Sindicatos da PSP rejeitam “oportunismo político” do Governo nas ações de fiscalização

Sindicatos da PSP consideram hoje que as ações de fiscalização sempre foram realizadas pelas polícias, rejeitando “um oportunismo político” por parte do Governo.

© Facebook da ASPP / PSP

Em declarações à Lusa, o presidente da Associação Sindical dos Profissionais da Polícia (ASPP/PSP) defendeu que o Governo não deve interferir nas ações das polícias do ponto de vista do planeamento e operacional.

“Não temos muita simpatia quando vemos ministros a dar instruções à polícia, ou fazer outro tipo de considerações que entendamos possam estar ali a ter uma pretensão que não aquela que decorre da própria ação policial”, disse Paulo Santos.

O dirigente falava depois de o Ministério da Administração Interna ter dado “uma orientação às forças e serviços de segurança no sentido de promoverem ações preventivas de fiscalização com visibilidade, tendo em vista o reforço da segurança no país”.

Na segunda-feira, a ministra com a tutela das forças de segurança, Margarida Blasco, que foi ouvida no parlamento no âmbito da discussão do Orçamento do Estado para 2025, destacou o reforço na fiscalização: “Como foi visível na semana passada, o Governo deu uma orientação clara às forças de segurança para reforçarem as ações de fiscalização que têm estado e vão continuar no terreno”.

A ministra explicou que “estas ações multiforças são encabeçadas pelo Sistema de Segurança Interna, enquanto coordenador das forças de seguranças, e envolvem a GNR, PSP, PJ, ASAE, Autoridade das Condições do Trabalho (ACT), Autoridade Tributária e Agência para a Integração, Migrações e Asilo (AIMA)”.

Hoje, Paulo Santos defendeu que o Governo “deve deixar que as polícias façam a sua intervenção, dentro daquilo que são as informações que têm, e o método e o enquadramento que têm, de uma forma transparente e independente”.

“Não sei se está a acontecer, não tenho dados para isso, não queremos é que haja aqui um aproveitamento, um oportunismo político de, junto das polícias, poder aqui, de certa forma, reagir a algumas agendas políticas ou outras pretensões”, sublinhou.

O sindicalista recordou que as operações de fiscalização “sempre aconteceram”, acrescentando que à falta de efetivo para “dar respostas”.

“Temos muitas reclamações dos profissionais que têm sido constantemente prejudicados nas suas folgas para poder dar resposta àquilo que são as exigências da instituição”, lamentou.

O presidente do Sindicato Nacional da Carreira de Chefes da PSP, Rui Amaral, considerou ser “uma redundância” o Governo dizer que “deu orientações às polícias para esse tipo de execução quando resultam daquilo que são as atividades ordinárias da própria atividade operacional”.

“Não é mais do que aquilo que nós fazemos diariamente”, salientou.

Questionado sobre as forças de segurança sentem pressão do Governo, Rui Amaral referiu que os operacionais não se deixam envolver, porque as operações de fiscalização fazem parte do seu trabalho diário.

“Não é preciso haver pressão para nós exercermos aquilo que são as nossas funções, dentro daquilo que é o nosso conteúdo funcional e dentro daquilo que são as atribuições que nos são definidas pela própria legislação”, considerou.

Também o presidente do Sindicato Nacional de Oficiais de Polícia, Bruno Pereira, indicou que “não é nada de novo” e que, no caso da fiscalização à imigração ilegal e ao tráfico de seres humanos, o Serviço de Estrangeiros e Fronteiras já fazia.

“A PSP está atenta, preocupa-se e planeia. Há uma preocupação em toda a latitude, a todos os níveis, […] dentro de uma lógica de otimização, resolver e atuar dentro desses planos de atuação”, realçou.

Sobre a orientação do Governo, o oficial da Polícia de Segurança Pública disse ser “quase um pleonasmo” do trabalho que a PSP já realiza.

“A polícia já o faz, agora o Ministério [da Administração Interna] está no seu pleno poder, no sentido de solicitar que, relativamente a determinado tipo de áreas, haja uma preocupação maior”, sustentou.

Últimas do País

Álcool ao volante, permanência ilegal em Portugal, armas proibidas, droga e documentos falsificados. Uma operação especial da GNR realizada nos concelhos de Grândola, Moita e Sesimbra terminou com 16 pessoas detidas, 60 autos de contraordenação e várias apreensões.
Homem de 33 anos era procurado pelas autoridades brasileiras para cumprir cinco anos de prisão pelo sequestro da ex-companheira, mãe dos seus filhos. O crime ocorreu em 2017 e o suspeito refugiou-se em Portugal em 2022, depois de ter conhecimento da acusação. Foi agora localizado e detido pela PJ na Guarda.
Mulher é suspeita de ter incendiado uma maca nas Urgências do Hospital de Santa Maria e, depois de abandonar o local, uma viatura estacionada no parque da unidade hospitalar. A Polícia Judiciária deteve a paciente após esta ter recebido alta.
O corpo de um homem aparentando "entre os 30 e os 40 anos" foi hoje encontrado no areal, no norte do concelho da Figueira da Foz, após um popular ter dado o alerta, disse o comandante da capitania.
Mais de mil menores ficaram órfãos entre 2004 e 2018 na sequência de crimes em contexto familiar. E a tragédia continua: desde 2020, pelo menos outros 72 menores ficaram sem um dos progenitores na sequência de crimes associados à violência doméstica.
Dois homens, de 36 e 47 anos, foram detidos no Aeroporto Humberto Delgado quando, segundo a Polícia Judiciária, se preparavam para introduzir em Portugal cocaína suficiente para cerca de 342 mil doses individuais. Ambos ficaram em prisão preventiva.
Tribunal de Loures condenou a 16 anos de prisão um professor de música, de 40 anos, por crimes cometidos contra uma jovem que tinha apenas 12 anos quando começaram os contactos de natureza sexual. Os abusos prolongaram-se durante vários anos. Arguido terá ainda incentivado a troca e o armazenamento de vídeos pornográficos e terá de indemnizar a vítima em 56 mil euros.
Tinha sido autuado por conduzir sob o efeito do álcool e notificado de que estava impedido de conduzir. Ainda assim, voltou ao carro e arrancou em fuga. Dois agentes da PSP foram atingidos e ficaram feridos durante a madrugada desta segunda-feira, em Portimão.
O tempo de espera nas urgências voltou esta segunda-feira a subir em alguns hospitais, com doentes urgentes a aguardarem quase 10 horas para serem vistos por um médico, segundo o portal do Serviço Nacional de Saúde (SNS).
Mais de 60 concelhos de 10 distritos de Portugal continental estão hoje em perigo máximo de incêndio rural, num dia em que as temperaturas máximas vão continuar elevadas na generalidade do território, segundo o IPMA.