências profundas e assinaláveis entre os diferentes grupos parlamentares”.

“Ficou [apenas] consensualizado que os serviços da Assembleia da República vão efetuar uma recolha de toda a informação difusa atinente a esta temática, porque, de facto, não está concentrada. Irá também ser feito um levantamento em termos de direito comparado, visando saber como são tratadas estas temáticas nos diferentes parlamentos europeus. E o senhor presidente da Assembleia da República [José Pedro Aguiar-Branco] assumiu a responsabilidade de apresentar uma proposta de regulamentação desta matéria que fará circular pelos diferentes grupos parlamentares”, declarou.

Jorge Paulo Oliveira fez ainda questão de frisar que “a questão da entrada e frequência do público nas galerias é uma matéria que está prevista no regimento”.

“Obriga à existência de um regulamento, mas que nunca foi feito”, acrescentou.

Últimas de Política Nacional

O Ministério Público arquivou 51 denúncias apresentadas contra cartazes do CHEGA, concluindo que os slogans não configuram crime e estão protegidos pela liberdade de expressão no debate político.
O Parlamento português recusou uma proposta do CHEGA que defendia que Portugal deveria fazer todos os esforços para reconhecer a Irmandade Muçulmana como organização terrorista.
O CHEGA entregou um projeto de resolução no parlamento em que recomenda ao Governo a adoção de "medidas urgentes" para assegurar o "regular funcionamento" dos tribunais e serviços do Ministério Público (MP) na Comarca de Portalegre.
O CHEGA apresentou um projeto de lei que propõe a criação da carreira especial de medicina dentária e a sua integração plena no Serviço Nacional de Saúde (SNS), para reforçar o acesso da população portuguesa a cuidados de saúde oral.
O líder do CHEGA defendeu hoje que o Governo deve "rasgar e começar novamente" as propostas de alteração à lei do trabalho e procurar no parlamento o consenso para esta reforma, manifestando disponibilidade para negociar.
O CHEGA regista 25,8% das intenções de voto no mais recente Barómetro DN/Aximage, consolidando-se como uma das principais forças políticas do país. O estudo indica ainda que André Ventura é apontado por mais de metade dos inquiridos como a principal figura da oposição.
O Ministério Público acusou Diamantino Oliveira Lopes, eleito pelo PS para a Junta de Freguesia de Moreira do Rei e Várzea Cova, no concelho de Fafe, distrito de Braga, no mandato autárquico de 2017 a 2021, dos crimes de prevaricação e falsificação de documento, num procedimento de loteamento alegadamente destinado a beneficiar o próprio filho.
O líder do CHEGA saudou hoje o compromisso do Presidente da República de não dissolver o parlamento em caso de chumbo do Orçamento do Estado, mas avisou que esta posição "tem limites" e pode "esbarrar na realidade parlamentar".
O requerimento do CHEGA para ouvir presencialmente o coordenador operacional do INEM no Norte, Miguel Ângelo Santos, foi chumbado na Comissão Parlamentar de Inquérito ao INEM com votos contra de PS e PSD.
Após um confronto com a vice-presidente do Parlamento, Teresa Morais, o líder do CHEGA, André Ventura, decidiu abandonar o hemiciclo, acompanhado por toda a bancada do partido.