Zelensky favorável a reforma da estrutura militar para “reduzir burocracia”

O Presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, manifestou-se hoje favorável a uma mudança na estrutura militar do país, de forma a “reduzir a burocracia” e a facilitar a gestão das tropas envolvidas na guerra contra a Rússia.

© Facebook de Volodymyr Zelensky

No início desta semana, fontes militares ucranianas avançaram ao ‘site’ The New Voice of Ukraine que pretendiam fazer a transição do atual sistema de brigadas para um sistema de corporações até ao final de novembro.

As mesmas fontes argumentaram que as Forças Armadas ucranianas necessitam de uma reforma porque muitas unidades foram criadas numa base temporária e alguns oficiais podem não conhecer os seus subordinados nem os pormenores das respetivas brigadas.

“Cabe aos militares decidir. Se o sistema de corporações que estão a propor reduzir o fosso entre um general e um soldado, se esta burocracia for reduzida, quero que façam tudo o que puderem para o conseguir”, disse Zelensky, numa declaração hoje divulgada pelo gabinete presidencial, na qual atribui esta missão ao chefe do exército, Oleksander Sirski.

“Um oficial deve ver o rosto de um soldado. Para mim, pessoalmente, apesar da sua experiência, e com todo o respeito: um general que nunca pôs os pés numa trincheira não é um general”, disse o chefe de Estado ucraniano.

A Rússia invadiu a Ucrânia a 24 de fevereiro de 2022, com o argumento de proteger as minorias separatistas pró-russas no leste e “desnazificar” o país vizinho, independente desde 1991 – após o desmoronamento da União Soviética – e que tem vindo a afastar-se da esfera de influência de Moscovo e a aproximar-se da Europa e do Ocidente.

A guerra na Ucrânia já provocou dezenas de milhares de mortos de ambos os lados, e os últimos meses foram marcados por ataques aéreos em grande escala da Rússia contra cidades e infraestruturas ucranianas, ao passo que as forças de Kiev têm visado alvos em território russo próximos da fronteira e na península da Crimeia, ilegalmente anexada em 2014.

Quase a atingir o terceiro ano de guerra, as Forças Armadas ucranianas confrontaram-se com falta de soldados e de armamento e munições, apesar das reiteradas promessas de ajuda dos aliados ocidentais, que começaram entretanto a concretizar-se.

As tropas russas, mais numerosas e mais bem equipadas, prosseguem o seu avanço na frente oriental, apesar da ofensiva ucraniana na Rússia, na região de Kursk, e da recente autorização do Presidente norte-americano, Joe Biden, para utilizar mísseis de longo alcance fornecidos pelos Estados Unidos para atacar a Rússia.

As negociações entre as duas partes estão completamente bloqueadas desde a primavera de 2022, com Moscovo a continuar a exigir que a Ucrânia aceite a anexação de uma parte do seu território.

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